Archive for the ‘Estiguem o Imperador’ Category

O terceiro capítulo da nossa série foca-se na excelência da cosntrução chinesa que tem vindo a ser comprovada em edifícios que não conseguem abandonar a nossa memória colectiva, como o da DNIC em pleno centro de Luanda e o Hospital Geral de Luanda, que tiveram fatídicos finais sobre os quais ninguém foi publicamente responsabilizado.

Porque será que a “futura casa da democracia, um edifício imponente” não empregou empreitadas chinesas para o efeito? Têm receio que a cúpula luxuosa desabe sobre as cabeças ocas que irão ocupá-la?

Que nos mostrem um membro da extensa família de JES que esteja a viver em casa construída por chinês para que deixemos de cismar que existem angolanos de primeira e, logo a seguir, angolanos de 10ª categoria, quase sem gradação entre um e outro.

Disfrutem do terceiro capítulo:

Segundo episódio da nossa série baseada exclusivamente na entrevista concedida à SIC por JES.

Aqui focamo-nos no absurdo que evidenciou falta de prática (22 anos sem dar entrevistas), falta de treino/preparação para esta entrevista cujas questões lhe foram previamente submetidas, falta de domínio sobre os dados estatísticos mais elementares do pais que pretende governar assim como do seu processo histórico.

O facto de não ter acautelado a sua cábula de maneira mais discreta é um autêntico insulto à inteligência dos angolanos, mesmo à daqueles a quem mais tarde se refere como frustrados.

A equipa da Central Angola decidiu destrinçar, esmiuçar e esfarelar a “entrevista” do nosso “homem do desporto emprestado à política” e tentar extrair dela alguns momentos que achou dignos de realce, tentando, dentro dos seus limites, imprimir-lhe um cariz humorístico.

Este será o primeiro de vários (ainda não determinamos quantos) episódios. É muito curto e foca-se numa questão secundária de toda a sua longa intervenção: a comparação entre Mandela e Savimbi. Escolhemos começar com esse tema por ser muito fácil de trabalhar, dando duas ou três tesouradas na resposta e acrescentando a banda sonora escolhida. É muito curto (menos de 1 minuto) e não é representativo do que consideramos terem sido as bacoradas mais importantes do Comandante-em-chefe.

O segundo está quase pronto e os subsequentes não obedecerão necessariamente a uma periodicidade específica, mas à nossa disponibilidade sempre limitada de tempo.

Que tenham início as “hostilidades”.

Num artigo intitulado ““Sua Excelência Zé Dú, somos jovens autóctones exigindo que o senhor se aposente” reacção de Pedrowski Teca, jovem do Movimento Revolucionário, à entrevista de JES na SIC” num blog de notícias que entretem, Pedrowski Teca endereça uma carta aberta à JES. A leitura é longa mas muito interessante. Acompanhem abaixo um excerto e carreguem depois no link que vos remeterá ao blog original do autor.

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… de uma maneira geral, são jovens com certas frustrações que não conseguiram, não tiveram sucesso durante a sua vida escolar ou académica, não conseguiram uma boa inserção no mundo do emprego, etc., mas que estão fundamentalmente muito localizados“, José Eduardo dos Santos em SIC Notícias aos 6 de Junho de 2013.

Sua excelência, sou o Pedrowski Teca de 26 anos de idade, nascido no Município da Samba, Província de Luanda, na antiga República Popular de Angola e sou um membro orgulhoso do Movimento Revolucinário.
São jovens com certas frustrações
Em primeiro lugar gostaria de esclarecer que a tua frase “são jovens com certas frustrações” não condiz com a nossa realidade porque o que chamas de “frustração”, é na verdade o radicalismo característico de jovens.
Radicalismo este que é visto por sua excelência como “frustração” porque não é pro ao status-quo mas é aposto à sua ditadura monárquica, a sua corrupção, ao seu nepotismo e ao seu roubo descarado do erário público à favor da sua família e dos teus amigos em detrimento do povo angolano.
Com o nosso radicalismo juvenil de intervenção social, será que a sua excelência sabe o porquê que nos chamamos de “jovens revolucionários”? O escritor e jornalista inglês George Orwell (1903-1950) disse que “numa época de mentiras universais, dizer a verdade é um acto revolucionário” e sua excelência nos detem arbitrariamente, nos espanca e tortura, nos prende e emprisiona, tudo porque falamos sobre a verdade das nossas próprias vidas que o senhor desgoverna à quase 34 anos.
Não tiveram sucesso na vida escolar ou académica
Quanto as palavras de os jovens “que não conseguiram, não tiveram sucesso durante a sua vida escolar ou acadêmica”, surpreendeu-me que mesmo com os equipamentos mais caros de alta e novas tecnologias de comunicação, rastreamento, infiltração e invasão e violação do direito à privacidade dos cidadãos, que tem comprado com vista à relação e colaboração bilateral com o Israel, o senhor presidente continua ignorante dos perfis, particularmente das qualificações, dos jovens que por dois anos têm te dito “32+2 É MUITO”.
Os ataques de sua excelência aos jovens indefesos do Movimento Revolucionário que por ti “estão fundamentalmente muito localizados” foram tidas por nós como uma estratégia para minimizar o efeito das nossas ações e descredibilizar-nos como pessoas intelectuais e formadas com capacidade de pensar com as nossas próprias cabeças. Desacreditas-nos de tal maneira que procuras fantasmas que supostamente nos influenciam para fazermos o que fazemos.
Felizmente, tenho más notícias para a sua excelência: muitos de nós somos técnicos superiores, alguns já licenciados, outros já no ensino superior e não desconsiderando que pela idade, muitos ainda estão no ensino médio.
Eu sou formado em “Jornalismo e tecnologias de informação” pela Universidade de Ciências e Tecnologias (the Polytechnic) da vizinha República da Namíbia, onde no dia 16 de Abril de 2011 fui graduado com um diploma do mesmo curso pelo seu homólogo, Sua Excelência, o Presidente Hifikepunye Lucas Pohamba, nas instalações do Safari Hotel na capital, Windhoek.
“Não conseguiram uma boa inserção no mundo do emprego”
Excelentíssimo, quem, quando, como e onde fez e divulgou as estatísticas de que a pobreza em Angola está entre 35 e 36 por centos se desde a independência, o país jamais conseguiu realizar pelo menos um censo populacional?
Estando em Windhoek, eu pessoalmente participei e fui contado no último censo populacional efectuado naquele país que atualmente tem somente 2.5 milhões de habitantes, e sabes quais questões apetece-me fazer-te? Se sua excelência tem as estatísticas de que a pobreza em Angola está entre 35% e 36%, então porque não nos dizer também o nível e as razões de desempregos no país? Quantos jovens estão actualmente desempregados? Qual é a percentagem ou o número estimativo de jovens, crianças, velhos e em que condições vivem em Angola? Poderá nos dizer quantos quadros qualificados temos no país e a percentagem em suas respectivas áreas de formação? Poderá nos dizer quantos estrangeiros, particularmente os chineses, estão em Angola e em que sectores?
Sua excelência, um docente na Faculdade de Direito da Universidade de Nova York, Bryan Stevenson, disse: “o oposto de pobreza não é a riqueza. Em muitos casos, o oposto da pobreza é a justiça”.
E o emprego?
Excelentíssimo, ao contrário de Angola, a Namíbia não facilita o estrangeiro: formado ou não. O que a sua excelência errou em não mencionar quando convidou os português à virem em Angola, foi por não dizeres “desde que cumpram com as leis do país”.
Na Namíbia, estas leis exigem à um cidadão estrangeiro em primeiro lugar a ser um especialista formado e em segundo lugar a ter uma certa quantia de dinheiro que o qualifica como um investidor capaz de empregar namibianos desempregados e trazer uma mais valia àquele país com os seus bens e serviços.
A Namíbia tem leis que impedem estrangeiros a exercerem cargos de motoristas, cabelereiros, garsonetes, empregados de limpeza, etc, e será que a sua excelência pode me explicar como é que em Angola temos chineses a trabalharem como vendedores ambulantes (“zungueiros”), ajudantes de contrução civil, motoristas e noutras profissões? Quantos cidadãos estrangeiros (malianos, eritreus, os chamados mamadus, etc) abrem lojas e cantinas nos nossos bairros e cidades e em que posições de imigração se encontram? Sei que muitos estão na condição de refugiados! Sabias que os refugiados angolanos na Namíbia não eram permitidos sairem do campo de refugiados chamado “Osire”? Sabias que os refugiados angolanos não eram permitidos trabalharem como tais e deviam estar sempre na tutela e cuidados do alto comissário das Nações Unidas para os Refugiados? Porquê que um estrangeiro vem em Angola exercer uma profissão que exige pouca formação acadêmica enquanto existem muitos angolanos no desemprego?
E eu? Será que me inseri no “mundo do emprego”?
Na condição de estudante de jornalismo, ganhei o prêmio de melhor jornalista do jornal universitário, Echoes campus Newspaper, em 2008. Fui estagiário voluntário no departamento de marketing da universidade, onde me destaquei e tive a oportunidade de interagir com inclusive uma delegação do nosso Instituto Nacional de Bolsas (INAB) e seu director Dr. Jesus Joaquim Baptista, cujos objectivos não incluía a ajuda aos estudantes angolanos naquele país mas o financiamento dos que estavam para imigrar para Windhoek e esse foi o meu relatório.

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A equipa da Central vem por esta agradecer ao grande serviço prestado à Nação e ao mundo por S. Exª Camarada Eng.º Arqº da Paz Guia Imortal Adjunto Comandante-em-chefe Presidente José Eduardo “Kitumba” dos Santos, ao submeter-se pela primeira vez em 22 anos a um questionário previamente estudado ao qual se chamou de entrevista, oferecendo-nos a evidência definitiva da sua caducidade e necessidade urgente de passar à reforma.

Foi uma fantástica exibição de esterilidade de ideias, de incapacidade retórica, de inexperiência na submissão à incómoda posição de entrevistado (repararam nas primeiras perguntas como os olhos dele de cabulão andaram desesperadamente à procura dos dados estatísticos inventados?), de desconexão total com a realidade daqueles que pretende governar, do cinismo que não mais consegue dissimular atrás daquele risinho, da incoerência no discurso (ao mesmo tempo que enuncia a formação de quadros como sendo o maior feito do seu governo, sublinha a gritante falta de quadros anunciando que as portas estão escancaradas à imigração), um autêntico fogo-de-artifício de lugares-comuns e um carnaval de insultos à inteligência dos angolanos.

Não iremos ressaltar a “curiosidade” de ter privilegiado uma cadeia televisiva internacional para uma tão exclusiva cedência, nem dar-nos ao trabalho de refutar as ridículas acusações que nos foram endereçadas pois são de tal modo descabidas que seria preciso um esforço colossal para alguém ainda engolir essa historieta da carochinha, ou a voluntária cegueira militante que parece obrigatória para quem deseje singrar ladjum. Preferimos deixar as imagens falarem por si e lamentar que a SIC não tenha feito uma reportagem semelhante para contrapor a maquilhagem do progresso e Estado Social que o Henrique “sorriso chinês” Cimmerman ajudou a fazer.

(English translation below)

The Central team thanks the great service offered to the Nation and the world by His Excellency Comrade Engineer Architect of Peace Immortal Guide Adjunct Commander-in-Chief President José Eduardo “Kitumba” dos Santos, in submitting himself for the first time in 22 years to a previously-studied questionnaire, so-called interview, offering us definitive evidence of having past his expiration date and the urgent necessity of his retirement.

It was a fantastic exhibition of the sterility of ideas, of rhetorical incapacity, of inexperience in submitting to the uncomfortable position of the interviewee (note how in the first questions his eyes followed his cheat sheet desperately seeking invented statistical data?), of total disconnect from the reality of those he pretends to govern, of the cynicism that can no longer be hidden behind that little laugh, of the incoherence in the discourse (at the same time that he announces the education of cadres as the great achievement of his government, he underlines the screaming lack of skilled cadres when announcing that the doors are thrown open to immigration), an authentic fireworks of clichés and a carnival of insults to the intelligence of Angolans.

We will refrain from emphasizing the ‘curiosity’ of having privileged an international television station for such an exclusive offering, nor will we go to the trouble of refuting the ridiculous accusations that were addressed to us, they were so without basis that it would take a colossal effort for someone to swallow this old wive’s tale, or a militant voluntary blindness that seems obligatory for one who wants to succeed ‘inside’. We prefer to let the images speak for themselves and we regret that SIC did not report something similar to counterpose the makeup of progress and the Social State that Henrique ‘Chinese smile’ Cimmerman helped to create.

Por maior que seja a aberração, por mais anti-democráticos que sejam os comportamentos da nossa elite cleptocrática, por ordem direta ou anuência do cabecilha da vara, José Eduardo dos Santos, haverá sempre os leitõezinhos que se apressarão a procurar argumentos para defender o absurdo, o ridículo, o inaceitável. São os “especialistas” da distração que tendo sido privilegiados, com os estudos assegurados longe das nossas precárias escolas, têm perfeito domínio da língua oficial, andam lustrosos, brilhantes e perfumados enfarpelados com Versace ou Dolce & Gabanna, circulando em Evoque, Rolls-Royce ou Porsche, esfregando a sua exuberância, como se de um diploma de semi-deus se tratasse, na cara da plebe que fazem questão de humilhar lembrando-lhes sempre da sua inferioridade intelectual e tentando legitimar assim as suas opiniões e autoridade.

As imagens que vos apresentamos abaixo foram tiradas em pleno centro da cidade, no que foi outrora o Liceu Feminino e que é hoje o Nzinga Mbandi (afinal é Nzinga, Njinga ou Jinga? Mbandi ou Mbande? Decidam-se senhores!), de onde provavelmente terão saído muitos dos alunos que se juntaram na passada segunda-feira, dia 27 de Maio, à vigília inusitadamente transformada em manifestação.

Ali mesmo ao lado está uma esquadra móvel, impávida perante esta gritante ilegalidade tornada normal ao fim de tantos anos de ombros encolhidos e olhares desviados transformados no conformismo doentio do “aqui é assim!”.

Acreditem que os leitõezinhos arranjarão meio de desdramatizar isto, enquanto o resto vai levantar os ombros tentando o melhor que podem esconder a cabeça, com receio de ser reparado ousando pensar fora da caixa. Mas quando começarem a grunhir, perguntem-lhes isto: se outra “juventude” também se organizasse e começasse a pendurar banners com a cara do Savimbi, Holden Roberto, Samakuva, Kuangana, Justino Pinto de Andrade, nos muros das escolas pelo país a fora com mensagens semelhantes, qual seria a reação dos leitõezinhos?

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Actos de Nobreza e Paz

Posted: December 10, 2012 in Estiguem o Imperador, Humor

Este slogan pertence ao Santos Futebol Club, braço desportivo da FESA cujo patrono é o cidadão José Eduardo dos Santos. Na prática, eu não observo no dito patrono, actos de nobreza e paz. E para provar-me o contrario, que o mesmo ou alguém mandatado por ele me responda as seguintes perguntas inquietantes:

1.       É nobreza um vivo e um morto ser a cara da moeda corrente de seu pais?

2.       É paz afirmar ser herdeiro da miséria e pobreza, quando santimoniosamente ostenta opulência estonteante?

3.       É nobreza aprovar + investimento no betão do que no cidadão?

4.       É paz deixar de explicar-se publicamente a respeito do filho do Sr. João Beirão (1º presidente da FESA) que tenta ‘salvar’ o pingo de santidade que resta no patrono da FESA?

5.       É nobreza silenciar as vozes e canetas que clamam a si + atenção + educação + habitação, visto que abocanhaste o título de arquitecto da paz?

Pode ser que essas minhas perguntas, venham a ser mal compreendidas a ponto de ser caçado e eliminado…  se isso ocorrer, então o slogan actos de nobreza e paz é + de um capeta que persiste em transformar-se em santo/anjo de luz.

 

Respeitosamente,

Servidor Público (TDS)

Enquanto a maioria borra-se toda de sequer colocar um “gosto” ou “partilhar” com o seu ciclo de amigos informações reveladoras do estado do país em que (sobre)vivemos, outros desafiam os seus próprios temores diária e publicamente de forma destemida, tornando a luta pela democracia um MODO DE VIDA.

Grande abraço ao Centraleiro Fábio Sebastião, por circular pelas ruas de Luanda com a frase mais controversa dos últimos dois anos, arriscando-se a sofrer por isso represálias vigorosas. ARTIVISTA!

Artivismo Fábio Sebastião

Este texto está sublime! Consegue transferir para o leitor a panóplia de emoções por que passa o autor, esperança, desencanto, tristeza. Uma leitura que nos absorve e nos leva a refletir, a aceder e, provavelmente, a desanimar. Leitura obrigatória. Aqui reproduzimos um excerto reencaminhado-vos depois para o post original no site do próprio:

Trazendo para aqui uma interpretação autêntica da minha “Angola: a terceira alternativa”, em conjugação com tudo que venho afirmando, desde que apenas foi anunciado o “golpe político e jurídico-institucional” de José Eduardo dos Santos, contra a Constituição histórica de Angola, as eleições de 31 de Agosto são, desde logo, um jogo num plano inclinado, a favor do golpismo. Se se quisesse uma metáfora olímpica mais esclarecedora, diria que estamos perante um jogo em que há uma baliza de um metro de largura para o país marcar (não falo só da oposição político-partidária) e outra com, por aí, uns dez metros, para Sª Excelência o Senhor Presidente-candidato enfiar os seus estrondosos golos, calmamente.

Foi efectivamente um golpe de mestre, se analisado sob um ponto de vista daqueles que vêm a política como a “arte do possível” e quando nesse “possível”, tudo é permitido, mesmo que seja contra consensos arduamente elaborados por uma sociedade durante todo um processo histórico anterior, contra o Direito, contra toda a moral e contra qualquer tipo de ética.

Foi um golpe efectivamente fulminante, antes de mais, contra o próprio programa de um partido de grandes responsabilidades nacionais como o MPLA, regressado aos seus iniciais ideários democráticos, no princípio dos anos 90 do século passado. É esse golpe de mestre, assente em antecedentes explicitados no “Angola: a terceira alternativa”, que permitiu que José Eduardo tenha imposto um provável candidato a sua sucessão, sem dar a mínima possibilidade de disputa a outros e mais carismáticos líderes, do que hoje deveria ser um tão múltiplo e multifacetado MPLA, sem dramas.

Apesar de tudo, não tendo argumentos para contrariar o aforismo “política como a arte do possível” (mas um “possível” que deveria ser para o bem da sociedade e não de uma casta) esperava que estas eleições de 2012, que poderão, anunciadamente, servir para agravar ainda mais o nosso “plano inclinado”, podem, igualmente, constituir uma oportunidade para desagravá-lo. Por exemplo, se este Presidente perdesse ao menos a inimaginável e arrogante maioria que tem através do “sequestro” a que submete o MPLA, no qual já não é possível votar sem reforçar a arrogância, o açambarcamento à luz dia, o nepotismo, o cinismo, enfim, o desprezo total de tudo quanto não seja o “eu posso e mando”, já seria meio caminho andado para sossegar até o próprio Eng.º Manuel Vicente, que desta vez sim, estaria imune de qualquer derrube na grande área, por quem lhe passou a bola. Todos entendem o que quero dizer: o nosso verdadeiro Engenheiro…

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Makuta Nkondo recebeu anteontem, 2 de Agosto, uma nota de Processo Disciplinar movido pela Assembleia Nacional ao abrigo da “Lei Parlamentar de Ética, Decoro e Bons Costumes”. Tudo porque o papoite resolveu pedir que o cidadão José Eduardo dos Santos exiba a sua certidão de nascimento, que sustente o que defende a sua biografia oficial: que nasceu no Sambizanga a 28 de Agosto de 1948.

Diz que ao não fazê-lo levanta suspeitas sobre a sua naturalidade e que, ao abrigo da Lei da Segurança de Estado, o cargo de Presidente da República só pode ser ocupado por um angolano-nato, ou seja que não tenha nem dupla nacionalidade, nem nacionalidade adquirida. Isso alega Makuta Nkondo, aproveitando para, bem ao seu jeito incendiário, exigir a destituição imediata de JES do cargo de Presidente da República, assim como a sua detenção imediata por ser um “intruso e ameaça à Segurança de Estado”.

Vamos assumir que, pelo menos, estes pronunciamentos têm o condão de trazer um pouco de desejável agitação num parlamento onde, apesar da vida escandalosamente miserável à qual a maior parte dos angolanos se submete, a temperatura das discussões está sempre a uma temperatura amena. Em defesa do deputado Makuta e usando da comparação mais flagrante que nos ocorre, diremos que também Obama foi confrontado pelo Donald Trump acerca da sua nacionalidade e este não fez mais nada senao enterrar o assunto, exibindo publicamente a sua certidão de nascimento. Porquê que para JES é tão humilhante aceder a uma questão legítima, que ainda por cima tantas ondas tem levantado acerca de algo que deveria ser ínfimo?

 

Entrevista conduzida pelos centraleiros: Luaty Beirão, Carbono Casimiro e Pandita Nerú