Precisamos de um herói

Posted: December 16, 2014 in Argumentos, Opinião

alexandra_simeao3

Valha-nos Deus! Precisamos de um herói a sério, antigo e grego, daqueles que vinham do Olimpo. Não pode ser um herói por acaso, à procura do primeiro emprego, nem um que tenha uma bandolete a prender os caracóis, como nas novelas brasileiras.

Tem que ser um herói com poderes excepcionais, que descenda de uma família onde o heroísmo seja inato e não conseguido porque alguém meteu uma cunha. Um herói que sobre tudo e sobre todos, nutra o maior respeito pelo Bom Povo, nunca olhando para ele como o retrato da pobreza, como um humilhante impedimento a uma governação que devia ser feita em seu nome, no primado pelo respeito de que o Estado Somos Todos Nós!

Um herói cujo único objectivo fosse defender os pobres que nunca rezam ao mesmo deus dos “ricos”. Mas antes a um Deus de compaixão que conhece o sofrimento das almas desafortunadas.

Um herói que nos proteja da intransigência das elites minoritárias, que nos ampare nos dias em que a chuva nos rouba as bacias e a vida, que nos dê coragem quando as nossas crianças morrem vítimas de negligência institucional e que nos oiça quando rezamos pelos angolanos que continuam a desaparecer sem rasto.

Não sei se valerá a pena colocar um anúncio no jornal, pois nos dias que correm o mundo tem tido um enorme défice de heróis. Mas o caso é de urgência, é mesmo preciso resgatar o país para o domínio da ética e da inclusão.

É imperativo que quem pensa diferente não seja sempre apelidado de incompetente, analfabeto e sem obra que sustente a sua credibilidade, como um bando de oposicionistas sem qualquer resquício de inteligência, insusceptívies de compreender quão valorosa é a actual caminhada rumo a um patamar que tornará Angola num “exemplo” para África e para o mundo.

O povo não é o inimigo. Os jovens não são o inimigo, nunca serão. O verdadeiro inimigo é a pobreza sustentada pela corrupção e pelo egoísmo que não aceita investir na seriedade de uma distribuição equitativa e sustentada da riqueza nacional.

O grande inimigo é a ausência de uma postura de seriedade que invista tudo o que temos numa educação primária de qualidade. O perigoso inimigo está na incapacidade de alguns herdeiros do poder popular perceberem que a motivação dos verdadeiros nacionalistas de ontem , de todos os lados, que defenderam uma Pátria Nossa, é a mesma que hoje é expressa por jovens, músicos, homens e mulheres de todas as crenças, jornalistas, escritores, economistas e advogados, engenheiros, funcionários, taxistas e quitandeiras e por todos os mais velhos que já não podem mais ser reféns de um compromisso histórico que abandonou o seu ideal “científico” e rumou para um estado de “social porreirismo”.

O inimigo está, definitivamente, na miopia de alguns dirigentes que teimam em acreditar qua a cegueira da Lei da Probidade é o mais eficiente mecanismo para transformarem os seus filhos em respeitáveis empresários e cidadãos empreendedores.

As sociedades hoje vivem de empréstimos, que ninguém duvide disto!

Por Alexandra Simeão (excerto extraído de Kalucinga)

Comments
  1. Ju Jaleco says:

    Gostei imenso do texto! Abraço para a autora e para a Central por tê-lo posto aqui.

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