Sweggue da Mixa

Posted: September 26, 2016 in Luanda

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Sem medo de se errar, pode afirmar-se que entre os Angolanos devem estar os maiores hipócritas que alguma vez deambularam pela face da terra.

Então o brada Josemar, jovem formado, fala  inglês, com bom emprego, à espera de pedir a sua amada em casamento, usa fato e gravata, cabelo bem cortadinho, pausado, tornou-se no batukêro do KElamba mais afamado.

O brada é o protagonista do caso criminal mais falado do momento tudo porque, por azar ou sorte dele, é um batukêro “cujos previlégios em nada justificam o caminho que escolheu: o caminho de gatuno que agora o levará à kuzuêra”  – fim de citação.

A sociedade Angolana condena o irmão não pelo simples facto de ser um criminoso, mas por supostamente ser um indivíduo “de luxo” a cometer “crimes da dibinza” – como se fosse novidade.

Esta sociedade é a mesma composta por pessoas que, quando a salvo dos Serviços de Bufaria, jura de pés juntos que os maiores batukêros do país são o nosso Cidadão Número Um e seus coadjuvantes. O Número Um, como exemplo, também é formado. Até parece  ter duas qualificações: engenharia e arquitectura de paz. É casado, tão casado que os filhos assemelham-se a um clube de futebol Europeu, de tanta linhagem. O indivíduo anda sempre de fato e gravata, cabelo cortadinho e é pausado pra caraças. MAS É GRANDA BATUKÊRO, e os seus coadjuvantes seguem o seu exemplo à risca.

Com os grandes exemplos a virem de cima, achamo-nos no pleno direito de passar julgamento à um “pobre desgraçado” que não é mais criminoso do que os viciadores dos vícios de Angola. Numa sociedade onde: o faz-de-conta, a gatunice, o consumismo, a expropriação, a linguagem e os actos militares e musculados, a intolerância, o machismo, a violência, o estupro de mulheres e menores, o classissismo, o regionalismo e tribalismo, o autoritarismo, a ostentação, o racismo, o cabritismo, o remendo, a kandonga, o elitismo, a magoga feita com óleo da semana passada… e TANTOS outros males de terceira classe – são totalmente aceites, normalizados, institucionalizados e quase constitucionalizados, o cidadão deveria ser o último ser na face da terra a passar julgamento ao jovem Josemar. Josemar não é um ser especial e não é diferente de grande parte dos angolanos dos centros urbanos (maioria?). Josemar é apenas uma excelente ilustração de uma das inúmeras crises sócio-políticas que assombram Angola,  quiçá há (arrisque-se dizer) 40 anos e dez meses.

O wi é gatuno? Vai preso. Acabou. Se é gatuno formado em Windhoek, na praça do Katito (erro: Catín-ton) no Azerbaijão ou na UAN, deve ser dado o devido tratamento pela injustiça do Pai Banana. Azar dele só foi ser “desgraçado”. Não finjamos que não somos “todos” os maiores mixêros do planeta.

A Bernice ainda está cá? Boda dela ind’é quando?

Comments
  1. lourdes ximenes lopes says:

    Amei! Maneira certa de falar com humor sobre o que está definitivamente errado!…

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