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As instâncias judiciais de Angola confirmam o assassinato dos activistas cívicos Alves Kamulingue e Isaías Cassule, desaparecidos desde o dia 27 de Maio de 2012, por agentes da polícia política do hediondo regime de Zé Kitumba dos Santos, os famigerados Serviços de Inteligência e Segurança de Estado (SINSE). Não há dúvidas sobre quem cometeu o crime, pelas imagens fotográficas de elementos do SINSE, a desfazerem-se dos cadáveres – fotos essas que serviram para provarem aos chefes que os os dois cidadãos estavam mortos e vinte palmos abaixo da terra – conforme as ordens que receberam.

Depois de uma continuada pressão sobre o governo do maquiavélico Eduardo dos Santos para que explicasse o desaparecimento dos dois activistas cívicos – o que nunca aconteceu -, e no seguimento do anúncio dos partidos da oposição em bloco de colocarem o regime nas mais altas instâncias penais internacionais, vem agora a PGR apressadamente e com vista a evitar que tal acontecesse, confirmar que Cassule e Kamulingue foram assassinados, facto que há muito se temia.

O deputado Raul Danda, já em Maio de 2013 disse que as autoridades já se tinham elas próprias contradito: “Primeiro a polícia diz que sabiam onde eles estavam, presumivelmente detidos, mas depois vieram a público dizer que não sabiam nada deles. Estas responsabilidades estão do lado do executivo e da polícia que têm que dizer onde estão as pessoas porque não podemos viver como se estivéssemos na selva, onde acontece tudo às pessoas e ninguém é responsabilizado. Isto não pode continuar”.

Por outro lado e na mesma altura, o presidente do Bloco Democrático, Dr. Justino Pinto de Andrade afirmava ter fé de que alguém seria responsabilizado pelo desaparecimento dos dois concidadãos: “Nós e outras forças partidárias iremos apresentar este assunto em instâncias internacionais, para que seja feita justiça na devida altura. Alguém há-de pagar por estes crimes”.

Num país onde o poder é pessoal e da responsabilidade presidencial, não há dúvidas de que o ditador Zé Kitumba dos Santos tem de ser levado ao Tribunal Penal Internacional, por estes e outros crimes brutais de pacíficos cidadãos, que assumiram como sua missão o esclarecimento político e consciencialização do povo, vítima da selvagem repressão do regime quando protestam sobre as suas miseráveis condições de vida.

Nunca os órgãos de comunicação social controlados pelo regime, tiveram a mais pequena palavra sobre o desaparecimento dos dois activistas. Alves Kamulingue, de 30 anos, foi raptado a 27 de Maio de 2012, na baixa de Luanda, quando se dirigia a uma manifestação de antigos combatentes que reclamavam o pagamento de pensões em atraso. Dois dias depois, Isaías Cassule, também foi raptado, ao anoitecer, no Cazenga, sua área residencial. O silêncio desses órgãos de propaganda governamental, foi obviamente imposto pelo regime, que amordaça a opinião pública.

Conseguiu-se resgatar das garras dos energúmenos agentes ao serviço do feroz regime, o adolescente e activista Nito Alves, que escapou felizmente ao mesmo fim depois de 50 dias na cadeia. Mas lamentavelmente, Cassule e Kamulingue não tiveram a mesma sorte. A pide angolana, os serviços secretos de Angola, SINSE, tem como missão abafar o descontentamento popular, restringindo a movimentação e prendendo ilegalmente os activistas, chegando ao ponto de os assassinar.

Este comportamento selvagem do regime, indica claramente desespero que deriva da pressão que tem sido alvo nos bastidores diplomáticos, para que mude de rumo imediatamente. Não foi por acaso que o ministro das Relações Exteriores (Negócios Estrangeiros), Jorge Chicote, quando discursava na cimeira África, tenha defendido a saída de África (incluindo Angola) do Tribunal Penal Internacional.

Caso se concretize o anseio do MPLA de José Eduardo dos Santos em persuadir os demais presidentes Africanos para assinarem a carta de petição para abandonarem o Tribunal Penal Internacional (TPI), consuma-se o golpe e confirma-se deste modo a inclinação do regime para se tornar um Estado pária e sem lei. Assim, nenhum gangster da elite angolana protegida pelo presidente será condenado por prática de corrupção pelo TPI, tendo em conta que só o MPLA nega oficialmente que em Angola exista corrupção institucionalizada que, como se sabe, atinge níveis colossais e inimagináveis.

Sobre esta intenção, o Nobel da Paz sul-africano Desmond Tutu considerou que “os dirigentes africanos que defendem a retirada do Tribunal Penal Internacional (TPI), procuram na realidade “uma autorização para matar, mutilar e oprimir” com total impunidade enquanto apresentam discursos relacionados com a descriminação racial ou efeitos do colonialismo. África sofre as consequências dos actos de dirigentes irresponsáveis há demasiado tempo para se poder deixar enganar desta maneira”.

Mas Zé Kitumba dos Santos e seus acólitos, tarde ou cedo não escaparão à justiça. O cerco aperta-se e chegará o dia que nem de Angola poderão sair, como acontece já com o gangster e familiar do presidente, general Bento Kangamba.

Cassule e Kamulingue: SEMPRE PRESENTES !

Por Telmo Vaz Pereira

Já não é novidade o nº de um jornal ser tirado de circulação ou a nela nem sequer entrar, num país com donos apelidados de “ordens superiores”, com pavor da liberdade de pensamento ao ponto de inventar empresas fantasmas para comprar toda a imprensa escrita tornando-a dependente dos caprichos do poder político.

Há exatamente um ano e justamente após a lamentável abordagem sobre o Estado da Nação (que não fez) protagonizada por aquele que, não contente com a sua eleição fraudulenta, pretende elevar-se ao estatuto de semi-deus colocando-se acima da Lei Magna que promulgou, permitindo-se a todo o tipo de tropelias, ciente de que passará incólume pelas trovoadas ruidosas mas inofensivas, se retirou das ruas um jornal. Este ano, voltou a protagonizar uma façanha faltando com a constitucionalmente exigida prestação de contas do OGE e voltou a impedir-se que outro jornal sentisse o cheiro do papel.

Há um ano foi o Semanário Angolense que trazia Samakuva na capa com a integra do seu discurso alternativo ao Estado da Nação, este ano é o nº 302 do Novo Jornal que estampa na primeira página em letras garrafais o título “Contas do Estado INCOMPLETAS”. Isto terá valido a censura que muitos continuam a fingir não existir quando apontam a imprensa privada como “prova da liberdade de imprensa em Angola”.

Novo Jornal 302 - CAPA

Felizmente existe a versão PDF do jornal que aqui partilhamos convosco, convidando-vos a testemunhar, mais uma vez, a infantilidade deste regime putrefacto que nos extermina.

Faça o download do NJ nº302:  Primeiro Caderno; Economia; Mutamba

Foi elaborada uma carta para informar o GPL da possibilidade de começarmos a sair espontaneamente às ruas até que se liberte ou se regule a situação do menor Nito Alves, preso sem julgamento na Comarca Central de Luanda, sem que um desfecho se perfile no horizonte, situação que consideramos absurda e aberrante.

Mbanza Hamza deslocou-se pessoalmente ao GPL e, antecipando que lhe fossem dificultar a vida, decidiu guardar um registo como prova das esquindivas serpenteantes do GPL para receber uma simples carta.

A burrocracia é simplesmente demais e depois de 45 minutos de sobe e desce, o mano acabou mesmo por vir sem conseguir fazer a entrega do documento porque as SECRETÁRIAS recusaram-se a aceitar recebê-la.

A carta exprimia preocupaçção acerca do caso Nito Alves e deixava o alerta que a qualquer momento os ativistas poderiam sair às ruas a qualquer instante em protesto com a aberração jurídica que se tem verificado no caso do menor.

Sendo certo que, e por razões óbvias, a manifestação espontânea não carece de aviso, fez-se questão de, por cortesia, advertir ao Bento Bento que a manifestação nas ruas será uma das maneiras de intervirmos em defesa do nosso irmão, amigo, companheiro de luta, caçula, Nito Alves.

Não aceitaram, consideramos entregue!

Escutem como rodopiaram o Mbanza:

Relato #1, por Hitler Samussuku

BI Hitler

Quando achámos que havia escassa polícia  no largo 1º de maio, estávamos todos iludidos. Mais uma vez o sistema usou uma estratégia maquiavélica para embaçar os manifestantes.

Às 13h00 horas marcadas para o dar início a mais uma manifestação, o largo estava todo mudo, não se sentia nem ouvia aquela opressão (polícias da ordem pública, brigada canina, brigada anti-crime e anti-motim que sempre se fazem presentes de forma ostensiva em manifestações), apenas havia uma viatura denfronte a estátua, no seu lugar habitual (*), as outras estavam escondidas: havia uma viatura defronte ao IMEL (1), uma no Chamavo (2), outra no beco do Nzinga(3) e mais uma na entrada do Cine Atlântico (4).

Mapa Manif artigo Itler com Carros

Nota do revisor: Antes da chegada do Hitler, havia igualmente uma carrinha da brigada canina estacionada no Largo que depois se retirou, como poderão comprovar na imagem abaixo que um internauta nos enviou ainda pela manhã. O mesmo internauta identificou outras viaturas para “contenção” concentradas defronte ao Cemitério Sant’Ana. Ao entrarem em função os Kaenches, a viatura notada com * no mapa acima, que costuma estar todos os dias no semáforo do largo, retirou-se do local, deixando os manifestantes entregues à uma batalha campal com os kaenches.

Até 13h30 o largo continuava calmo, jovens e crianças brincavam no jardim e nos arredores do largo havia muitos senhores sentados nas cadeiras, bem vestidos, os mais velhos com fato e gravata, calças e camisa à preceito e os jovens bastante diversificados mas todos com um ar limpo e polido. Um deles, vi mais tarde, conduzia um jeep Tundra que tinha deixado estacionado à frente da César e filhos. Menciono esta gente neste relato porque, veio a revelar-se, eram todos bófias.

Cinco minutos depois, fui abordado por 3 agentes com farda azul escura reforçada (tipo PIR) e metralhadora, mandaram abrir a mochila para verificar o material que eu levava e suspeitaram que eu era um dos que estava a ser procurado para ser travado.  Depois de um breve interrogatório (de onde vens, para onde vais, perguntas de rotina), já estavam a me levar, depois me soltaram. Dei meia volta, troquei de camisola e bazei no cyber.

Àss 14 horas liguei para o Mbanza e ele disse-me: “não vou aparecer aí agora, aponta o numero do Mandela…”. Apontei e liguei ao Mandela:

– Onde posso te encontrar?

– Estou a descair a partir do Zé Pirão

– Nos encontramos no Chamavo?

– Pode ser.

Posto lá, não consegui lhe reconhecer, tendo decidido então voltar para o largo 1º maio com a hipótese de ter havido um desencontro entre nós…

Cheguei à entrada da Praça da Independência, encontrei o Jang Nómada, lhe dei um toque e ele não me reconheceu, aproximei-me dele e lhe perguntei: é como, o mambo sai ou não sai? Ele, nem com isso me reconheceu. Uns bófias que estavam sentados levantaram para ouvir a nossa conversa e eu puxei o Jang para o lado, disfarcei uma conversa de rap, daí ele reconheceu-me e disse: baza, esses wís (sinfos) estão a nos seguir.

Me afastei aos poucos e vi o mandela a entrar no largo, atravessei a estrada nas calmas e juntei-me aos outros.

Apanhámos o ângulo ideal para começar com os protestos e daí começaram os primeiros gritos de revolta: ”libertem o nito, libertem o nito!”.

Em menos de 5 minutos um grupo de jovens e senhores civis  fez um cerco em direção ao largo, aproximando-se em grande velocidade o que terá criado pânico entre nós.

Aí começámos a nos espalhar: uns correram em direcção à multidão que passava no largo para conseguir fugir, outros sairam rápido correndo em direcção ao Hospital Militar.

Eu e outros saímos em direcção ao Nzinga e aí registei a primeira detenção: um jovem com uma t-shirt preta,calças jeans pretas e chinelas amarelas, foi apanhado por 2 jovens civis que usavam trajes normais (um de camisola azul e umas calças pretas outro com uma camisola olímpica branca calções jeans curto) agarraram nele e levaram-no. Um jovem, aparentemente com uns 23 anos, trajando fato preto, gravata vermelha (DNIC, concerteza) apareceu e começou a ajudar os 2 bofias. Até que um polícia que esteve com o carro estacionado quase ao Nzinga desceu e lhe levou em direcção à unidade dos ex.combatentes.

Fiquei lá até ele ser levado e depois fiz uma ligação para saber o destino do mandela:

–  Wí aqui é o Hitler estás aonde?

– Estou a ser presseguido pelos sinfos.

– Viste o jovem que foi apanhado?

– Nada, não vi.

Enquanto falava, uns gajos estavam atrás de mim e depois de terminar disseram-me: “Hitler afinal é você?”. Eu nem respondi, comecei a marchar e logo surgiram 3 polícias e o jovem SINFO de camisola olímpica me identificou gritando: “esse também!”. Nem deu mais para correr, me levaram nos becos do Nzinga onde havia 2 carros da polícia que almejavam ansiosos os manifestantes.

Tiraram-me do carro, exigiram que subisse noutro (Iveco da PIR), o que obedeci. Estava já todo cabisbaixo a pensar que poderiam me levar na unidade, mas acabámos por ficar por ali mesmo o tempo todo.

Eles conversavam dicas deles, falavam sobre Quim Ribeiro, se contavam de damas até que um deles veio ter comigo.

– Ele: qual é a maka?

– Eu: nada

– Ele: nada puto? Vieste fazer o quê aqui no largo?

– Eu: estava a sair da escola e fui surpreendido pelos polícias.

– Ele: (risos) nós vimos todos que estavam aí, não pegamos em vão, você estava na manifestação, diz a verdade pá.

– Eu: estava mesmo na manifestação mas não fizemos nada de mal, até mal começou e já foi destroçada.

– Ele: quem permitiu? Há uma mão-invisivel no vosso meio e nós vamos achar um dia. Qual é o tema dessa vossa manifestação?

– Eu: viemos protestar a favor do Nito Alves, jovem de 17 anos detido há um mês.

– Ele: hahahahahhaha é verdade puto, esse Nito Alves é mais fudido que vocês né? Diz lá, ele e o Luaty quem é mais mau?

Achei graça, não disse nada e ele voltou ao debate com outros polícias, tendo o assunto de debate se voltado para o Nito Alves.

As horas foram passando e outro gajo voltou, fez-me  algumas perguntas, recebeu meu telefone tirou o cartão de memória e disse: “vai directo para casa. Pela próxima vais mamar!”.

 

Relato #2, por Makita Kuvula

Makita Pausado Diploma

A minha história começou dias antes (da manifestação): ligações por telefone, ameaças, diziam-me a todo o momento que se eu fosse para o local da manifestação poderia ser o último dia da minha vida. Mas eu ignorei e fui.

Posto no local encontrei-me com os outros manos a escrever os dísticos dentro do largo. Pouco depois, aproximaram-se dois homens com óculos escuros e perguntaram-nos: o que estão a fazer aqui? Pegaram nos dísticos e levaram-nos.

Aí, comecamos a gritar “SOLTEM O MENOR NITO ALVES!!!” e imediatamente o cenário mudou: Kaenches entraram em acção com ferros, paus, até arma de fogo, uma pistola de marca “STAR”.

Os manos com quem estava correram e eu estava a sair do largo a passos, tendo sido por isso agarrado por 3 kaenches vestidos com camisolas do Kabuscorp que queriam arrastar-me, mas como sou de estatura média, ofereci resistência e dificultei-lhes a tarefa de me sacudirem e levar para o outro lado do largo. Em seu socorro vieram meia-dezena de indivíduos, também à paisana que me despiram as calças, encheram-me de pontapés e bateram a minha cabeça nos ferros que se colocam em volta do largo, sobretudo em dias de manifestação. Ameaçaram-me várias vezes com “vamos dar-te um tiro na cabeça!”.

Levantaram-me e atiraram-me para as traseiras de um Land Cruiser policial, conduzindo-me até à 3ª Esquadra, atirado para uma cela onde fui agredido com dois socos no peito pelos outros detidos depois de me terem pedido dinheiro.

Depois desse episódio dois agentes investigadores retiraram-me da cela e meteram-me num gabinete onde depois me interrogaram com as mesmas e já gastas questões:

1- moço bonito a se estragar so à toa.
2- quanto te pagaram?
3- quem te mandou?
4- conheces Makuta Nkondo?
5- e se nós precisarmos de ti para uma conversa aceitas?

Volvidas duas horas e meia após a detenção e todo o calvário que se seguiu, devolveram-me os pertences e voltei à pé, inflamado e cheio de escoriações para casa, no meu Sambizanga.

Amanhã faz um mês que levaram o miúdo e até hoje estão a fazer acrobacias inconstitucionais para o manter ladjum, por isso amanhã “vamu lá!”

LARGO DA INDEPENDÊNCIA, 13H00

 

Manif Central Nito Alves 12.10.2013

 

 

Porto de Luanda e Ministério dos Transportes violam flagrantemente os direitos dos seguranças internos da SGEP (Empresa que explorava o terminal de contentores nº2 do Porto de Luanda.

Depois de escorraçados por um grupo armado contratado pelo Porto de Luanda, os ex-trabalhadores da referida empresa não foram indemnizados, nem foram reintegrados profissionalmente. Muitos deles já morreram depois de atirados ao desemprego e à miséria. Outros continuam a mendigar nesta vida.

O Ministério dos Transportes e o Porto de Luanda, insensíveis e em colisão com a lei, simplesmente ignoram os clamores destes senhores e das suas famílias, mesmo depois de condenados pelo Tribunal Supremo  e de terem chegado à acordo amigável.

No meio dessa injustiça, para completar ainda o quadro cinzento da vida deste senhores, mesmo depois de recorrerem ao poder judicial, à Presidência da República e ao Vice-Presidente do MPLA , está uma decisão do Tribunal Provincial que deixa atónitos os queixosos ao estipular que o montante em dívida já teria sido desembolsado pelo Porto de Luanda, pelo que não havia enquadramento legal para os continuos acréscimos de valores em atraso exigidos pelos ex-funcionários.

Caros compatriotas, este pesadelo na vida destes senhores teve início no longínquo ano de 2005!!!

Como se não bastasse esse calvário, o Presidente do Conselho de Administração do Porto, engenheiro Francisco Venâncio disse:

 “Eu me lembro de ter assinado cheque para pagamento deste valor. Se não chegou às mãos dos trabalhadores é porque alguém, dos quais, alguns dos aqui presentes podem ter desviado o valor” 

Isso foi dito pelo PCA do Porto do Luanda no encontro que teve com alguns representantes dos trabalhadores, no dia 15 de Dezembro de 2011 e pode ser comprovado aqui.

Em Maio deste ano, na sua edição 515 do dia 18, o Semanário Angolense publicou um dossier sobre este assunto. Segundo nos foi dito pelos trabalhadores, o Porto de Luanda tratou de comprar todos os exemplares. Felizmente, os trabalhadores foram a tempo de comprar um exemplar, do qual extraímos dois artigos. (Ver imagens abaixo)

Teve igualmente a amabilidade de nos conceder uma entrevista o senhor André Gaspar Adão António, representante dos trabalhadores da SGEP, entrevista que podem visionar apertando no play no quadrado abaixo dos artigos do Semanário Angolense. Foi também o Sr. António que nos facultou TODOS os documentos aqui disponibilizados nos links ao longo do texto para provar cada alegação que faz.

Diante deste cenário, que certamente não é o único em Angola, só podemos concluir que a justiça angolana está de tanga.

Quo vadis Angola?

KilapiPORTO DocAngolense

Prática recorrente desse regime BURRO E INCOMPETENTE, as perseguições, intimidações e ameaças de morte a todo aquele que assuma publicamente a sua insatisfação com o partido no poder e que dediquem o seu tempo a destapar-lhes as carecas que mal se deram ao trabalho de disfarçar.

Em Luanda, temos uma intensificação dos “apertões” (ver casos Domingos da Cruz, Rafael Marques, Makuta Nkondo, Coque Mukuta, Rafa Marques, Alexandre Solombe, Nito Alves, manifestantes de 19 de Setembro e a lista continua!) a cidadãos que se querem menos ativos e mais calados, mas no Lubango voltaram ao descaramento das ameaças diretas de morte via SMS, do número 949932231 como poderão constatar nas imagens seguintes:

1) Ameaças feita ao José Macuva, Presidente da ACA (Associação Cidadania Activa) depois deste ter remetido ao Governo Provincial da Huíla uma carta exprimindo intenção de sair às ruas em protesto no dia 19 de Março. As que recebeu hoje citam também Manuel das Mangas e Tony Fansy.

José Macuva Ameaça SMS 00José Macuva Ameaça SMS 01José Macuva Ameaça SMS 02

2) Ameaças feita à Manuel das Mangas, ativista independente que se tem destacado pela sua enorme atividade no facebook onde faz denúncias de natureza diversa e estimula ao debate e troca de ideias com a “comunidade online”.

Manuel das Mangas Ameaça SMS 01Manuel das Mangas Ameaça SMS 02Manuel das Mangas Ameaça SMS 03Manuel das Mangas Ameaça SMS 04Manuel das Mangas Ameaça SMS 05

O Manuel das Mangas fez o que tinha de fazer: foi apresentar queixa à Polícia Nacional que lavou as mãos reencaminhando-o para a DPIC. Assim fez o Manuel, tendo falado com o Investigador-Chefe do Comando Municipal que lhe terá simplesmente dito: “Imprime essa mensagem e traz para abrirmos o processo de investigação”. Ficou-se por aí!

Nossa Angola… escorrobotada!

Manifestações e manifestantes fizeram mais uma vez a notícia de capa do Semanário Agora. Depois do ARTivista Carbono Casimiro, agora é a manifestação (mais uma vez) abortada violentamente pela PNA, tal como prometido na véspera pelo seu porta-voz.

As fotos, conseguidas pelo Quintiliano dos Santos, não conseguem deixar de ser impressionantes e dão uma ideia do que tem faltado para ilustrar através da imprensa o nível desproporcional de força utilizado contra jovens pacíficos que pouco mais querem do que exercer um direito que lhes é caro.

Ao todo, 6 páginas são dedicadas à manifestação (inclusive o Editorial), indo o destaque para o artigo de Mário Paiva que aqui partilhamos convosco. Mário Paiva fala com o tom que se esperava de um jornalista isento há 3 anos. Até então tudo o que tinhámos nos jornais eram essencialmente peças sofríveis e claramente parciais (se motivadas ou não pelo envelope castanho não sabemos, mas que eram especulativas e vazias de rigor jornalístico, ai lá isso eram), ou a ocasional coluna de opinião lacónica, normalmente evitando chamar os bois pelos nomes.

Depois, se estivermos bem dispostos, partilharemos o resto :=).

untitledAGORA Mario Paiva Manif 02

MCK, há instantes no seu Facebook:

Mc-Katrogi

“Fiz agora uma pequena pausa no meu grupo de estudo, e decidi produzir um pequeno texto inspirado numa chamada de atenção dos manos da Central Angola, que desde já agradeço o alerta… as vezes ficamos muito fechados aos nossos assuntos particulares como a família, formação, música, emprego e o lazer, demarcando assim uma fronteira de betão com as nossas responsabilidades cívicas e a defesa de bens jurídicos como a Vida, a Liberdade de Expressão, a Paz, a Justiça Social, entre outros…

E começo por criticar a mim mesmo, que vezes sem conta, aproveito publicitar aqui os Vídeos que faço, os Eventos onde rimo, as músicas que participo, a nova linha de T-shirts, a Pen Drive, o tal de preservativo que nunca saí, etc…

Ou seja, Luanda transformou-se numa cidade cara e agressivamente capitalista e têm contagiado materialmente os Activistas Cívicos e ” Rappers do Underground” e todos corremos atrás das notas de Zé Dú e Manguxito ( Kwanzas) para continuar vivos.

Recebo todos dias perto de 50 chamadas de Rappers e afins, solicitando participações, convites para shows, entrevistas e outros blá blá blás, quase sempre com uma finalidade mercantilista omissa.

Agindo desta maneira estamos de forma tácita a legitimar a inconstitucionalidade e a patrocinar a violência gratuita dos órgãos do Estado angolano.

O Executivo angolano tem estado a errar muito, é um facto, mas nós estamos duas vezes mais errados com o nosso silêncio e absoluta indiferença permitindo o ABUSO DE PODER com as nossas postagens fúteis aqui no Facebook.

E quando digo nós, refiro-me á todos Angolanos!

-Deputados da Assembleia nacional que ganham um acumulado igual ou superior a 10 Mil Dólares e recebem BMW para nada fiscalizarem.

-Diplomatas Estrangeiros que apenas estabelecem relações económicas com Angola inspiradas nos Diamantes de Sangue e o Petróleo de Luto.

-Partidos Políticos oportunistas e Charlatões que simulam preocupar-se com as pessoas na fase eleitoral.

– Bispos, Padres e Pastores Kandogueiros que nunca saem em defesa do amor e da vida como Cristo fazia.

– Professores, Juristas, Empresários, Estudantes, Jornalista, Kunangas, Zungueiras, todos nós, principalmente eu que estou a ler o texto agora.

Estamos a viver num falso orgulho sem tamanho, e nos gabamos ter construído 3 campos para realização do Mundial de Hóquei em Patins em 7 Meses, quando temos a Vila de Viana sem acesso há quase dois anos para obras ( sem obras)… Gente e gado a morrer todos dias no Sul de Angola por fome e Sede, enfim…

Há duas semanas, quase chamamos o Presidente da República de deus com “d” menor, pela sua clarividência e outros adjectivos que tenho que ver no dicionário pela realização do Fórum da Rapaziada da Jota, para dias depois, espancar novamente Jovens Manifestantes e Jornalistas?

E nós? Caro angolano, estes factos não te dizem nada?

Somos todos uma cambada de hipócritas, iguais ou bem piores do que os detentores do poder que fecham os olhos aos nossos problemas e definem como Prioridade dar um Show que até os Ingleses se recusam em ver!

Vamos todos gritar bem alto: Libertem os Manifestantes.”

Na nossa conta de Facebook, o mano com a conta “Adelmo Pereira Campos Adi” teve a gentileza de elaborar um resumo detalhado do que se passou consigo desde o momento em que foi “interpelado” por um indivíduo à paisana, até ao momento em que lhe devolveram à liberdade. Vamos manter o texto original, sem arranjos ortográficos ou gramaticais, sem adulterações, relato do próprio!

(foto roubada do mural do Jose Gama)

REVUS PRESOS LARGO

“Eram já 18:28 quando um kanheche langa se infiltrou no grupo em q eu alguns manos e alunas estávamos para fazer travessia do lado do EMEL.

Mal tentei despertar a mente dos alunos q estavam comigo e mais gentes na passadeira de frente ao EMEL como já disse acima,o soldado programado do Bento Kangamba pega-me na cintura da calça e me leva dentro do quintal da referida instituição de Ensino no caso EMEL,onde foi recebido por um ligeiro aparato policial q receberam me o telemóvel e a carteira na pessoa de um agente a civil meio barregudo q trajava um boné ou chapéu,t-shert azul e calças jeans…

De seguida jogaram-me para dentro do carro cela de marca Land Cruise do tipo DEFENDER ou SANTANA q tinha como a seguinte chapa de matrícula:,LD 21-08 ED afecto a PIR.Comigo estavam 6 manos q são:Alberto Lupito estudante de direito,Wi Dolo,Da Katepa,Eduardo Dala,Valdmiro Luis e o mano Ngola Yetu.

Daí sem visibilidade para o lado exterior nem oxigênio suficiente e a transpirar,fomos levados a URP onde desciamos um por um para dar o nome e a idade.Ainda na mesma Unidade,levaram nos do outro lado onde fortemente vigiados com AK-M e Cães nos puseram numa carrinha maior de côr branca do tipo cela também mas com furacões para entrada e saída de AR onde parmanecemos mais de 2 horas,uns dormiam e acordavam como eu mas sempre a viajar das grades o q se desenrolava no mesmo recinto da Unidade.

Havia até dentro da Unidade PMs Polícia Militares armados.

Horas mais tarde viamos das janelas gradeadas,o carnaval dos luxuosos jeeps V8 no entra sai e seus pilotos bem nutridos e com as patentes abrilharem a dizerem justamente agora na altura do Mundial de Hokey?!..como aqueles processos de corre corre feitos pelas as formigas quando têm uma presa.

Como dentro dos Canibais ha sempre um q pensa diferente também,então surgiu ele o motorista da carrinha trajando com um chapeu t-shert verde com calças jeans e tênis preto e branco da famosa marca Converse All Star a dizer putos os outros foram levados e deixados no Zango por isso ficam calmo e tenham fé.

Minutos depois surgiu um agente com colete da DNIC q aparenta ter 29 à 30 anos claro estreito q disse por ordens superior invés da DPIC, serão conduzido na 3*Esquadra.

La saímos do portão q da logo acesso a estrada da tourada contornamos nos Congolences junto as Bombas de combustível da Sonangol acaminho da 3*Esquadra.

Ja bem perto das 23 horas ao passar o Largo 1*de Maio viam-se os kanheches com os seus coletes refletores bem pausados sentados no largo com ares de dever cumprido.

Chegamos a 3* onde devidamente perfilados fomos entrando e ouvidos mas uma vez um por um,daí recolheram os nossos dados e fotos..Foi então quando deram nos os nossos pertences e fomos libertados.

De realçar q as únicas torturas q sofremos foram psicológicas…

Luanda 19.09.2013”