Dino Transportes maltrata funcionários

Posted: January 12, 2018 in Luanda
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Transportando um vagão de comboio (página de facebook Dino Transportes)

No decurso do mês de Dezembro de 2017, fomos contactados por (ex)funcionários da empresa Dino Transportes, sedeada no Lobito, para nos dar conta das condições laborais a que estão sujeitos às mãos dos proprietários da citada empresa. Compilámos a lista de tropelias e desmandos alegadamente perpetrados pelo senhor Bernardino e pelo seu filho Mauro Pereira:

    • A Dino transportes é uma empresa de direito angolano prestadora de serviços de camionagem e agropecuária, fundada no ano de 2000. Sedeada na zona alta do município do Lobito ao Morro do Baião, é propriedade do senhor Bernardino De Carvalho Matias Pereira, cidadão luso-angolano, e desde 2007 tem como Diretor-geral o seu segundo filho, Mauro Pereira, 31 anos.

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      Bernardino, pai e Mauro Pereira, filho, proprietários da Dino Transportes

    • Mauro é acusado por vários funcionários de práticas abusivas e, concomitantemente, ilegais, colocando-os em situação de terrorismo laboral que não seria hiperbólico apelidar de escravatura, uma vez que, segundo denúncias, os funcionários auferem de salários miseráveis, abaixo do salário mínimo estipulado para o sector onde trabalham, ainda assim amiúde atrasados (neste momento estão sem receber há 3 meses), nunca têm direito a férias ou ao subsídio a elas associado, nem décimo terceiro. Não têm cartão de segurança social, contratos e, quando pagos, não recebem uma folha de pagamentos que o comprove. De facto, a única coisa que têm, citando um funcionário “é a liberdade de escolha, escolha de permanecer na empresa ou sair dela sem ser indemnizado”.
    • Recentemente, um funcionário desta empresa foi despedido por ter reclamado seus direitos. Quem reclama é visto como agitador e má influência. O Tony foi despedido pelas mesmas razões acrescidas a acusações de trabalhos “ao lado” sem autorização do patrão, pelo que lhe foi indicado o caminho da rua sem direito a indemnização, tendo o Mauro inferido que por ganhar dinheiro por fora em horário laboral ficaria Tony a dever à empresa. Bartolomeu foi despedido por não ter aceite o pedido do Mauro de Viajar com o trailer sem os pins de segurança transportando um contentor cheio por causa do perigo que esta acção representa. Dany, foi despedido acusado de vender combustível da empresa, acusação para a qual não tinham provas.

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      Imagem retirada da página de facebook da Dino Transportes

    • O “tio Idú” está há 15 anos na empresa e aufere de um ordenado de 15.000 kzs. De recordar que, desde 2014, o salário mínimo está tabelado em 18.750 Kz para os sectores de “transportes, serviços e indústria transformadora”, 22.504,50 Kz para os sectores do “comércio e indústrias extractivas”, sendo apenas o sector da agricultura onde este salário não passa dos 15.003 Kz. No entanto, “tio Idú” não é o menos bem pago na empresa. A funcionária de limpeza recebe apenas 10.000 Kz mensais.
    • A alimentação, que já foi algo de garantido, tem oscilado bastante e nestes últimos tempos não têm sido distribuídas refeições por não haver comida no estaleiro. A água disponível no estaleiro também é imprópria, está cheia de vermes e outras bactérias, porquanto o tanque de água em momento algum beneficiou de lavagem, o patronato limita-se apenas em acrescentar água na já existente.
    • Os funcionários queixam-se também de falta de segurança: “não temos luvas, capacetes, botas, óculos protectores etc. Trabalhamos com as roupas de casa, e tem havido muitos acidentes na área da mecânica.”

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      Imagem retirada da páginda de facebook da Dino Transportes

    • No sábado, dia 16, chegando à empresa, Mauro mandou ao funcionário de nome Francisco (Chico) que subisse na carroçaria da carrinha afim de lhe acompanhar sem dizer para onde. Quando deu por ela o Chico estava a fazer mais um dos caprichos do Mauro. Era um trabalho extralaboral sem recompensa. Pois, o trabalho cingia-se em transportar restos da festa do aniversário do seu filho. Não pagou pelo serviço como disse, dando-lhe apenas 300 kzs para apanhar o táxi de regresso à empresa.
    • Os motoristas são os mais produtivos na empresa, mas os seus esforços não são de forma alguma compensados. Sempre que vão para o Porto do Lobito, ou para os armazéns Leonor Carrinhos carregar contentores, ficam por lá estacionados por vezes vários dias e não lhes é dado um subsídio de alimentação. Sempre que vão de viagem lhes são descontados quando demoram mais dias do que em teoria deveriam, a maior parte das vezes porque, devido às condições das estradas e dos próprios camiões, acabam por sofrer avarias em zonas inóspitas, carecendo de peças ou reparações que têm de vir da cidade mais próxima. Ainda assim, são impiedosamente descontados. Já houve casos em que os mesmos se viram forçados a passar 3 semanas no Kuando Kubango sem comida. O patronato dá apenas dinheiro de combustível e um fundo para corromper polícias.

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      Imagem retirada da páginda de facebook da Dino Transportes

    • Tanto Mauro, como o pai, Sr. Dino, são acusados de truculência verbal e física permanentemente. O senhor Dino dirige-se frequentemente aos funcionários como “negros”, recorda-lhes com prazer que é um favor que lhes faz a eles e ao Estado mantê-los ali pois, se decidir fechar a empresa, estes morrerão à fome. Em 2014, Mauro andou aos socos com um dos funcionários depois deste lhe ter exigido o pagamento dos ordenados de 3 meses que estavam em falta. O Mauro, que estava em sua casa discutindo ao telefone com o requerente, deu-se ao trabalho de ir até a empresa, de onde lhe ligava o funcionário e, sem rodeios, deu-lhe duas bofetadas. O funcionário reagiu em igual medida, espancando-o. Desautorizado e humilhado, este recorreu a uma caçadeira da empresa para disparar contra o funcionário agressor, mas foi competentemente desarmado por este, que fez de seguida uma participação aos SIC. Ouvidas as duas partes, o procurador decidiu mandar em liberdade o funcionário e prender o Mauro que acabou roncando por lá 3 dias.
    • Armas e tiros não são, no entanto, uma iniciativa inédita. Segundo o rol de denúncias que os empregados da empresa nos fizeram chegar, seu pai, senhor Dino, fez também recurso a um revólver para atirar contra Sr. Manuel, alegadamente pelo motivo absurdo deste ter aparecido na empresa com uma camisola da UNITA. A bala embateu num dos contentores. Depois desse episódio, Manuel não se apresentou ao serviço por dois dias. Ao aparecer no terceiro dia, Sr. Dino que por um triz não o matara, não mostrou nem uma ponta de arrependimento e voltou a fustigá-lo com termos pejorativos, perguntando se estaria a vir da Jamba e prometendo matá-lo um dia destes, pagando-lhe um caixão de 50.000 Kz, pois isso não lhe custaria nada.

Não podendo aferir a total veracidade destas alegações, tentámos, sem sucesso, obter o contraditório por parte da direcção da Dino Transportes e tornamos público este texto para que as autoridades competentes possam proceder às devidas averiguações e, caso se verifiquem, punir os prevaricadores. Antes de fazermos esta publicação, tentámos voltar a aceder às páginas de facebook da Dino Transportes e de Mauro Pereira, mas ambas haviam sido encerradas.

 

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