Archive for the ‘Cazenga’ Category

Estas são, para já, as únicas imagens que temos da manifestação ocorrida no dia 10 de Março. Infelizmente a filmagem parou cedo demais, ficam por mostrar os carros da polícia que, de passagem, fingiam não ver os nossos pedidos de socorro, metendo-se em fuga logo de seguida. Literalmente em fuga, acelarando as carrinhas como se estivessem a fugir de uma tentativa de assalto.

Ficam por mostrar as agressões à bastonada a jovens transeuntes, provavelmente sem a mínima ideia que deveria ocorrer uma manifestação naquele dia, naquele local. Muita coisa entregue ao subentendido do espetador, mas uma coisa é certa: está claro quem agride e quem é agredido, mesmo que isso não seja suficienta para aqueles que voluntariamente se cegam para não se verem à braços com a missão impossível de negar o óbvio!


Image

DESABAFO

Não sou de escrever neste estado de espírito,
Algo pretende sair dentro de mim,
Não sei o que é,
Ainda tenho em mim,
A imagem do suposto diálogo juvenil,
Corpos parecendo batuques,
Onde os CAENXES do bento kangamba,
Eram os percussionistas,
Com ferros e paus na mão,
Disposto a causarem danos,
Por ordens superiores,
Levou-se tanto, mas mesmo assim,
O pessoal continuo pacífico,
Depois de tanta porrada,
Do VICE-ADMINISTRADOR DO CAZENGA,
Que se fazia presente no local e até estava a negociar,
Para não partimos para a violência, mesmo depois de tantas detenções e ferimentos dos nossos manos,
O VICE pôs-se a falar comigo e o Tukayano,
Me lembro de ter ouvido alguém a gritar: “AGARREM-ME O MULATO” (ninguém sabe o que eles pretendiam com o Luaty), segundos depois mano Luaty já se encontrava no chão ensanguentado, fizemos logo uma cobertura, para o brada poder fugir, e corremos todos,

Houve um mano (já não me lembro quem) que ganhou coragem,
E pediu aos demais para montarem,
Uma corrente de força,
Por instantes, os bófias pararam de bater (afinal de contas eles também ficam com medo),
Segundos depois receberam a ordem,
Do prórpio VICE-ADMINISTRADOR,
Que no princípio pareceu-nos ser da paz (esta paz de rascunho, cheia de borrões), para dispararem, e foi assim que tudo começou,
Os disparos não paravam, parecia que estávamos em estado de GUERRA,
Mas será possível alguém fazer GUERRA com papeis na mão?
Cantando a dor e o sofrimento deste povo (POVO BURRO),
Que assistiu a violência protagonizada,
Coniventes sem no mínimo intervir,
A POLÍCIA ao lado a defender os CAENXES do bento kangamba,
Ainda no Cazenga na sequência da corrida,
O grupo todo ficou disperso, alguns caíram na estratégia dos CAENXES,
Outros tiveram a sorte de receber abrigo,
Em casa de Angolanos que se sentiram solidários a causa,
Eu, o mano MALEMBE, o kota Alexandre (jornalista da Voz da América, também levou) e o mano LUATY (ensanguentado com a cabeça toda fudida, quase que tínhamos que transportar o brada, de tanto enjoo “efeito da pancada levada na cabeça”) tivemos a sorte de ter conseguido abrigo (invadido) numa (uma) casa de TJ (Testemunhas da Jeová), que não nos entregaram mesmo não sabendo quem éramos,
No princípio os donos da casa, ficaram bwé assustados (o que é bem normal, para quem vê a sua casa invadida e um dos invasores a sangrar) e na rua os ASSASSINOS a gritarem agarra, são GATUNOS,
Naquele momento apesar da dor, apenas no ADÃO RAMOS,
O Luaty a perder os sentidos, mas não parava de repetir:
Harvey, o ADÃO… Nós deixamos o ADÃO
Liguem para o ADÃO,
Harvey, o ADÃO… Como é que está o ADÃO
Liguem para o ADÃO,
Naquele instante, até eu próprio esqueci-me,
Que tinha saldo no telefone (a aflição era tanta),
Tentávamos manter a calma,
Mas não era possível (até o SUPER HOMEM naquele situação ficaria assustado),
Uma cena bwé engraçada, que aconteceu: a casa tem um anexo (a família vive na casa grande e no anexo um dos filho), que no momento em que invadimos a residência, ele (o filho) se encontrava a dormir no seu anexo, ao ouvir o barulho feito pelo seu familiares, saiu a correr e ficou em frente a porta de casa impedindo a nossa entrada, na aflição entramos (eu e o Luaty) no anexo do brada (o filho, que saiu para proteger a famílias, mesmo sem saber se estávamos armados ou não) e tranquei deixando de fora o Malembe e o kota Alexandre… Quando o Malembe chamou por mim, abri e dei de frente com o kota Alexandre (e ele estava com um chapéu e óculos escuros), e dentro de mim eu pensei pronto agora estamos feitos,
Mas o Luaty reconheceu e disse que era jornalista e só assim eu deixei entrar e trancamos a porta,
Ficamos todos quietos, atentos a movimentação, 10 ou 15 minutos depois os donos da casa começaram a bater a porta: “PODE ABRIR… SOMOS NÓS, OS DONOS DA CASA. PODE ABRIR!!! SE NÃO ABRIR, VAMOS CHAMAR A POLÍCIA”,
Ficamos na dúvida e com bwé de desconfiança e as últimas palavras aumentaram ainda mais o nosso medo,
O kota Alexandre (que eu suspeitava ser um bófia), pediu que eu abrisse a porta, abri e só assim conseguimos explicar o que realmente se passava,
Marcou-me muito a hospitalidade e a preocupação deles a 4(quatro) indivíduos estranhos (que poderiam muito bem ser GATUNOS como gritavam na rua os CAENXES),
Fomos bem tratados com direito a comida e bebida (marcou-me muito a forma que a família sentiu a nossa aflição)
Fizeram o curativo ao Luaty, dei indicações a um dos putos para controlar a zona e recolher informações (sem dar bandeira), assim o fez,
O Malembe continuava bwé assustado, e nós (eu, o kota Alexandre e o Luaty) a fingir que não estávamos,
O kota Alexandre pediu a família, que agissem naturalmente para não chamar a atenção e assim o fizeram,
Gravou-se uma entrevista em directo para a RTP (por intermédio do kota Alexandre),
E entramos em contacto com os outros manos para saber da situação,
Minutos depois tivemos, informação que o ADÃO RAMOS, estava fixe,
E que o kota BONAVENA apareceu no local, para lhe socorrer,
Esperamos que a poeira baixasse, mas o BÓFIAS continuavam nas ruas e nos becos do Cazenga, os gajos usaram crianças para passarem informações,
Horas depois, no período da tarde, depois de vários contactos,
Conseguimos boleia (três carros) e saímos seguros da residência que carinhosamente nos acolheu,
O MEU MUITO OBRIGADO A ESTA FAMÍLIA, PELA HOSPITALIDADE E A PREOCUPAÇÃO, QUE POR MOTIVOS DE SEGURANÇA DA MESMA NÃO IREI MENCIONAR O APELIDO… ESTA FAMÍLIA FICARÁ PARA SEMPRE NO MEU CÉREBRO E TATUADA NO MEU CORAÇÃO,
Este sim (a família que nos acolheu), eu tenho mais do que um motivo para BAJULAR,
OBS.: Para vocês terem noção, do porque da minha admiração por esta família, as 19H e qualquer coisa, uma das integrantes da família que tinha ficado com o meu número ligou para saber do estado de saúde do LUATY,

CENÁRIO DA SAGRADA FAMÍLIA:
Horas depois de sairmos do Cazenga, tivemos informação que algum pessoal ferido encontrava-se no hospital AMÉRICO BOAVIDA,
Mas um bom número continuava a ser agredido, na zona do supermercado JUMBO, na VILA-ALICE, na SAGRADA, na PRAÇA DA INDEPENDÊNCIA, enfim, havia muita violência patrocinada pelo suposto EMPRESÁRIO DA JUVENTUDE (bento kangamba), que mais uma vez mostrou ao mundo a democracia do JES/MPLA,
O kota FILOMENO minutos antes de ser agredido por 4 (QUATRO CAENXES), ligou para a comandante BETY, a alertá-la do que se estava a passar,
Mas nada mudou,
Ninguém me tira da cabeça que a porrada do kota FILOMENO, não tenha sido indicada, porque os CAENXES recebia orientações por telefone, deixaram escapar tantos para seguirem o kota e espancá-lo numa cantina do MAMADOU,
Por que será?
Quem orientou, a violência? Quem?
Minutos depois a comandante BETY foi vista a passar no local… Há quem diga,
Que ela apenas foi confirmar se o trabalho estava a ser bem feito,
Indefesos continuamos pacíficos,
Lições extraídas em GANDHI, LUTHER e MANDELA,
Apanhando muita surra dos comandados dos novos HITLER,
Infelizmente Março Mulher ficou manchado,
Com a surra dada as senhoras que se fizeram presentes,
A estas ANGOLANAS (tia ERMELINDA, a ANA DIOGO, a ZITA, e a prima da ZITA e as demais senhores que não as conheço mas que estiveram) eu tiro o chapéu e faço a minha vénia,

ALGUMAS PERGUNTAS QUE FICAM NO AR:
Que futuro queremos para este PAÍS?
Quando é que teremos democracia?
Quando é que viveremos em liberdade (em todos os sentidos)?
Se ninguém pode pensar o contrário,
Cada vez mais estas e outras perguntas vão se tornando retóricas.

ASSINADO: Harvey Keitel Madiba[Louko por Opção]
10.03.2012 / 23h56min
—————————————————
Que estas palavras fiquem no registo da história angolana e nas memórias colectivas dos seus cidadãos.

Isto aconteceu em Luanda, capital de Angola, em plena luz do dia, aos 10 de Março de 2012, no bairro Cazenga.

Para José Eduardo dos Santos, Bento Kangamba, Ambrósio de Lemos, Sebastião Martins: conscientes subversores da constituição.

Neste vídeo, o Mário fecha a entrevista com mais pormenores do sucedido e garantindo que, agora mais do que nunca, a manifestação de dia 10 TEM MESMO QUE SAIR!!!

Esquecemos de mencionar no post anterior:

O Mário e o Kembamba dirigiram-se à 10ª esquadra para apresentar queixa do sequestro e tentativa de homicídio que sofreram. A PN RECUSOU registar a queixa alegando que “primeiro deverão ir ao hospital e depois então o hospital nos enviará um relatório!”. O país do pai banana!

Testemunhos assombrosos do Mário e do Kembamba, de nos deixar cegos de raiva pela atrocidade cometida e vergados de humildade perante tamanha coragem.

Mário Domingos e Kebamba, estavam a caminhar em direção ao tanque de água do Cazenga, local onde vai ser a concentração para a marcha de Sábado e onde se iriam encontrar com Zala, Cavera e Luaty que lá os aguardavam. O Mário e o Kebamba nunca chegaram ao seu destino pois foram raptados por kaenche que depois de lhes encherem de porrada, conjeturaram em voz alta mandá-los desta para melhor porque “estão a importunar o país”! Depois de 30 minutos à espera os manos Zala, Cavera e Luaty, estranhando a demora, mas sem conseguirem entrar em contacto com o Mário, retiraram-se do local onde dizem ter sentido um clima extremamente pesado, de vigilância mal dissimulada no local. Estariam os irmãos Mário e Kebamba a ser levados para um terreno baldio na Terra Vermelha, onde, relatam num vídeo que haveremos de postar nas próximas horas, se costumam levar criminosos para matar. Os visados alegam ainda ter testemunhado ao telefonema de um dos kaenches para o seu chefe, deixando deslizar o nome Bento e terem encontrado no ponto  “segundo homem do Kabuscorp”, senhor Raúl que tera ordenado: “matem esse indivíduo, com esse não vale a pena falar de dinheiro porque ele vai sair a denunciar!”

Seguem algumas imagens dos manos: