Novo “Burrismo” ou preparação para uma colonização chinesa?

Posted: March 6, 2015 in Luanda

As cicatrizes da colonização são ainda marcantes na alma dos vários povos que a ela foram submetidos. Angola não se escapou deste trágico encontro com a História e viu-se submetida a senhores, regras e formas de organização social que lhe eram, até então, alheias.

Traumatizante e estigmatizante para as vítimas, é natural que, nessa qualidade, temamos ser sujeitos novamente a um processo semelhante. Mas, pelo andar da carruagem, existem contornos que nos fazem antecipar a enraização de um “Império Chinês” em Angola. O poder e as imunidades das quais gozam são pura e simplesmente inaceitáveis num país democrático e de direito, o seu excesso de confiança de intocabilidade revelado em diversos escândalos que protagonizam nesta pátria que nos pariu e do qual saiem amiúde impunes.

“Chineses raptam um doleiro em Benguela e dias depois a vítima é encontrada morta.” (In Rádio Despertar e Rádio Eclésia).”Mototaxis­­ta perde a vida fruto de um acidente de viação em Cacuaco. Polícia aconselha motorista do camião, um cidadão chinês, a evadir-se do local para não ser linchado e indica-lhe que se dirija à esquadra, sem o acompanhar” (In mural de facebook de Bitão Felisberto Holua).”Chineses enterram trabalhadores em obras. Os mesmos trabalhadores são maioritariamente oriundos de províncias como: Cunene, Benguela e Lubango.” (In Rádio Despertar). Há ainda o caso várias vezes captado em fotografias de chineses envergando fardas das FAA ou Polícia Nacional, mostrando até que ponto chega a promiscuidade do poder do Estado com cidadãos de origem estrangeira, o que poderia (e deveria) ser considerado um atentado à segurança do Estado, perpretado justamente por aqueles que deveriam velar por ela.

Gostaríamos de acrescentar o elemento que nos propulsionou a redigir este texto: o caso das obras descartáveis. A mão-de-obra chinesa continua em descrédito pelo simples facto de serem frequentemente de pouca durabilidade. Mas, a questão que se coloca é a seguinte:

QUEM FOI QUE CONSTRUIU A CHINA?

Temos visto várias reportagens acerca do potencial da China em termos infra-estrutural e económico, mas também técnico, factor que terá sido usado como argumento pelo governo angolano ao celebrar o maior contrato com este gigante asiático na reconstrução do país saído de 27 longos anos de guerra. O facto de permitirmos que os chineses construam obras descartáveis no nosso país leva-nos a questionar se nós (angolanos) é que somos burros ou eles (chineses) é que preparam terreno para uma neo-colonização apadrinhada pelos nossos próprios conterrâneos que criaram raízes no poder.

As chuvas que se abateram na Sexta-feira 13 e Sábado 14 de Fevereiro, deitaram abaixo esta grande estrutura e o que a nossa reportagem apurou no terreno foi que, surpresa, a empreiteira responsável pela obra era chinesa. Esta estrutura seria usada como stand automóvel e a sorte do proprietário é que não havia ainda viaturas no interior.

Antes mesmo da inauguração, a obra é depenada pela chuva miúda. Quem se vai responsabilizar pelos danos causados?

REPORTAGEM Alemao Vieira 01Reportagem Alemão Vieira 02

Já em 2010 o Hospital Central de Luanda, com apenas 4 anos de existência, foi evacuado por causa de graves fissuras que tornaram o edifício propenso ao elevado risco de colapso. O edifício da DNIC (apenas “restaurado” cosmeticamente pelos chineses) não foi a tempo da evacuação e acabou mesmo por vir abaixo qual torre gémea ou “O desejo de Kianda”.

Por Alemão Francisco e Manuel Vieira

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