Os quadros do nosso tempo

Posted: September 21, 2016 in Luanda

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Em pleno 2016 Angola apresenta um número elevadíssimo de alegados quadros. Quadros de uma nova estirpe, daqueles que, em geral, preferem ser chamados pelos títulos, seja para esconder os seus nomes, alguns bantu, seja para sublinhar o que “estudou”, havendo ainda aqueles, que acreditamos ser a maioria, que o fazem para disfarçar a incompetência por detrás da cortina da arrogância.

Uma nova fornada de jovens, completamente desprovidos de filosofia ou ideologia própria, apenas folhas caindo prematuramente das suas árvores com o ligeiro sopro do vento. Alguns nem de vento precisam, acabam por se enrolar na sua própria retórica torcida circularmente e são sacrificados tão rapidamente como foram promovidos.

Crescemos num país dominado pela cultura do medo e da demagogia, pelo “xé menino não fala política”. O mais surpreendente é aparecerem jovens que nunca antes se atreveram a falar e hoje aparecem qual bing bang a partir de um buraco negro intitulando-se politólogos. De quê? De nada.

Numa época em que vigora a bajulação acentuada dos pseudoacadémicos cujo fim último é a ascenção para cargos ingratos porém bem remunerados, Luvualu de Carvalho, Belarmino Van-Dúnem, Gildo Matias José, Esteves Hilário (por sinal, a maior parte destes vindos da Província da Huíla), entre outros, são os rostos de jovens para quem o dinheiro está acima de uma oca palavra chamada dignidade, defendendo o mal a qualquer custo, assassinando gerações com as suas bocas, na rádio ou televisão de forma propositada.

Entre nós, humildes estilhaços de cidadania, todos sabemos que os seus mandatários não confiam neles por um segundo para executar autonomamente tarefas sérias que elevem o país. Não passam de manequins de trapo, pequenos fantoches manipulados por cordéis, com a missão única de ir abrir a cloaca para reproduzir a voz do seu ventríloquo, numa torrente interminável de baboseiras tipo “Angola vai bem e recomenda-se”.
Gildo Matias José (Politólogo) costuma alertar aos seus alunos para não levarem a sério aquilo que ele fala na televisão, como se estivesse a desculpar-se ou a legitimar a dupla personalidade, admitindo que “aquela”, a que chega à milhares de angolanos através do canal propagandístico do Estado, é delirante.

Então, quando se fala de quadros em Angola, de que estão a falar?
Esperemos que seja dos do Mestre Kapela, Thó Simões, Filomena Coquenão, Viteix, Ângelo Bié, André Malenga, Edson Chagas e outros talentosos artistas, porque esses engravatados (seguramente bem perfumados também) não são intelectuais, nananinana, os intelectuais contam-se pelos dedos e eles não estão lá. Quadros? Só se for de bina!

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