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O terceiro capítulo da nossa série foca-se na excelência da cosntrução chinesa que tem vindo a ser comprovada em edifícios que não conseguem abandonar a nossa memória colectiva, como o da DNIC em pleno centro de Luanda e o Hospital Geral de Luanda, que tiveram fatídicos finais sobre os quais ninguém foi publicamente responsabilizado.

Porque será que a “futura casa da democracia, um edifício imponente” não empregou empreitadas chinesas para o efeito? Têm receio que a cúpula luxuosa desabe sobre as cabeças ocas que irão ocupá-la?

Que nos mostrem um membro da extensa família de JES que esteja a viver em casa construída por chinês para que deixemos de cismar que existem angolanos de primeira e, logo a seguir, angolanos de 10ª categoria, quase sem gradação entre um e outro.

Disfrutem do terceiro capítulo:

KAtróCadaver
Sinto enorme prazer assistindo representações cénicas de pessoas ” altamente qualificadas” como meus amigos, Morgan Freeman, Denzel Washington, Lázaro Ramos, Adelino Caracol e outros Profissionais que tratam esta arte por “tu”, e conseguem excitar, fazer chorar ou roubar um sorriso do leigo ao mais profundo critico teatral, porém, o mesmo não se aplica quando esta arte é transportada para o Futebol através de simulações de faltas, ou na Política mascarando a falta de vontade com Reuniões, Encontros, Discursos ou Promessas cheias de rugas, desdentadas e nuvens de cabelos branco, pois, diferente do Teatro, na Política, o bom Actor não é aquele que representa bem, mas sim o que faz melhor, o bom Actor Político não é aquele que promete mais, mas sim aquele que cumpre com rigor e coerência os programas que estabelece e obedece à risca as Leis que implementa.
Se por qualquer eventualidade fosse convidado a estar presente, teria perguntado ao meu ” Chefinho” sobre as motivações que o galvanizam a arquitectar o nepotismo, trafico de influência e a crónica engenharia da corrupção golpeando diariamente a Constituição, a Lei da Probidade e outros diplomas que copiamos de Portugal sem ler…
Teria enorme prazer em saber porque a gestão da tela foi entregue como brinquedos aos filhotes sem concurso público? Porquê a ex Mboa chefiando a ANIP? Porque o Papoite Zenú, no fundo soberano? A Garina e a Nené no Parlamento? Os Negócios daqui e dali conflituando interesses do Estado? E finalmente, teria o questionado sobre a mágica fórmula que catapulta uma Zungueira de ” ovos” à  bilionária?!!!
Quem sabe assim teríamos todos Jovens de Cabinda a Cunene a genial estratégia de como escapar da pobreza e da miséria com ajuda da “Mana Belinha”.
A seguir teria lhe mostrado a página 28 da edição do Jornal de Angola do  dia 13  de Outubro de 2012, sobre a epígrafe ” Músicos que participaram na campanha eleitoral” do MPLA, e a respectiva lista para atribuição de casas na Centralidade do Kilamba,  onde segundo o Chefinho não houve ” Exclusão”…
Considerando o facto de ter 34 anos de Poder, teria gosto em saber, quantos anos mais precisava para nos deixar com água e luz antes de partir?
Quando é que o Arquitecto começa a formar os ” quadros altamente qualificados”? Quanto tempo o ” excelentíssimo” necessitava para deixarmos de ir ao Brasil, Namíbia e Londres fazer consultas?
Também gostaria de saber para quando as Maratonas e Discursos com Livros de oferta envés de Cucas, Pinchos e músicas do Nagrelha nas colunas?
Além de Kassule e Kamulingue, teria perguntando também sobre as investigações das mortes de Mfulupinga, Ricardo de Melo, Cherokee e outros…
Findo isto, solicitaria o seu bom senso em Negociar com camarada ” ordens superior” para conjuntamente permitirem a realização do meu Grande Show no dia 1 de Setembro.
Diaraby, o Cadáver Andante 

Por maior que seja a aberração, por mais anti-democráticos que sejam os comportamentos da nossa elite cleptocrática, por ordem direta ou anuência do cabecilha da vara, José Eduardo dos Santos, haverá sempre os leitõezinhos que se apressarão a procurar argumentos para defender o absurdo, o ridículo, o inaceitável. São os “especialistas” da distração que tendo sido privilegiados, com os estudos assegurados longe das nossas precárias escolas, têm perfeito domínio da língua oficial, andam lustrosos, brilhantes e perfumados enfarpelados com Versace ou Dolce & Gabanna, circulando em Evoque, Rolls-Royce ou Porsche, esfregando a sua exuberância, como se de um diploma de semi-deus se tratasse, na cara da plebe que fazem questão de humilhar lembrando-lhes sempre da sua inferioridade intelectual e tentando legitimar assim as suas opiniões e autoridade.

As imagens que vos apresentamos abaixo foram tiradas em pleno centro da cidade, no que foi outrora o Liceu Feminino e que é hoje o Nzinga Mbandi (afinal é Nzinga, Njinga ou Jinga? Mbandi ou Mbande? Decidam-se senhores!), de onde provavelmente terão saído muitos dos alunos que se juntaram na passada segunda-feira, dia 27 de Maio, à vigília inusitadamente transformada em manifestação.

Ali mesmo ao lado está uma esquadra móvel, impávida perante esta gritante ilegalidade tornada normal ao fim de tantos anos de ombros encolhidos e olhares desviados transformados no conformismo doentio do “aqui é assim!”.

Acreditem que os leitõezinhos arranjarão meio de desdramatizar isto, enquanto o resto vai levantar os ombros tentando o melhor que podem esconder a cabeça, com receio de ser reparado ousando pensar fora da caixa. Mas quando começarem a grunhir, perguntem-lhes isto: se outra “juventude” também se organizasse e começasse a pendurar banners com a cara do Savimbi, Holden Roberto, Samakuva, Kuangana, Justino Pinto de Andrade, nos muros das escolas pelo país a fora com mensagens semelhantes, qual seria a reação dos leitõezinhos?

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Hoje, dia 22 de Maio pelas 11h00 da manhã, demos entrada na Assembleia Nacional de uma denúncia ao PR por abuso de poder e violação da Constituição da República. Enquanto Chefe do Executivo é sobre si que recai a responsabilidade máxima de respeitar e fazer respeitar a Constituição, logo, é a si que se devem imputar os comportamentos inconstitucionais reiterados por parte dos seus subordinados hierárquicos.

Alguns desses subordinados foram igualmente visados por nós em queixas-crime distintas que foram entregues, também esta manhã, à PGR. A lista dos “queixados” é a seguinte:

1 – Comandante Manuel Tito da Divisão de Viana – Polícia Nacional

2 – Comandante Francisco Notícia da Divisão do Sambizanga – Polícia Nacional

3 – Amaro Neto – Director Provincial de Investigação Criminal

4 – Comandante-Geral Ambrósio de Lemos – Polícia Nacional

5 – Bento Francisco Bento – Governador da Província de Luanda

6 – Ângelo Veiga Tavares – Ministro do Interior

O conteúdo das cartas pode ser lido na íntegra nas imagens publicadas abaixo.

A denúncia contra o PR foi entregue à Assembleia Nacional pois a PGR já alegou por diversas vezes “incompetência”, apontando para a AN como o órgão indicado para ordenar a instauração de investigação ao maioral da República. De lembrar que o crime de violação da Constituição está nesta última tipificado como uma das violações que podem levar a destituição do Presidente da República (artº 129).

Cumprimos com o nosso dever de cidadãos, usando da CRA e das leis ordinárias que regulam a nossa vida em sociedade para denunciar crimes de Estado perpetrados por pessoas perfeitamente identificadas que parecem gozar de imunidades ocultas e extra-constitucionais para abusar dos direitos de comuns e indefesos cidadãos deste país.

Temos consciência que os amigos se protegerão e que estas queixas não serão levadas à sério, para já. Mas também temos a certeza absoluta que estes mesmos documentos servirão, numa Angola livre das garras dos seus predadores actuais, para incriminá-los judicialmente por inacção face à denúncias graves. Acabarão todos na desgraça se, do alto das suas cadeiras de decisores se coibirem de aplicar as leis da República apenas e só quando estas os lesem. Lembrem-se que até aos dias de hoje os responsáveis pela carnificina Nazi estão a ser encontrados, julgados e condenados pois há certos crimes que não prescrevem.

Vamos ser patriotas e começar a fazer uso da lei de forma uniforme, imparcial e sem privilégios para quem quer que seja.

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A esta carta foram feitos os seguintes anexos: Prova de entrega e recepção da carta comunicando a manifestação ao GPL e Lei 16/91 com sublinhados dos artigos aos quais fazemos alusão.

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Retirámos este comentário desta notícia no club-k, cujo título é: “Ameaças de abrandamento da China e de sucessão política pairam sobre economia angolana”. Trata-se de um “feliz contemplado” com uma casa no Kilamba que cumpriu a preceito com a sua parte do acordo, apenas para ver a SONIP seguir impune sem cumprir a sua. Segue na íntegra:

A DURA REALIDADE, o sonho da casa própria leva-me a sacrifícios, porque ansiedade mata nossos corações. No acto de inscrição as quatro lojas do KILAMBA com identificação externa de DELTA. Opção de escolha e por gostar da cor verde, passei dia 31 de Janeiro até dia 5 de Fevereiro em noites claras para conseguir o primeiro lugar da enorme fila de mais de trezentas pessoas. Graças a DEUS entrei nas primeiras DOZE PESSOAS SELECIONADAS NA FILA. Como homem e bem educado, já no interior da loja dei prioridade as mulheres, sendo a SÉTIMA pessoa registada. Segundo o funcionário ou promotor tinha CINCO dias para depositar o valor, e esperar DUAS semanas para receber as CHAVES. Por volta das ONZE HORAS DO DIA 5 DE FEVEREIRO fiz entrega como a primeira pessoa ou cliente o justificativo do Banco BAI. Passaram TRINTA E QUATRO DIAS e a SONIP não presta qualquer esclarecimento, apenas devem aguardar SMS da SONIP no telemóvel. CORRUPTOS”

Assinado: PAI GRANDE

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Gostaria de perceber o que leva um governo, que se diz representante do povo, a agir desta maneira contra ele.

Gostaria de perceber o que leva um governo a enviar centenas de homens armados até aos dentes, militares, policias de segurança e de intervenção rápida e sete helicópetros para destruir os humildes casebres de cidadãos à beira da subsistência. O que os leva a irromper pelo bairro adentro no meio da madrugada e sem aviso prévio. Imagino o medo, o susto, a dor, o terror. O choro das mamãs à procura dos seus filhos. O horror da mamãs que perderam os filhos que cairam numa vala enquanto fugiam do terror.

Gostaria de perceber o que leva um governo a reabrir as cicatrizes de guerra a um povo que já não vive, mas sim sobrevive.

Gostaria mesmo de perceber como é que um governo é capaz de voltar ao local deste acto de terrorismo de Estado e prender as mesmas pessoas que acabaram de desalojar, submetendo-as a julgamentos sumários e aplicando-lhes multas exorbitantes. É desumano.

Gostaria de ser capaz de entender a chocante indiferença da administração local.

Gostaria de compreender o que leva o mesmo governo a instalar no local uma aparatosa presença militar e depois vergonhosamente impedir que deputados da Assembleia Nacional, eleitos por este mesmo povo, tenham contacto e ofereçam assistência aos seus próprios eleitores, concidadãos, irmãos. Alguns dos deputados chegaram mesmo a ser agredidos. Isto para depois manipular os factos na imprensa pública em mais uma demonstração triste da sua incapacidade de lidar com a verdade.

Aonde está a lógica nestes actos? Gostaria de entender para que servem as leis e a Constituição da República, aquela que nos declara como sendo um estado democrático de direito.

Para que servem as centenas de milhões de dólares gastos em lobbyings no exterior e nas empresas de telecomunicações e marketing dos filhos do presidente – milhões que saem directamente do Orçamento Geral do Estado – para limpar a já gasta imagem do país, quando logo a seguir acontecem actos destes?

Para que servem os poemas de Agostinho Neto e a frase imortal “O mais importante é resolver os problemas do povo”?

Gostaria de perceber como se resolvem os problemas do povo desalojando-o forçosamente e sem aviso prévio para depois se construirem condomínios de luxo no local, como avançam algumas fontes.

Anteontem morreu Hugo Chávez, Presidente da Venezuela. Não morria de amores por algumas das suas políticas nem pelas suas aversões a certas liberdades, mas quem me dera que o meu Presidente tivesse um pingo do compromisso social que o falecido presidente venezuelano tinha para com o seu povo – principalmente para com os mais desfavorecidos.

Foto: ‘Desalojados em Cacuaco‘, por Maka Angola

Mais uma vez, a nossa imberbe e virgem democracia foi vilipendiada.

Eis a situação:

Uma delegação da UNITA, liderada por Isaías Samakuva, que visitava as populações desalojadas em Cacuaco, nos bairros de Maiombe e Baixa de Cassanje, foi impedida de realizar a sua jornada de solidariedade pela Polícia Nacional, que até levantou helicópteros para este desiderato. Mas desde quando é que para se fazer um donativo deve-se informar a Polícia? É uma regra constitucional? Tanto quanto sabemos não.

Este episódio é uma evidência de que as ordens superiores superam os pressupostos constitucionais. Nada estranho, tendo em conta a lógica da guerra que ainda paira na cabeça do Presidente do MPLA, por isso é que eles confundem manifestação pacífica com guerra. O MPLA e o seu líder até hoje não sabem das vantagens da lógica da democracia.

Com mais este abuso de poder, perguntamo-nos: Somos mesmo um Estado democrático de direito?

Categoricamente, pensamos que não.

Claro que para o senhor Norberto Garcia, um dos mais fanáticos militantes do MPLA, Angola tem uma democracia exemplar e imaculada. Não admira que ele se preste a fazer o papel de defensor da ditadura, advogado do diabo.  Esperamos sinceramente que isto não dê cabo da sua saúde mental.

Este militante do MPLA tem demonstrado uma enorme falta de coerência nos seus pronunciamentos. Factos: há dias num debate na Rádio Eclésia, NG afirmou que em Angola, há localidades com mais escolas do que alunos. É para levar a sério quem diz tamanha barbaridade? No sábado passado, ele, diante das câmaras e microfones da TPA, acusou Isaías Samakuva de incitar os populares à violência. Ora bem, este tipo de propaganda politica não ajuda o processo de reconciliação nacional nem o progresso da corrente democrática que se quer instalar no país.

 

Mais triste ainda, é o facto de que Norberto Garcia, que até parece ser um jovem promissor, está a ser usado e manipulado pela ala corrupta do MPLA, liderada pelo Zé dos dólares. Não sabemos quanto lhe pagam para travar o avanço do comboio da democracia, porém, sabemos que se ele não se cuidar o comboio vai atropelá-lo. Ele rema contra a maré. Ele está a usar a inteligência para proteger saqueadores do erário público. Portanto, os únicos frutos dessa sua aventura politica serão: doutoramento em DEMAGOGIA e alguns Kwanzas no cafocolo.

Repetimos: Esperamos sinceramente que isto não dê cabo da sua saúde mental.

No dia 12 de Março de 2012, a TPA, depois de se fazer totalmente omissa em relação as graves violações dos direitos humanos ocorridas aquando da manifestação do dia 10 de Março de 2012 que pedia a saída da advogada Suzana Inglês do posto de Presidente do CNE, pôs no ar esta vergonhosa simulação de telefonema, efetuado supostamente por um dos milicianos e no qual reivindincam a autoria dos crimes cometidos no decurso da manifestação.
Esse “telefonema” teve tratamento de luxo, passando nos principais blocos noticiosos existentes naquele órgão “público”.
Eis o vídeo (já editado por nós):

Um grupo de ONG’s angolanas e ilustres cidadãos, endereçou uma carta ao Kitumba, com cópia à PGR, TC e Provedoria de Justiça, denunciando a violência aplicada à pacatos cidadãos em pleno exercício de liberdades constitucionalmente consagradas e o uso abusivo de um órgão de imprensa sustentado com fundos de todos nós. Essa carta foi publicada por nós e pode ser consultada aqui.

Por se tratar de uma aberração propagandistica mal travestida de informação, resolvemos ativar os nossos direitos cidadãos e, ao abrigo da lei da imprensa, exigir o direito de resposta que nos assistia.
Como poderão constatar nas imagens abaixo a carta foi entregue na portaria da TPA, com a respetiva acusação de receção.

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O facto de o vídeo não ter sido exibido ou, sequer, a carta respondida, revela a sensação de impunidade que anima os nossos servidores públicos, com alguma razão porquanto continuam literalmente a borrifar-se para as leis que supostamente deveriam reger a nossa vida em sociedade, pisoteando-as a seu bel prazer, sem que jamais sejam repreendidos.

O Ministro Chikoti disse uma vez, ao ser entrevistado no programa Hardtalk da BBC, que Angola é um país que se caracteriza pelas suas instituições fortes. Até hoje nos questionamos o que estaria ele a tentar dizer com isso?

O vídeo que se segue, corresponde ao direito de resposta nunca concedido pela TPA e esteve arquivado nos computadores da Central… até hoje!

Fundos e Mundos

Posted: December 19, 2012 in Angola, Argumentos, Corrupção, Notícias, Opinião

O kota Rafael Marques, “sniper anti-regime” como lhe apelidou o Novo Jornal, voltou a atirar. Desta vez o alvo foi o Fundo Soberano de Angola (FSDEA). No seu artigo, o autor destapa as diversas irregularidades presentes no fundo, a identidade dos seus verdadeiros gerentes, bem como faz perguntas ‘inconvenientes’. Algumas trechos:

Apesar das circunstâncias, Armando Manuel sublinhou que, até à presente data, o fundo não fez quaisquer aquisições ou investimentos. Passou, então, de forma confiante, a enunciar os planos do fundo para investir no sector hoteleiro em Angola, bem como na abertura de um hotel-escola para atrair estudantes de toda a África.

É difícil imaginar como a construção de hotéis servirá para responder às necessidades crónicas de Angola, quanto ao seu desenvolvimento. Também é caricato entender porquê e/ou como potenciais estudantes africanos de hotelaria e turismo gostariam de estudar na mais cara capital do continente africano, onde se fala inglês de forma ínfima.

Dois meses após o seu lançamento, em Dezembro, o FSDEA continua sem um quadro legal que sustente a sua existência e não tem qualquer política de investimento. Na realidade, o FSDEA começa a revelar-se como sendo apenas pouco mais do que um logo/uma marca bastante caro.

No início de 2012, vários artigos na imprensa privada e na mídia social revelavam que o filho do presidente, o Zenú, havia sido nomeado pelo pai para o conselho de administração do fundo. O África Monitor chegou a afirmar que a nomeação de Armando Manuel para presidente do fundo era apenas um engodo. Demasiado ocupado com as suas funções de assessor presidencial e, por deferência ao chefe, Armando Manuel delegaria sempre a presidência no filho do seu chefe.

Muitas pessoas manifestaram-se incrédulas. “Não era possível, certamente, Dos Santos teria mais juízo,” algumas vozes sussurravam. “Poderia apenas ser um rumor…” Mas, era verdade.

Então, em Agosto deste ano, a imprensa britânica reportou que “o Fundo Soberano Angolano” comprou uma propriedade imobiliária, numa das zonas mais caras de Londres, por US$ 350 milhões.

Os mais atentos coçaram as cabeças: Como era possível, a um fundo soberano que não existia, comprar propriedade em Londres?

Ademais, porquê o negócio tinha de ser feito por via de um intermediário, a firma de investimentos suíça Quantum Global?

As investigações sobre o assunto revelam a teia de poder, os tentáculos e conflitos de interesse. Uma das figuras centrais do Quantum Global é o empresário suíço/angolano, Jean Claude Bastos de Morais, amigo pessoal e mentor de Zenú. Ambos criaram e partilham, como sócios principais, o primeiro banco de investimentos em Angola, o Banco Kwanza Invest.

Por via de uma investigação mais pormenorizada, ficou claro que o cidadão suíço Marcel Kruse, um parceiro de negócios, de longa data, de Bastos de Morais, é o presidente do Conselho de Administração do Banco Kwanza, que até 2010 se chamava Banco Quantum. Contrariamente aos outros bancos que estão obrigados a revelar anualmente os seus relatórios e contas, o Banco Kwanza está isento, pelo menos para o público, de cumprir com este requerimento legal de transparência e boa gestão.

Maka Angola – assim como muitos angolanos – continua a interrogar-se como US $5 bilhões de dólares de fundos públicos angolanos acabaram sob gestão de um simples logotipo, cujos cordelinhos são movimentados a partir da Suíça pelos amigos do filho do Presidente? Alguns desses amigos foram recentemente condenados por gestão criminosa.

Pode ler o artigo na sua totalidade no site do Maka Angola, aqui. Also available in English.

Para além do FSDEA, outro fundo foi recentemente lançado em Angola, também por decreto presidencial e também sem passar pela Assembleia Nacional. Chama-se Fundo Activo de Capital de Risco Angoalno (FACRA) . O decreto presidencial foi despachado no dia 7 de Junho, e no dia 8 de Agosto foi declarado operacional pelo Ministro da Economia, Abraão Gourgel. Depois de um período sustentado de notícias acerca deste fundo na imprensa financeira de Angola, nunca mais se falou no FACRA. Pelo que se sabe, o fundo ainda não investiu em qualquer empresa.

Curiosamente, a gestão deste fundo também passou para o Banco Kwanza Invest, fundado pelo filho primogénito de José Eduardo dos Santos, Zenú dos Santos, e o seu amigo Jean-Claude Bastos de Morais.

O Banco Kwanza Invest, antes conhecido como Banco Quantum, também tem laços com o Quantum Global, que, segundo várias publicações, gere cerca de $3 bilhões dos activos líquidos do FSDEA.

É curioso que os dois maiores fundos de capitais angolanos ou são geridos pelo Banco Kwanza ou por gente a ele ligado. Neste momento a maioria dos activos do FSDEA são últimamente geridos pela Quantum Global, enquanto que o FACRA é gerido pelo Banco Kwanza.

Não houve concurso público para estas escolhas, nem temos a certeza dos critérios usados para a seleção destas entidades. Notamos porém a sua íntima ligação com a Presidência da República e a sua família.

Não há nada de errado na criação destes fundos. Aplaudimos a criação de fundos de capitais de risco para fortalecerem a nossa emergente economia, e nada melhor que um fundo que (realmente) apoie as micro, pequenas e médias empresas. Principalmente se tais investimentos forem feitos de forma transparente, aberta, e eficaz, sem clientelismo. Um fundo soberano que apoie realmente a nossa infra-estrutura eléctrica e hídrica também é uma excelente iniciativa.

O que é difícil de perceber é a falta de estrutura legal para estes fundos, falta de conhecimento de como foram escolhidas as entidades que os gerem, ou mesmo como estes fundos foram lançados sem uma estrutura legal pre-definida. É díficil de perceber como, porqué, e com base em que critérios, concretamente, foram escolhidas as entidades financeiras que gerem literalmente bilhões de dólares de dinheiro público angolano. Quais os termos dos seus contractos?

As direcções destes fundos prometeram ao povo angolano a sua total transparência. Ficaremos então, daqui em diante, bastante atentoao seu desempho fiscal, ético, e justo. Com os olhos bem abertos. Seremos nós, a juventude, os principais beneficiários destes fundos.

-Cláudio C. Silva

“Tudo É Deles!”

Posted: December 11, 2012 in Central in English, Corrupção, Humor

Much has been written and much has been said about corruption in Angola. Spend one day in Luanda and you will see for yourself how obviously rich some of us Angolans are. One day in Lisbon and Cascais and you will see the same. The wealth of the richest Angolans has never been officially quantified, but rest assured that people such as Isabel dos Santos, Manuel Vicente, Kopelipa, Dino do Nascimento (General Dino), and others – those names that keep  popping up whenever Angolan wealth, companies or corruption cases in Portugal are mentioned, have very wealthy portfolios. But how does this actually translate to the average Angolan’s life on the ground? How is corruption felt? How does the average Angolan consumer, or even foreign nationals living in or visiting Angola, line the pockets of the country’s “elite”? Let’s look at just how prevalent is the ruling elite’s financial influence in your day-to-day activities in Luanda. Let’s pretend you’re an expat/business traveler – this is from your perspective.

Say you’ve just landed in Luanda, made your way through our state-of-the-art airport (just kidding about the airport), waited an hour or so for your luggage and paid your driver to safely navigate your way through Luanda’s beautiful, fast-flowing streets (just kidding about the streets). Destination: your hotel. If your hotel is the HCTA in Talatona, Manuel Vicente will gladly say thank you, as him and a few of his friends illegally hold financial interests there. If not, well then, welcome to Luanda.

Meanwhile, you need to get a phone. Ideally even two phones. There are only two phone operators in Angola – UNITEL and MOVICEL. Either one you choose, you’ll be lining the pockets of our favorite corrupt Angolans. Movicel, which used to be a State company, was bought by a consortium of private companies with no known commercial activities. Their shareholders are either directly  employed by the Presidency or have direct links to it. The three most prominent shareholders are Manuel Vicente, Kopelipa and General Dino.

Nevermind, you say. You want to use Unitel instead – their adverts are funnier. Well, you’re in luck: you’re now lining the pockets of Isabel dos Santos, one of the main shareholders of Unitel, and the company GENI, owned by prominent MPLA stalwarts. You pay for your phone with your new Banco BIC Multicaixa card, and suddenly remember who one of the main shareholders at Banco BIC is: The lovely Isabel dos Santos.

All this shareholding talk is making you hungry. You’ve heard a lot about some great restaurants in the city. One of them is Oon.Dah, regarded by many as the best in Luanda. You decide to check it out and have your meal there. Congratulations – you’ve just lined the pockets of Isabel dos Santos, Oon.dah’s owner. For dinner, you decide you want a change from the delicious Asian fusion cuisine at Oon.Dah and are in the mood for some fine Brazilian steak – a rodízio, perhaps. So you call your business mates (on your Movicel/Unitel phone– Manuel Vicente, Isabel, and their friends say “cha-ching!”) and make your way to Esplanada Grill on the Ilha. Owned by…Isabel dos Santos!

You’re getting a bit tired of the traffic and don’t want to go back to the “city” just yet. “Let’s stay at the Ilha!”, you say. “Where can one hear live music?” It being a Thursday, your Angolan business mates will tell you about a great spot on the Ilha called Miami Beach. Nice breeze, great caipirinhas, and live music. When you leave there, having paid your bill, you’ll have added some more of your Kwanzas to Isabel dos Santos’ bottom line – it’s her restaurant.

“To hell with this,” you exclaim. “If I cook my own meal I bet I can have lunch without lining the pockets of the Angolan elite”, you reason, remembering that one of your friends was lucky enough to get an apartment in Kilamba. You call your Angolan mates (on your Unitel/Movicel) and ask them about a good place to do groceries near you. “Kero Supermarket”, they say. And there’s one in Kilamba! Happily having completed your purchases for your first home-cooked meal in Angola, you head over to your friend’s apartment, where you ask, “By the way, who owns Kero? It’s great in there!” “Well,”, he responds “Manuel Vicente, Kopelipa and General Dino are ultimately the main shareholders! They also own Delta Imobiliária, the only company allowed to sell Kilamba apartments and the one that got me mine!” You continue your meal in silence, stunned.

A few hours after dinner you’re watching some program about kuduro on state channel TPA 2, owned and managed by two of the President’s kids. There are two state-owned channels – TPA1 and 2; the only private Angolan channel is TV Zimbo, which you are not too surprised to know is owned by a group called Media Nova in which Kopelipa, Manuel Vicente and General Dino have significant interests. By now you’ve stopped caring. Your Unitel/Movicel phone is ringing and your Angolan friends want to take you to a night out on the town, to precisely the hottest club in Luanda. Destination: Kasta Lounge. Owner: Coreon Dú, the President’s son.

You end your day in bed, thinking “how is this even possible.” Your head is pounding. As is customary, you like to doze off to the sound of the television, and thankfully your hotel room is equipped with ZAP Cable. You land on some boring documentary that is perfect to fall asleep to.

It’s only then that you remember: Isabel dos Santos is a major shareholder at ZON Multimedia, parent company of ZAP.

Welcome to Angola.

*The title comes from a famous MCK lyric on the song ‘O País do Pai Banana’:

Também quero a paz no prato, dignidade e paz no prato./  Prefiro morrer a tiro do que morrer a fome, irmãos./ A disparidade é enorme, vivemos presos nesta armadilha, condenados a sermos escravos de três famílias./ Tudo é deles, do Talatona à Ilha, os diamantes são deles, o petróleo é deles, a imobilária é deles/ (…) para nós só temos o Zango e o Panguila./ O patrão é o colono, na terra do pai banana”.

In English:

“I also want peace on my plate, dignity and peace on my plate./ They rather shoot me than starve me, brothers./ The disparity is enormous, we are caught in this trap condemned to be slaves of three families./ Everything is theirs, from Talatona to the Ilha, the diamonds are theirs, the oil is theirs, the real estate is theirs/ (…) we only have Zango and Panguila./ The boss is the colonizer, in the Banana Republic”.