Activistas escrevem carta aberta ao Presidente da República

Posted: December 9, 2015 in Luanda

Sr. José Eduardo dos Santos,

Apesar do esforço que vem empreendendo com a fanfarra mediática já pelo povo angolano bem conhecida que não interfere nos assuntos que competem ao poder judicial, nós já não deixamos embalar pelas canhgas infantis do seu regime perverso.

Temos testemunhado em primeira mão  a sua interferência ao longo de todo o processo e particularmente agora, em plena sede de julgamento. Os seus homens disfarçam-se tão mal que se esquecem de remover da lapela dos fatos que envergam os timbres da presidência.

Aparentemente, as suas ordens têm sido no sentido de prolongar indefinidamente as audiências de interrogatório. Exigimos que, uma vez que não consegue cumprir com o preceito constitucional da separação de poderes, inverta imediatamente as instruções que agudizaram a natureza teatral deste julgamento. Aqui chegados, temos pressa de ser condenados, mesmo sabendo que injustamente.

CASO NÂO TERMINE ESSA FASE DE INTERROGATÓRIO AO LONGO DA SEMANA de 7 à 12 de Dezembro, negar-nos-emos a fazer presentes no tribunal e levaremos a cabo uma greve de fome colectiva que só culminará com a satisfação da nossa exigência.

Deixemos de brincar aos países. Angola não é sua lavra e muito menos sua quinta.

Subscrevemo-nos

Os seus presos políticos de estimação

Luaty Beirão

Manuel Nito Alves

Arante Kivuvu Lopes

José Gomes Hata

Afonso Matias Mbanza Hamza

Osvaldo Caholo

Hitler Tshikonde

Nuno Alvaro Dala

Nelson Dibango Mendes dos Santos

Benedito Dali (Dito)

Sedrick

Albano Bingo Bingo

Inocêncio de Brito

Fernando António Thomas

Junto à carta recebida por Rede Angola foi enviado um anexo onde se podem ler aquelas que os activistas consideram algumas “Irregularidades ao longo do julgamento”. Num total de 20 pontos, são apontadas:

-a falta de acesso ao processo por parte da defesa antes do início do mesmo;

-não permitindo a fase de questões prévias associadas ao mesmo;

-os activistas acusam o juiz de indeferir muitos dos requerimentos da defesa por considerá-los questões prévias;

-as más condições da sala de tribunal;

-a presença de elementos da DESP, SIC e SINSE dentro da sala, quando são apenas atribuídos dois passes para a família de cada activista;

-o impedimento de entrada aos observadores internacionais;

-a colocação na sala de três câmaras que os activistas afirmam ser do GRECIMA e transmitir para uma sala com elementos da presidência (e uma segunda, para jornalistas);

-as intervenções de elementos da presidência;

-os “recados” e sms que o juiz recebe durante as sessões;

-da impossibilidade de manter contacto visual com a procuradora Isabel Fançony Van-Dúnem;

-o longo processo de ditar para acta as perguntas do Ministério Público, que os activistas decidiram não responder;

-dos juízes e representantes do Ministério Público se apresentarem na mesma tribuna, “aparentando formar uma equipa única”;

-o impedimento, por parte dos Serviços Prisionais, de os advogados se aproximarem dos seus constituintes;

-a denúncia de diferentes casos de agressão física e psicológica dos activistas;

-e, entre outros, as provas apresentadas pelo Ministério Público que, na opinião dos activistas, “sendo consideradas elementos probatórios, configurariam um crime de delito de opinião”.

Rede Angola

Link: http://www.redeangola.info/activistas-falam-em-greve-de-fome-colectiva/

 

ENGLISH

OPEN LETTER TO THE PRESIDENT

Mr. José Eduardo dos Santos,

Despite the effort you are undertaking with your media spectacle already well known by the Angolan people, do not interfere in the matters reserved to the judicial power, we do not let ourselves be fooled by the childish canhgas ( lullabies) of your perverse regime.

We have witnessed your interference during this whole process first hand and particularly now, in the court itself. Your men are disguising themselves so poor they even forget to remove the lapels of their suits that portray the symbols of the presidency.

Apparently your orders have been made in the sense of prolonging the trial hearings indefinitely. We demand that, since you are not succeeding in upholding the constitutional precept of the separation of powers , you reverse the instructions that have worsened (streamlined?) the theatrical nature of this trial. Having come to this point, we are in a hurry to be condemned, even knowing that it is an injustice.

IF THIS PHASE OF QUESTIONING WILL NOT END DURING THE WEEK from the 7th to the 12th of December, we will refrain from showing up in court and we will carry out a collective hunger strike that will only be ceased by the granting of our demand.

Let´s not play with countries anymore. Angola is not your land and much less your garden.

We subscribe,

Your dearest political prisoners

Luaty Beirão

Manuel Nito Alves

Arante Kivuvu Lopes

José Gomes Hata

Afonso Matias Mbanza Hamza

Osvaldo Caholo

Hitler Tshikonde

Nuno Alvaro Dala

Nelson Dibango Mendes dos Santos

Benedito Dali (Dito)

Sedrick

Albano Bingo Bingo

Inocêncio de Brito

Fernando António Thomas

Attached to this letter sent to Rede Angola was sent an attachment in which can be read some of what the activists consider “Irregularities during the trial”. Summing up a total of 20 points, they note:

– The lack of access to the process by the defense before the beginning of the trial;

– Not allowing the phase of preliminary questioning associated to the process;

-The activists accuse the judge of dismissing many of the defense petitions by considering them preliminary questions;

-The bad conditions in the court room;

-The presence of elements from DESP, SIC and SINSE inside the court room, while only 2 passes are attributed to the family of each activist;

-The prohibition of visits by international observers in the court room;

-The placement of 3 cameras inside the court room identified by the activists as being from GRECIMA that transmit images to a room with elements of the presidency (and a second one for journalists);

-Interventions of elements of the presidency;

-The “messages” and sms received by the judge during the court sessions;

-The impossibility of maintaining eye-contact with the prosecutor Isabel Fançony Van-Dúnem;

-The long process of dictating for the record the questions made by the Public Ministry, that the activists chose not to answer;

-The presentation of the judges and the representatives of the Public Ministry on the same stand, “appearing to be in the same team”;

-The impediment, by the Prison Service, of the communication between the defense lawyers and their clients;

-The complaints of various cases of physical and psychological assault inflicted on the activists;

-And, amongst others, the proof presented by the prosecution (Public Ministry) that, according to the opinion of the activists, “would constitute a crime of opinion, as they are considered probationary elements.”

Translation by Central 7311 volunteer Marina Zimmermann Pachecho Nobre.

Rede Angola

Link: http://www.redeangola.info/activistas

*Photo by Ampe Rogériomg_4303-620x413

Comments
  1. Ju Jaleco says:

    Obrigada por me permitirem seguir este caso que me deixa tão triste…

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s