CTV: Brigadas de fuzilamento da DNIC matam em Viana

Posted: September 14, 2016 in Luanda
923-e-bruno-chimuku-editado

“Bruno” e “923”, fuzilados pela DNIC

Depois da lei da amnistia, a DNIC tem estado a proceder à campanhas de “limpeza e manutenção da ordem”, tendendo a evitar que as cadeias voltem a encher-se de ladrões
de telemóveis e outros bandidos comuns, alegadamente reincidentes.

No dia 6 de Setembro de 2016, recebemos uma denúncia via telefone e corremos para o Chimuku para constatar in loco o que muitas vezes parece não passar de boato, pois nunca se fazem acompanhar de evidências as denúncias.

Dois jovens, “Bruno” e “923”, estavam estatelados ao comprido num quintal aberto, crivados de balas depois de terem sido perseguidos por dois agentes, segundo testemunhos.

Os rapazes não tinham uma reputação imaculada mas, pelo menos “Bruno” não seria reincidente pois, de acordo com os familiares, nunca foi sequer detido, apesar de admitirem que andava em “más companhias”.

No processo de perseguição, a menor Janete Correia, de dez anos de idade, foi apanhada por uma bala que fez ricochete, lhe perfurou as costas pela zona lombar e tornou a sair milagrosamente sem que nenhum órgão vital fosse atingido.

Não se tratava de fogo cruzado, era apenas a polícia a disparar contra jovens alegadamente perigosos porém desarmados.

Angola deixou de executar penas de morte desde o início dos anos 80, abolindo-a oficialmente com a lei constitucional de 1991, tendo se tornado advogada da causa da abolição deste tipo de medida judicial em todo o mundo.

A Constituição angolana de 2010 proíbe a pena de morte no seu artº 59, a tortura e tratamentos degradantes no artº 60 e protege o direito à vida e integridade pessoal nos artº 30 e 31 respetivamente. É por isso inconcebível que estas execuções ainda constituam o modus operandi de uma polícia republicana.

Os corpos destes dois rapazes estiveram aqui neste local público, das 8h00 da manhã até cerca das 14h00, altura em que a Investigação Criminal regressou ao local com uma ambulância para os remover.

Dizem que os autores regressam sempre ao local do crime. Foi preciso esperar “apenas” 6 horas.

Comments
  1. Ju Jaleco says:

    De mal a pior, que tristeza!

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