Análises de Mbanza: Fazendo juízo indutivo

Posted: March 27, 2015 in Luanda

A indução é um método de produção de conhecimento científico.

Parte de dados particulares, suficientemente constatados e infere uma verdade geral ou universal, não contida nas partes examinadas. Ou seja, é uma operação lógica que vai do particular ao geral. Das premissas tira-se uma conclusão.

Trazemos essa análise hoje para percorrer a comunicação política do MPLA:

  1. Quando o inimigo político era a FNLA, o MPLA chegou a divulgar recorrente e extensivamente o “canibalismo” efenelático, afirmando e mostrando na televisão que a FNLA comia pessoas. Muitos acreditaram e acirraram os seus ódios contra os canibais. Hoje, sabe-se que aquilo não passou de propaganda enganosa para denegrir.

    Massacres perpretados pela UPA, aproveitados para propaganda do MPLA.

    UPA Cabeças Massacres perpretados pela UPA, aproveitados para propaganda do MPLA.

  1. Depois da independência e a tomada/assalto do poder pelo MPLA, a sua agenda política tinha e continua tendo como mira a politização [entenda MPLArizacao] de Angola. Sorrateiramente, incorporou isso em tudo: no ensino, na cultura, na manietação do poder tradicional, no conceito de ONG, nas igrejas, enfim, na maneira de ver, agir e pensar do angolano. Na TV, radio e jornais isso tem sido passado como desenvolvimento e o nascimento de um novo país, sob alçada do arquiteto-mor, JES!

    FNLA, muito próxima de Luanda, de onde tinha sido expulsa

    FNLA, muito próxima de Luanda, de onde tinha sido expulsa

  2. Ate há uma década atrás, Savimbi e a UNITA eram a desculpa para tudo, para a pobreza, para falta de serviços sociais básicos, para falta de governacao transparente, enfim, para tudo que não funcionava. Na TV, na rádio, no jornal e noutros meios, a propaganda era ensurdecedora. Hoje, Savimbi está morto, a UNITA esta militarmente desbaratada, mas os problemas de outrora persistem e a cada dia se agravam mais.

    Ao longo da guerra civil, parece que só Savimbi destruiu, do outro lado vinham cravos.

    Ao longo da guerra civil, parece que só Savimbi destruiu, do outro lado vinham cravos.

  3. Desde a semana passada que se canta e encanta nos meios públicos de comunicação social sobre a Batalha do Kuito Kuanavale ganha pelas FAPLAs (1). Diz-se que as FAPLAs combateram e venceram o exercito sul africano, que era, segundo o que se noticia nos meios públicos:

– militarmente muito superior.
– superior igualmente em termos de comunicação.
– e apoiava a UNITA.

O MPLA gaba-se de ter ganho o exército sul africano com o seu poderio militar, sem apoios nem ajuda de ninguém. Os entrevistados chegam a dizer: “não vi cubanos, nem vivos, nem mortos ou ate mesmo enterrados, apenas tropas do exército angolano” palavras de um antigo militar sul africano que esteve no Tumpo, segundo os meios públicos.Reportagem com as FAPLAS no Kuito Cuanavale_0001

A minha questão é a seguinte: Se as FAPLAs derrotaram o exército sul africano (abrindo assim caminho para o fim do apartheid e a independência da Namíbia), que era militarmente muito superior (e apoiava a UNITA), numa única batalha, como é que as FAPLAs levaram 27 anos para derrotar a UNITA que era apoiada pela a África do Sul?

Ou seja, como é que o MPLA derrota o apoiador numa única batalha e leva 27 anos para derrotar o apoiado?nunca tinha pensado nisso

Induzindo afirmo: Sempre que o MPLA der destaque ostensivo a um evento, seja político, social, cultural ou outro qualquer, há mentiras, omissões, propaganda política e alienação.

(1) Ignorada está a tragédia de Benguela, com exceção de algumas individualidades que se prontificaram a ajudar e incansavelmente vão dando o que podem. A figura do nosso PR foi a mais ridícula. Teve tempo para ir à Namíbia para assistir a cerimónia de tomada de posse de Hage Geingob, novo (terceiro) PR da Namíbia, mas nenhum pronunciamento, quanto mais uma visita, para consolar e se solidarizar com as vítimas de Benguela. Angovida pá!

Por Mbanza Hamza

Comments
  1. Ele, o PR caduco Ze, não vale nem o meu escarro. Melhor seria que ele se manda-se para a casca da rolha.

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