CTV: Caminhada pela acessibilidade

Posted: May 10, 2017 in Luanda
Manifestantes com Deficiência vs PIR

Emanuel Pitra motivando os restantes marchantes apesar da postura ameaçadora da PNA

No dia 22 de Abril de 2017 a CTV foi cobrir a marcha convocada pela Plataforma pela Inclusão de pessoas com deficiência.

O ato desafiador quase lhes saía caro, pois a polícia não esteve muito preocupada com a forma que a sociedade encararia a covardia de agredir pessoas fisicamente incapazes de se defender.

O Comandante Rúben mandou os seus subordinados recolherem os cartazes que os manifestantes prepararam ao longo da madrugada e rasgá-los de imediato. Os robots assim fizeram, a programação continua inabalada, nenhum hacker consegue inserir o cavalo de tróia que fará esses homens passarem a comportar-se como tal.

Os marchantes não se deixaram intimidar pelos homens fardados de uniforme e arrogância e avançaram, dando conta que o Comandante Rúben estava a empatá-los e a tentar vencê-los pelo desgaste.

Avançou-se lentamente pelo “passeio” até ao mercado dos Congolenses. No percurso, alguns agentes de trânsito que visivelmente ainda não tinham recebido instruções nenhumas agiram discretamente para proteger os manifestantes.

Uma estranha e ostensiva barreira de agentes com metralhadoras e cães foi colocada pouco depois do mercado dos congolenses, ali ao nível da obra eleitoral diante da Unidade Operativa. Muitos dos manifestantes abandonaram as suas cadeiras e sentaram-se no asfalto escaldante mostrando que não se deixavam intimidar. Foi um longo e tenso impasse até que a polícia acabasse por recuar, talvez apercebendo-se do ridículo da situação.

Em nenhum dia ficou tão óbvia a contradição entre a obrigação de executar as ordens e a vontade de o fazer por parte dos agentes subordinados. Sentiu-se o alívio de todos eles a partir do minuto em que a Ordem Superior decretou “deixai-os fazer o que se propuseram fazer”. Até ajudaram alguns cadeirantes a superar alguns obstáculos e acompanharam aqueles que tinham mais dificuldade em locomover-se e ficavam um pouco mais para trás.

Tudo acabou muito melhor do que começou, felizmente. Os nossos compatriotas perseveraram na sua determinação e fizeram precisamente o que se propuseram. De passagem, conseguiram oferecer a si próprios um pouco mais de visibilidade e obrigar a sociedade (pelo menos aquela que vive online) a posicionar-se.

Outra notícia excelente foi saber que, depois da publicação da peça que retratava as dificuldades enfrentadas no dia-a-dia, a nossa irmã Maninha arranjou um emprego de uma empresária benfeitora que resolveu metê-la à prova e ficou satisfeita.

A luta só ainda está a começar.

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