A arte impressionista da articulação de comissões

Posted: October 27, 2017 in Luanda

Por Angola a sanha burocrática, das “comissões” e dos “comitês” continua a fazer escola. Recentemente, para apurar as causas de uma “morte polêmica” no SU do Hospital da Kapalanka, foram nomeadas não uma, mas duas comissões de inquérito.

A primeira foi nomeada- e bem – pelo ministério da saúde. A seguir, achando talvez que a nova ministra da saúde seja um “peso pluma” verde para estas andanças da política mediática e do aplauso fácil, o governador provincial de Luanda achou necessário nomear outra comissão.

Segundo os relatos jornalísticos, esta segunda comissão não só reporta directamente ao governador mas também “articula” com a comissão previamente criada. O que significa exactamente, neste caso, a palavra “articular”, não sabemos.

Entretanto mesmo antes de concluído o tal inquérito, o governador não parece ter dúvidas: a administração do hospital foi suspensa.

Pergunto-me: o que achará a ministra da saúde sobre isso? Será que o governador a informou previamente? E deve ser o governador provincial a a tomar este tipo de medidas? Que conhecimentos tem ele da área da saúde? ? Terá quem o aconselhe? um departamento encarregado da ” saúde a nível provincial” ? Ou ao menos um ou dois conselheiros em matéria de saúde? E se os tem, não deviam eles estar mais preocupados com a saúde pública ( o saneamento básico, as lixeiras, as águas paradas, os mosquitos, enfim…os postos/centros de saúde) e deixar a saúde hospitalar a ser tutelada pelo Ministério da Saúde?

O governador, pelos vistos, acha que os hospitais estão sob sua alçada, já que estão na “sua” província. Então é bom estarmos atentos a sua coerência e ver se mantém cativo dessa responsabilidade . No futuro será lícito interroga-lo sobre todos os assuntos relacionados com o tema da saúde a nível da província de Luanda….

No meio disto tudo, o que é notável é que vi muita gente a aplaudir a rapidez com que estas medidas foram tomadas. Enfim, depois dos anos de autoritarismo amedrontante em que de facto reinava o “deixa andar” em matérias de políticas públicas,os novos governantes abriram as portas da nova era: a do populismo eufórico em que o que é preciso é esbracejar muito para fingir que se faz algo. Como dizia o personagem do “Leopardo”: é preciso mudar alguma coisa para que nada mude realmente.

Sachondel Joffre.

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