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Isabel João foi até a Comarca Central de Luanda, pagou 500 Kwanzas para visitar o prisioneiro (sem julgamento) menor de idade Manuel Nito Alves que descreve as condições pestilentas em que é mantido, numa cela com 200 outros, só toma banho uma vez por semana, caga no saco e, derivado dessa situação contraiu sarna, sem que lhe seja prestada assistência médica.

Acompanhe a totalidade da entrevista nas imagens abaixo:

Nito Alves Entrevista NJ pg.1 Nito Alves Entrevista NJ pg.2

Manifestações e manifestantes fizeram mais uma vez a notícia de capa do Semanário Agora. Depois do ARTivista Carbono Casimiro, agora é a manifestação (mais uma vez) abortada violentamente pela PNA, tal como prometido na véspera pelo seu porta-voz.

As fotos, conseguidas pelo Quintiliano dos Santos, não conseguem deixar de ser impressionantes e dão uma ideia do que tem faltado para ilustrar através da imprensa o nível desproporcional de força utilizado contra jovens pacíficos que pouco mais querem do que exercer um direito que lhes é caro.

Ao todo, 6 páginas são dedicadas à manifestação (inclusive o Editorial), indo o destaque para o artigo de Mário Paiva que aqui partilhamos convosco. Mário Paiva fala com o tom que se esperava de um jornalista isento há 3 anos. Até então tudo o que tinhámos nos jornais eram essencialmente peças sofríveis e claramente parciais (se motivadas ou não pelo envelope castanho não sabemos, mas que eram especulativas e vazias de rigor jornalístico, ai lá isso eram), ou a ocasional coluna de opinião lacónica, normalmente evitando chamar os bois pelos nomes.

Depois, se estivermos bem dispostos, partilharemos o resto :=).

untitledAGORA Mario Paiva Manif 02

Na nossa conta de Facebook, o mano com a conta “Adelmo Pereira Campos Adi” teve a gentileza de elaborar um resumo detalhado do que se passou consigo desde o momento em que foi “interpelado” por um indivíduo à paisana, até ao momento em que lhe devolveram à liberdade. Vamos manter o texto original, sem arranjos ortográficos ou gramaticais, sem adulterações, relato do próprio!

(foto roubada do mural do Jose Gama)

REVUS PRESOS LARGO

“Eram já 18:28 quando um kanheche langa se infiltrou no grupo em q eu alguns manos e alunas estávamos para fazer travessia do lado do EMEL.

Mal tentei despertar a mente dos alunos q estavam comigo e mais gentes na passadeira de frente ao EMEL como já disse acima,o soldado programado do Bento Kangamba pega-me na cintura da calça e me leva dentro do quintal da referida instituição de Ensino no caso EMEL,onde foi recebido por um ligeiro aparato policial q receberam me o telemóvel e a carteira na pessoa de um agente a civil meio barregudo q trajava um boné ou chapéu,t-shert azul e calças jeans…

De seguida jogaram-me para dentro do carro cela de marca Land Cruise do tipo DEFENDER ou SANTANA q tinha como a seguinte chapa de matrícula:,LD 21-08 ED afecto a PIR.Comigo estavam 6 manos q são:Alberto Lupito estudante de direito,Wi Dolo,Da Katepa,Eduardo Dala,Valdmiro Luis e o mano Ngola Yetu.

Daí sem visibilidade para o lado exterior nem oxigênio suficiente e a transpirar,fomos levados a URP onde desciamos um por um para dar o nome e a idade.Ainda na mesma Unidade,levaram nos do outro lado onde fortemente vigiados com AK-M e Cães nos puseram numa carrinha maior de côr branca do tipo cela também mas com furacões para entrada e saída de AR onde parmanecemos mais de 2 horas,uns dormiam e acordavam como eu mas sempre a viajar das grades o q se desenrolava no mesmo recinto da Unidade.

Havia até dentro da Unidade PMs Polícia Militares armados.

Horas mais tarde viamos das janelas gradeadas,o carnaval dos luxuosos jeeps V8 no entra sai e seus pilotos bem nutridos e com as patentes abrilharem a dizerem justamente agora na altura do Mundial de Hokey?!..como aqueles processos de corre corre feitos pelas as formigas quando têm uma presa.

Como dentro dos Canibais ha sempre um q pensa diferente também,então surgiu ele o motorista da carrinha trajando com um chapeu t-shert verde com calças jeans e tênis preto e branco da famosa marca Converse All Star a dizer putos os outros foram levados e deixados no Zango por isso ficam calmo e tenham fé.

Minutos depois surgiu um agente com colete da DNIC q aparenta ter 29 à 30 anos claro estreito q disse por ordens superior invés da DPIC, serão conduzido na 3*Esquadra.

La saímos do portão q da logo acesso a estrada da tourada contornamos nos Congolences junto as Bombas de combustível da Sonangol acaminho da 3*Esquadra.

Ja bem perto das 23 horas ao passar o Largo 1*de Maio viam-se os kanheches com os seus coletes refletores bem pausados sentados no largo com ares de dever cumprido.

Chegamos a 3* onde devidamente perfilados fomos entrando e ouvidos mas uma vez um por um,daí recolheram os nossos dados e fotos..Foi então quando deram nos os nossos pertences e fomos libertados.

De realçar q as únicas torturas q sofremos foram psicológicas…

Luanda 19.09.2013”

Se ainda restavam dúvidas da implosão desse regime decrépito e sem fôlego, essas foram completamente dissipadas entre o dia 12 e o dia 19 de Setembro, com a sequência de ações, cada uma mais atrapalhada do que a outra, que precederam uma manifestação convocada pelo Movimento Revolucionário que visava reivindicar uma série de pontos acerca dos quais qualquer pessoa minimamente sensata haverá de concordar que existem carências e/ou lacunas aberrantes.

No dia 12, a Polícia deteve Nito Alves, a quem já andava a espiar/perseguir há algum tempo, em “flagrante delito”… imprimindo 20 t-shirts! É isso mesmo, 20 t-shirts. O “flagrante delito” eram as inscrições estampadas na t-shirt que, certo, agressivas, para alguns repugnante, eram a reprodução de uma frase, título de um livro e de um artigo do jornal Folha 8 de Agosto de 2009: “Quando a guerra é necessária e urgente”. De autoria de Domingos da Cruz que, imagine-se, tinha acabado de ser ilibado das acusações que a PGR movera contra si alguns dias antes (depois de 5 sessões adiadas enquanto se desbaratinava a CRA e o Código Penal em busca de uma maneira de o inculpar), não é a justeza ou a severidade da frase que estamos a analisar, o choque e o estupor que ela causa, sobretudo a um povo que tem ainda feridas por cicatrizar de uma guerra que terminou há pouco mais que uma década, é O DIREITO OU A FALTA DELE de estampar e envergá-la no seu dorso.

Nito Alves TPA Tshirt

Muita gente ficou, compreensivelmente, ofendida, mas à polícia não cabe agir por impulso ou inventar “delitos” onde não existam e levar o rapaz (e o dono da gráfica de arrasto) para a cadeia à revelia, privando-o de ver familiares ou advogados é em si uma violação de vários direitos humanos, de cidadão e de detido.

Manuel Nito Alves está detido nos calabouços da DPIC até a data em que se redige este texto, mas aqui entra o mais insólito: ele encontra-se detido SEM PROCESSO (teve um, depois foi alterado e agora está sem nenhum) pois não se consegue atribuir-lhe UM CRIME! Para coroar toda esta maravilhosa loja de horrores, esta arbitrariedade está a ser perpretada contra UM MENOR DE IDADE! É isso, Nito Alves, o miúdo destemido que veem nesta imagem, ainda não ultrapassou os 17 cacimbos!

Nito Alves 01

A polícia, na pessoa de Aristófanes dos Santos, seu porta-voz, veio publicamente justificar a detenção aproveitando para generalizar a iniciativa individual de um único jovem à todo um movimento que vinha advogando uma mensagem completamente distinta e pacífica e ancorando nesses argumentos a fundamentação para interditarem a manifestação convocada para dia 19. Vejam os argumentos “jurídicos” utilizados pelo “camarada”.

Mantendo a intenção de levar à cabo a manifestação, os jovens foram convocados pelo Comando Provincial da PN no dia 17, dois dias antes da data evocada para a saída às ruas, para que lhes fosse comunicado que a manifestação tinha sido proibida pelo GPL pelo que eles não poderiam levá-la à cabo. Mais uma vez, a Polícia, que dias antes, diante das câmaras da TPA, tinha exibido “exímio” conhecimento acerca da lei 16/91 que regula o direito à reunião e manifestação, propõe-se a violá-la inescrupulosamente em benefício do sabotador e em detrimento do respeitador. Sendo certo que a hora marcada para o início das atividades feria superficialmente a lei que prevê que em dias de semana as manifestações só podem começar depois das 19h00, mais certo é que o horário não pode constituir por si só motivo de inviabilização de toda a atividade, pois esse ajusta-se! O que não se ajusta, esse sim, violação flagrante da lei, é o facto do GPL ser obrigado a comunicar por escrito aos subscritores da carta que lhe é submetida a avisar da intenção de manifestarem-se, qualquer inviabilização da atividade pretendida, devidamente fundamentada (apoiada em argumentos legais) e, isto é importante, NUM PRAZO NÃO SUPERIOR A 24 HORAS (consultar lei aqui)!

Cabe portanto ao GPL e não à PNA comunicar aos pretensos manifestantes que a sua actividade será ilegal e portanto indeferida e isso tem de ser feito por escrito, num prazo de 24 horas. Ora, a carta foi entregue ao GPL no dia 2 de Setembro, como poderão constatar aqui. Passaram-se 360 horas desde o momento da entrega até ao momento em que a PNA (e não o GPL) chamou os jovens do Movimento Revolucionário para lhes informar que “não vai ser possível”.

Pois, se o país tem leis, elas são para todos e o Movimento Revolucionário mostrou que não iria claudicar nem ceder a chantagens e/ou ameaças dos “ordens superiores”, convocou uma conferência de imprensa para informar à comunidade jornalistica que a manifestação era para sair, com ou sem repressão.

Na manhã do dia 18 foi posto a circular um panfleto falso, certamente concebido e distribuido pelos Serviços Desinteligentes e Deselegantes de Angola, para reforçar a mensagem que os jovens do Movimento Revolucionário querem o retorno à guerra, como se fosse sequer concebível que “300 frustrados sem sucessos profissionais ou académicos” pudessem ter acesso a armamento de guerra e fazer face ao mais pequeno batalhão da UGP. Abaixo o panfleto verdadeiro, seguido pelo falso.

Movimento Revolucionário Manif
Panfleto MR - Falso ou Verdadeiro

Na noite do dia 18, Aristófanes dos Santos reforçou o posicionamento das ordens superiores com a arrogância que lhes é peculiar, ameaçando que iriam usar da força para reprimir qualquer tentativa de “desordem” no dia seguinte.

Isto no noticiário das 20h00 da nossa amada TPA que, para não variar, anulou completamente a possibilidade de defesa do contraditório, não metendo em confronto com o senhor Aristófanes um dos elementos do Movimento Revolucionário Angolano para contrapor os seus argumentos e deixar os angolanos julgarem quem tinha razão, se a força da razão ou a razão da força.

A última imperou.

Luaty Beirão

Cenas dos próximos capítulos: Manifestação reprimida; muitos jovens detidos; tortura; julgamento; soltura; liberdade de 20 minutos; rapto; tortura; o de sempre… ditadura!

Enquanto o discurso da juventude mobilizadora se focar em palavras como as que se ouvem nos vídeos abaixo, nós, pessoal da Central Angola, continuaremos a subscrever e a apoiar incondicionalmente TODA a manifestação pública de repúdio pelo actual paradigma no qual se encontra Angola.

A PNA já deixou bem claro com o comunicado que partilhámos ontem o que se pode esperar na próxima quinta-feira, dia 19 de Setembro: a continuada política de total desprezo pela CRA, recurso à intimidação e força bruta para inviabilizar o exercício de um direito elementar em qualquer democracia que se preze, detenções arbitrárias, julgamentos “sumários”, sessões de pancadaria e, sabe-se lá, mais raptos e assassinatos.

Ainda assim, a firmeza que se sente no tom de voz destes rapazes (e rapariga, wau!) é contagiante e faz-nos sentir que o lado certo é o deles. O resto é MEDO, CAGUNFA!



Pela quinta vez, o Jornalista e Professor Domingos da Cruz voltará a sentar-se no banco dos réus, depois de 3 adiamentos sucessivos e uma 4ª deslocação que pouco mais representou do que um novo adiamento, como podem constatar neste artigo do seu colega, Alexandre Neto, que esteve na sala de audiências e continua a acompanhar o caso.

O próximo capítulo desta saga orwelliana terá lugar já depois de amanhã, dia 6 de Setembro, quando se esgotará o tempo concedido ao Ministério Público para “tirar dúvidas” em relação à vigência ou não da lei burramente invocada para assediar o nosso irmão Domingos da Cruz.

No vídeo abaixo, Domingos concede uma entrevista ao Alexandre Neto após sairem da sala de audiências no dia 30 de Agosto, fazendo um breve resumo do que se passou, garantindo que não irá “autopoliciar-se em termos de produção de ideias e pensamentos”, que não se deixa intimidar e que, afinal de contas, a luta é mesmo necessária e urgente!

Dia 6 de Setembro às 9h30, todos os caminhos vão dar ao Palácio Dª Ana Joaquina, para apoiar a resistência da intelectualidade face a bestialidade da força!

A PGR e a DNIC têm nos últimos dois meses cumprido com uma agenda certamente não “organizada” por eles: perseguição, assédio e intimidação de todo o proeminente cidadão que se dedique a destapar as carecas deste regime e do seu Arquitecto Rei que, há muito, vai nú!

Vejamos:

1) Interdição (4ª vez e nunca formalizada como esta que recebem agora o Zé e o Lucas) de abandonar o país de Luaty Beirão

2) Rafael Marques intimado pela PGR

3) Domingos da Cruz intimado e aguardando julgamento (por 3 vezes adiado depois deste se fazer presente e aguardar por horas à fio)

4) Lucas Pedro e José Gama intimados e chamados a depôr na PGR por mais de uma vez desde o início de Julho e agora formalmente impedidos de viajar, apesar de lhes ter sido aplicado o Termo de Identidade e Residência e  de o Gama ter indicado como sua residência a de Johannesburg, onde está fixado com a família.

5) Adão Ramos, Timóteo João e Alex Chabalala, intimados ontem (por via telefónica) pelo “especialista” Mufuma a depor hoje na DNIC, para uma conversa informal acerca dos Movimentos, liderança, forma de organização, como convocam as manifs e outras questões de tamanha irrelevância que continuam a esvaziar de credibilidade essas instituições de Estado.

O Makangola fez um artigo completo em torno da situação do Lucas e do Zé, que poderão ler carregando aqui

 

JG e LP Interdição de Saída

Eram 9h00 da manhã de terça feira, dia 2 de julho de 2013, estava num autocarro a caminho de Cacuaco para ir assinar a folha de salário na escola onde lecciono quando o meu telefone tocou:

– É o senhor Afonso Matias?
– Sim, sou – respondi.
– Daqui fala o senhor Pedro de Carvalho da PGR (Procuradoria Geral da República).

A princípio pensei que fosse um dos meus amigos a brincar comigo, a fazer-se passar por procurador (algumas vezes já fizeram isso, passarem-se por comandantes da polícia, generais, etc e normalmente no fim revelam-se e soltamos umas boas gargalhadas).

– O Senhor Afonso Matias é um dos subscritores de uma carta (Queixa-Crime) contra o Governador de Luanda encaminhada a PGR…
– Sim, sou.
– Pois, eu estou a ligar para os outros subscritores, é que os seus números não chamam e liguei para si, finalmente chamou. Quero antes dizer que esta ligação é uma notificação, não vos pudemos notificar em domicílio porque os senhores  não incluíram o endereço na carta, pelo que apresentamos as nossas desculpas.Queremos que compareça na quinta-feira às 9h00 na Procuradoria para darmos início ao processo, é possível?
– Querem falar apenas com o senhor Afonso Matias ou com todos os subscritores da carta?
– Se tiverem disponíveis, venham todos. Queremos falar com todos.
– Muito bem, vou comunicar aos meus companheiros depois hei-de confirmar quer por ligação ou mensagem de texto.
– Tragam a carta que mandaram ao Governo Provincial e outros documentos relevantes que mencionam na carta que nos enviaram. Não estamos a funcionar no Palácio nessa altura. Não sei se conhece o Jardim/Largo do Amor aqui na Vila Alice?!
– Conheço esse lugar.
– Pois, vireis até cá, há um edifício cor creme com uma placa (alguma coisa como que Direção de Investigação…. já não me lembro exatamente o que disse). Digam que vêm a pedido do Procurador Pedro de Carvalho.
– OK, faremos isso, mas aguarde a minha confirmação depois de que eu contactar os companheiros.
– Muito bem, faça isso então para que eu possa arranjar também a minha agenda. Saudações.
– Saudações e bom dia.

Tentei infrutiferamente ligar para o Makitá, o único dos outros 3 subscritores que se encontra em Angola, pois o Luaty encontra-se em Lisboa e o Adolfo está a regressar da Tanzânia onde se deslocou em companhia de Pedrowski Teca com o fito de entregar uma carta aberta à Obama.

Às 18h00 liguei para o procurador Pedro de Carvalho colocando-o ao corrente da situação e decidimos adiar a sessão para terça-feira.

Terça-feira, dia 9 de Julho, às 9h00, está marcada a primeira sessão sobre a Queixa-Crime contra o Governador da Província de Luanda, Bento Francisco Bento. De lembrar que a Queixa é extensiva ao Ministro do Interior, Comandante Ambrósio de Lemos, Comandante Notícia e Comandante Tito de viana.

Mbanza Hamza

NB Para quem quiser conferir o conteúdo das Queixas-Crime basta carregar neste link.

No dia 19 de Junho postámos um ultimato dado ao MININT para que se repusesse a legalidade ou que se restituisse imediatamente à liberdade o nosso companheiro Emiliano Catumbela. Hoje, de maneira inesperada, recebemos o informe que o Emiliano estaria prestes a ser solto e há instantes foi publicada no mural do Pedrowski Teca a prova retumbante dessa victória: o Emiliano, rodeado de companheiros sorridentes, com ar fragilizado e com o punho timidamente erguido, fora das muralhas da Comarca de Viana. Mais um caso que termina como começou, de forma misteriosa, ou talvez nem tanto.

A LUTA CONTINUA!

Emiliano Catumbela Livre

Não gostamos de ter de nos prestar constantemente a este papel de desafiar para um braço de ferro as instituições do Estado angolano. Temos a plena noção de que se resolverem empregar a força de que dispõem, poderão simplesmente esmagar-nos como a um insignificante insecto e irradiar-nos da face da terra, resolvendo depois o problema da imagem com uns quantos barris de petróleo.

Temos noção disso, como a tínhamos no dia que ao invés de nos encolhermos, resolvemos adoptar a postura da pulga eléctrica e irritante que vai sempre morder lá onde já está a ferida, debilitando o gigante e fazendo com que, a termo, acabe por cair sobre os joelhos, aceitando que força não é aliada da sabedoria.

Sabedoria, é o que tem faltado a esses gigantes de barro que não estão a saber adoptar um comportamento cortês e adulto perante “umas poucas dezenas” de pulgas atazanando-lhes o conforto dos marajás. Não teríamos de ter elaborado esta carta se as autoridades tivessem pura e simplesmente agido como manda o figurino. Mas não! Como não querem esmagar-nos de uma assentada, vão experimentando arrancar uma pata (ou unha) de cada vez, esperando que isso nos demova das nossas intenções, incapazes de se transportarem aos empoeirados cantos das suas memórias para ver em nós um reflexo de si próprios quando estavam no nosso lugar de pulguinhas, desafiando a autoridade. A arrogância é imensa, mas também o é a chama da liberdade que arde dentro de nós motivando-nos a insistir, a persistir, até que se ajoelhem ou que nos esmaguem.

Também conhecem a capacidade reprodutiva dos insectos por isso, por mais que nos matem, outros virão depois de nós! É inevitável, por isso vos remetemos as cartas abaixo com (mais) um ultimato: DEVOLVAM-NOS O EMILIANO JÁ!

Ministério do Interior:

MININT

002 003

CGPN:

CGPN assinatura

 

PGR:

PGR assinatura