Archive for the ‘Luanda’ Category

O oxigénio da paz

Posted: April 22, 2017 in Luanda
Meme Luvualu

Um dos múltiplos Memes que pipocaram na web desde as declarações inusitadas de Luvualu

Finalmente reapareceu o nosso querido embaixador numa das suas missões diplomáticas no âmbito da besteira interna. Ironicamente, estávamos com imensas saudades. Ficámos com a impressão que já tinha terminado o seu mandato pois, já não se fala do assunto que levou à sua nomeação, o famoso processo n.º 00148/15-A, popularizado como “Processo dos 15+Duas”. Foi ao longo deste infâme processo que o senhor itinerante ,com o seu trampolim conhecido por TPA, usou e abusou da sua boca para manipular a opinião pública afirmando de pés juntos que o jovem Dionísio Gonçalves Casimiro tcp Carbono estava exilado na Embaixada dos EUA, em Luanda. Quando na verdade ele encontrava-se nos EUR (Estados Unidos do Rangel), livre, leve e solto.

Essas e outras palavras, serviram-lhe de catapulta para o jamais visto em Angola cargo de Embaixador Itinerante, para defender os interesses e levar a “boa imagem” do país para praças internacionais. Aí tivemos então o nosso Tudólogo bem preparado tanto estatisticamente, juridicamente, matematicamente, geograficamente, quimicamente, desafiando assim, a inteligência dos sábios do Egipto e da Grécia Antiga, microfone, luz, câmara, acção! Habemus Luvualu, 99% da população angolana tinha um representante dos seus interesses, ou não.

Passemos para o nível mais avançado do estado do nosso Tudólogo: O também conhecido por MC Besteira, vice-presidente da LibajuAng (Liga dos Bajuladores Angolanos), finalmente reaparece com a teoria Oxigénio versus Ganhos da Paz na sua intangível loucura… Habemus Besteira! Sabemos que ele é Tudólogo e com isso vai recorrer aos seus postulados dedutivos, mais apurados do que aqueles que aprendemos com Sherlock Holmes. Eis como: A paz que tanto se fala em Angola, aquela assinada no dia 4 de Abril de 2002, vem amiúde à baila para se lembrar que um grupo de indivíduos a conquistou, e, todos devem alguma coisa a esse grupo, principalmente ao seu arquiteto, clarividente e escolhido por um deus para manter essa paz que tira o oxigénio de um Bruno Leite, Rufino António, um Hilbert Ganga, um Kassule e um Camulingue.

Neste contexto, a lógica do oxigénio não vai surpreender quando aparecer mais uma marioneta do mal a dizer: “Bem, como já é do conhecimento de todos, pois anteriormente extensivamente explicado pelo Dr. Tudólogo, o Oxigénio é um ganho derivado da paz arquitetada pelo clarividente, cuja continuidade será feita pelo candidato da juventude. Portanto, vamos começar a cobrar pelo nosso oxigénio uma vez que em Angola antes da paz, respirávamos enxofre, ácido sulfúrico, chumbo, etc., menos Oxigénio.”

Atingimos 99% da loucura. Luvualu, acabou. 99% dos Jovens da Huíla estão tristes com a tua loucura… precisas urgentemente de uma sessão de descarrego. Felizmente para ti, em Luanda tem boas igrejas para te libertar dessa tua morte intelectual, podendo inclusive ressuscitar-te, uma vez que se passaram já pouco mais de 3 anos desde que a tua loucura se tornou óbvia para o resto de nós que acompanhamos os teus passos. O governo que te nomeou, também permite que tu passes à reserva como fez com tanta gente que nunca trabalhou. Na categoria de louco na reserva, terás bons salários enquanto a liberdade não chegar. Como consegues ser tão velho com essa idade que tens? Aonde vais e onde queres chegar? O que te aprisiona tanto? Não queres repetir o ensino primário para ver se mudas a forma de agir e pensar?

CTV Cláudio Dungo CENSO

Cláudio Dungo, colaborador do Censo e um dos membros do grupo que lidera o protesto

Este é um assunto retomado pela Central Angola, pois um facto de relevância pertinente justifica a sua atualização: a realização de uma manifestação.

A luta arrasta-se desde 2014, quando o INE alegou a 6000 dos seus colaboradores que não tinha como honrar a sua parte do compromisso, obviamente depois de concluída a monumental tarefa a que se propôs.

Camilo Ceita, o PCA do INE assumiu o kilapi e mostrou aos reclamantes cartas dirigidas aos Ministérios responsáveis pelo desbloqueio dos fundos explicando a situação e rogando para que regularizassem esses pagamentos.

Silêncio!

O Censo Populacional começou por ser orçado em 200 milhões de dólares, mas o exercício financeiro revelou no seu encerramento gastos de 360. Quase o dobro. Nem com isso se conseguiu pagar o kilapi e a forma de encolher os ombros que Camilo Ceita encontrou foi “a crise”.

Silêncio!

Admitamos por um instante que Camilo Ceita depende da versação das verbas pelo Ministério das Finanças e que, sem essas, esteja de pés e mãos atadas. Perante a sua incapacidade em honrar com o seu compromisso, o que lhe resta fazer senão apresentar a sua demissão e sair de queixo levantado? Não, prefere sacudir a poeira, negar todo o tipo de culpa e remeter-se ao…

Silêncio!

Pois de silêncio estão estes colaboradores fartos e irão voltar a manifestar-se na próxima segunda-feira, dia 24 de Abril, pelas 10h00 da manhã, diante da sede do INE, em Luanda.

CTV Maninha

Ana Adriana, a “Maninha”

Foi convocada pela Plataforma pela Inclusão uma manifestação pelos direitos sonegados à pessoas com deficiências, que deverá ter lugar no dia 22 de Abril, partindo do Cemitério Sant’Ana até ao Largo das Heroínas.

Em Julho de 2016 foi aprovada uma lei estabelecendo normas, condições e critérios de acessibilidade para as pessoas com deficiência ou com mobilidade condicionada. Essa lei prevê a eliminação de barreiras arquitetónicas nos edifícios, espaços e equipamentos urbanos, transportes especiais e apropriados, entre outras garantias. Ela segue-se a um decreto presidencial de 2016 que estipulava a regra de quotas de vagas de emprego de 4% para o setor público e 2% para o setor privado para pessoas com algum tipo de deficiência.

Como a maior parte das bonitas leis do nosso ordenamento jurídico, continua a ser letra morta e como é costume, não existem responsáveis pelo incumprimento. Enquanto isso milhares de cidadãos se vêm duplamente penalizados: pela sua condição física e pela exclusão institucional.

Manif Portadores de DeficiÊncia
Nesta peça acompanhamos um dia na vida de Ana Adriana, carinhosamente “Maninha”, para termos uma pequena ideia das dificuldades que pessoas com deficiências passam em cidades que não lhes favorecem a locomoção e em países onde as políticas, quando as há, são apenas carateres numa folha oficial.

Maninha deixou de estudar, a sua faculdade, o ISPSA (Instituto Superior Politécnico Soberano de Angola), foi encerrado por operar de forma ilegal e desde então o sonho de se tornar enfermeira teve de ser adiado. Com alguns cursos básicos, o seu ganha-pão vem do métier de cabeleireira, tendo clientes residentes que a procuram para trançar.

Acompanhe o vídeo abaixo e veja que esta manifestação tem todo o sentido e que a nossa solidariedade é uma obrigação.

CTV Fiscal Eleitoral denuncia

Lourenço José, fiscal do registo eleitoral e autor da denúncia

O registo oficioso chegou ao fim e no dia 19 de Abril o MAT entrega a base de dados de cidadãos registados à CNE e lava as suas mãos.

Várias foram as irregularidades que foram sendo notadas um pouco por todo o país. Sobretudo queixas da presença ostensiva de símbolos e até maratonas do MPLA diante das tendas de registo, acusações de cidadãos estrangeiros terem acesso ao cartão de eleitor, a gafe no concurso da TPA que o MAT explicou mas de forma pouco convincente e, mais recentemente, uma foto de um veículo da CNE transportando vários militantes com camisolas e chapéus do MPLA e do “camarada presidente”.

CNE MPLA Huambo

A imagem fala por si

Neste vídeo, Lourenço José, fiscal do registo, faz uma denúncia que se compagina com as acusações anteriormente mencionadas: um cidadão de nacionalidade Somali consegue de alguma forma um documento da administração conferindo-lhe autenticidade como cidadão angolano que não é, nunca foi. A denúncia foi feita, a polícia deteve o cidadão que apareceu com uma testemunha de Cabinda e obteve deste a confissão da tramóia. Será este um caso isolado? Como confiar neste processo, como validar eleições quando os competidores não estão a concorrer em pé de igualdade e não há mostras de intenção de fazer diferente desta vez?

O Grande Desafio: Mudar o Regime

Posted: April 3, 2017 in Luanda
Filomeno Vieira Lopes

Filomeno Vieira-Lopes, autor do texto

Introdução

Angola, desde a sua independência, tem sido governado por um Partido Político, quer por via directa, quer de forma associada, mas sempre mantendo sua hegemonia política. Por décadas tem experimentado todos os tipos de formas de governação, que nunca trazem a prosperidade para os Angolanos, mas há sempre um denominador e preocupação comuns: a permanência no PODER a todo o custo.

Desde 1992 que o país consentiu que o partido da situação fosse o “pivot” da transição democrática, para superação do estado autoritário. Passados 25 anos, sendo 15 sobre o fim completo da guerra a democracia encontra-se bloqueada. As premissas que suportavam a sua transição, como a abertura do espaço público, a liberdade de imprensa, a liberdade de manifestação (um direito visceralmente não consentido como provou a repressão sobre a última manifestação em 24 de Fevereiro) a separação de poderes, a descentralização política e económica e a despartidarização do Estado, das instituições e da sociedade, o respeito pela Constituição e das leis ou não existem ou são meras caricaturas. Quando as parcas liberdades são consentidas elas são submetidas a controlos e vigias do poderoso aparelho de segurança que age de forma persecutória, à nível pessoal e familiar e é um instrumento activo de contra informação e faz a gestão da punição económica e de oportunidades dos “insurgentes”. É, na realidade, o instrumento político mais preponderante.

Enquanto condições mínimas, que dão decência à gestão do Estado, como prover água potável, energia eléctrica, garantir rendimentos mínimos e um sistema de saúde adequado, rendas acessíveis, saneamento básico, bilhete de identidade e gestão simplificada de serviços públicos, não são realizadas, garantindo ao país o estatuto de “estado delinquente” ou “estado falhado”, a corrupção grassa e percorre todas as esferas do país e das instituições desde o tempo das guerras, onde milhares de cidadãos deram a vida e hoje muitas das suas famílias estão desgraçadas, passando pelos dias da fortuna das receitas petrolíferas até aos dias de hoje. É algo sistémico, endémico, faz parte da natureza do poder e justifica, em última instância, a razão da ausência da democracia e da necessidade da repressão no país. É necessária e intrínseca, como afirmou o Presidente da República por ser a forma moderna de se realizar a “acumulação primitiva do capital”, o que implica a captura do estado por um conjunto proeminentes de militantes do partido da situação.

A Mudança é um Imperativo Nacional de Consenso

Por isto, a impotência do actual poder em mexer nas bases da sua sustentação já não é uma questão subjectiva, de voluntarismo, de liderança de JS ou de JL de enxertia de VA ou de FH. O problema é que, excepto os exageros e os exotismos, que são arestas no contexto, trata-se da natureza do regime, que, de outra forma, seria posta em causa e cairia como um castelo de cartas. É um risco que o poder não pode correr.

Isto traduz a insustentabilidade do partido da situação em operar uma transição democrática associada ao bem-estar dos cidadãos. Pensar o contrário apenas apanha de surpresa os incautos nos períodos de contenda eleitoral.

Às portas das eleições, entretanto, cresce o descontentamento popular contra o regime. Os cidadãos de baixa renda, exactamente aqueles que mais filhos deram às guerras angolanas, ganham crescente consciência da natureza da sua desgraça quotidiana, desde à falta de energia ao desemprego e sem apoios de saúde. A própria classe economicamente média, parte da qual sustentáculo da família extensa, enfrenta não só problemas relacionados com a falta de divisas, como da desorganização reinante e, agora, com o desemprego nas petrolíferas, na construção civil e em outros serviços de mão-de-obra qualificada. A maioria dos empresários precisa de estar ligada a mil liames ao poder para, como água, esgueirarem-se entre pedras e montanhas e encontrarem o seu caminho de sobrevivência.

Há pois um consenso, cada vez mais alargado, sobre a mudança como imperativo nacional. E a Mudança não tem que ser uma palavra mágica. Tem, com efeito, um significado preciso e simples: Constituição de um ESTADO DE DIREITO, onde a separação de poderes é clara, as oportunidades são iguais para todos e onde seja possível combater a pobreza, promover o desenvolvimento, cuidar da saúde e da educação, ter um saneamento básico decente e cada pessoa sentir-se como um cidadão. Eis pois o grande desafio que se coloca à Nação Angolana nos próximos 5 anos para abrir então condições para fazer florescer projectos mais audazes posteriormente de confronto entre as várias visões partidárias. Por ora, a imagem que se sente é que o país está num colete de forças do qual se pretende libertar.

Os agentes da Mudança e as eleições

Uma vez que o partido dominante não oferece condições de prosseguir a transição democrática, resta a oposição essa tarefa, conjugado com os sectores da sociedade civil, que politicamente em consciência se afastam das ilusões dimanadas pelo poder secular e se coloca como veículo dessa transformação. É evidente que as lutas nos mais variados campos, contra o esbulho de terras e destruição de habitação, contra os despedimentos sem justa causa, por melhoria nas condições dos professores e para transporte e melhores condições para os estudantes, por eleições sem mácula protagonizada pelos revús, por estacionamento adequado e actualização de tarifas clamada pelos taxistas, contra os arbítrios, não se encontram com suficiente grau de articulação entre si, nem são ainda um caudal de resistência unido, por insuficiente consciência politica, pouco ajudada pelos partidos políticos da oposição.

Muitos cidadãos depositam nas próximas eleições a possibilidade da Mudança, apesar da relutância no Registo também estar relacionada com a crença de que a fraude é um elemento de legitimação do poder. Mas a grande maioria desses eleitores só acredita na mudança se os partidos da oposição se unirem, em Coligação das forças credíveis. E aqui se encontra o busílis da questão. Há razões de fundo que justificam mas há constrangimentos naturais de ordem legal, emocional e política, que só são ultrapassáveis com uma indomável visão, vontade e “expertise” políticas dos agentes envolvidos, um enorme amor pela Nação e um grande desprendimento pessoal.

É evidente que os eleitores vêem sobretudo o facto de que para quebrar a margem de manobra do partido da situação, só a unidade pode contribuir para uma alternativa de poder.

Contudo, há outros elementos que podem ser estudados e solidificam essa percepção dos eleitores.

Aspectos positivos e constrangimentos duma Coligação

A Democratização do país, distinguindo-se naturalmente do mero Multipartidarismo Parlamentar, é um processo de abertura efectiva, de compromissos de forças diferentes e dessas com a sociedade, baseadas na soberania desta. Uma das razões que vem justificando regimes musculados no país é que a hegemonia dum só partido acaba por não criar compromissos com ninguém. Um poder de compromisso inter-partidário tem maior capacidade de pressão para abrir a sociedade e permitir a democratização do país. Pode criar igualmente um sistema de auto-vigilancia interna, permitindo que tendências não democráticas que possam surgir sejam mais facilmente combatidas, numa espécie de “chek and balance” mútuo.

Um outro aspecto positivo será a capacidade de conciliação e reconciliação nacional. O espectro das forças de oposição, no poder, abre caminho para uma conciliação nacional, entendida como a reformatação do projecto nacional por todas as entidades vivas, debate nunca feito pelo partido da situação, como também integrar milhões de seres, hoje marginalizados e com mágoas (incluindo emigrantes) devido a posições políticas contrárias, no processo duma verdadeira cidadania. Abre igualmente caminho para uma discussão ampla sobre os casos particulares de Cabinda e das Lundas, cujas forças vivas poderiam, desde já, contribuir para a mudança nessas eleições.

É líquido que tal situação pressupõe já a pedra de toque das democracias: a restauração das liberdades, o que dá aos novos opositores garantia de se manifestarem pelas mais diversas formas e transforma a sociedade numa força motriz do processo político.

De resto, as valências para uma governação transformadora exigem múltiplas componentes, desde a capacidade de mobilização no terreno, a formulação duma proposta política que supere o descontentamento, as abordagens participativas, qualidades que só se encontram no conjunto dos partidas e na sociedade civil.

A existência duma Coligação das oposições conduziria desde logo maior entusiasmo pelas eleições, tornando o processo mais participativo. Para além da suspeita da fraude, a abstenção na oposição dever-se-á ao certo a ausência de forças coligadas. Até porque a Unidade de forças concentra votos, torna o voto útil e permite obter mais deputados. Nas eleições precedentes se a UNITA se juntasse à CASA-CE a oposição teria certamente dois deputados em Luanda. Separados, tiveram apenas um, pois os votos que não elegeram o deputado da segunda formação reforçaram o número de deputados do Partido da situação. Estes dois factores podem igualmente ser elencados como positivos no caso de uma Coligação. E este, é sem dúvida, o grande desafio para forças políticas, sobretudo, como o Bloco Democrático-BD, a CASA-CE e a UNITA.

Há, entretanto, vários constrangimentos. Desde logo nossa Lei Eleitoral é irracional e não flexível nesse domínio. Trata uma Coligação Eleitoral como se fosse um partido político, retirando a estes a personalidade parlamentar. Os partidos integrantes da CASA-CE não aparecem como tal no Parlamento, como acontece em Portugal ou em outra democracia. Nossa Lei eleitoral de 1992 permitia que os deputados e grupos parlamentares eleitos por uma Coligação agissem pelos respectivos partidos. A Coligação era mero expediente de potenciação eleitoral. Devido ao facto de, naquele ano, tal ter ocorrido com a Frente para a Democracia (FpD) o Presidente da República, que tem um ódio peculiar pelas lideranças desse partido, percursora do BD, baixou ordens para que o mesmo não entrasse com sua sigla para o Parlamento, havendo exigido que figurasse a sigla AD Coligação pela qual o Partido tinha concorrido e obtido o Deputado. Mais tarde, mandou adaptar a Lei a esta circunstância. Este aspecto retrai os partidos para uma Coligação em que, ademais, seus símbolos, bandeiras e nomes, já afirmados no mercado político, não podem aparecer, como sucede em qualquer país do mundo.

Acresce o facto de na situação actual o país ter já uma Coligação Eleitoral que se teria que desfazer para, enquanto partidos, os seus participantes integrarem uma nova coligação, ou, em contrapartida, todos os partidos entrarem para essa Coligação.

questões emocionais que precisam de ser geridas. Militantes há que lutaram por uma perspectiva de poder absoluto e que agora suspeitam ser esta a oportunidade. Em outros casos, as bases inter-partidárias ainda afectadas com o passado e com uma propaganda atroz contra a oposiçao não conseguem entender as novas tendências e puxar o processo para a frente. Há membros de certos partidos da oposição que adoptaram outras formações políticas e isto não ajuda o ambiente de “novas unidades”. Há partidos com maior capacidade eleitoral que outros.

Politicamente, quase todos os partidos pretendem fazer valer junto do eleitorado o seu peso específico, e há um entusiasmo latente nos partidos da oposição, apesar de saberem que nas actuais condições em que a democracia não impera, tal é praticamente impossível, pois eleições livres e justas pressupõem ambiente, instituições e espirito democrático prevalecentes. E só uma grande força pode ultrapassar as debilidades sistémicas e o golpe permanente.

Caso os partidos encontrem uma formulação que contrarie os constrangimentos duma Coligação precisariam de Acordar num programa comum, nos mecanismos de manutenção de suas dinâmicas de preservação como partido, bem como no método para o exercício da política.

Há, na realidade, muitos aspectos resultantes quer da prática parlamentar da oposiçao, quer da actividade dos partidos e mesmo de consensos esparsos da sociedade civil que poderiam constar numa agenda: A decisão dum Estado de Direito com separação efectiva de poderes, a alteração da Constituição retirando o poder de Decreto ao Presidente da República e outras questões pertinentes, a luta contra a corrupção e a criação de sistema de integridade na função pública, sector empresarial do estado e na sociedade, o combate contra a pobreza, as dotações orçamentais mínimas para a saúde, a educação e o apoio ao rendimento mínimo, a descentralização e o poder autárquico e uma política de Paz para a região que minimize o orçamento militar.

As outras alternativas: Acordo de Incidência Parlamentar antes e depois das Eleições

Se os partidos da oposição referidos não se coligarem que alternativas restam, mobilizadoras do eleitorado e na conquista democrática?

É a segunda questão. Os partidos podem fazer um Acordo de Incidência Parlamentar, antes das Eleições na base das questões atrás referidas. Isto permite assegurar algum entusiasmo no eleitorado no sentido de que votando no partido de sua preferência haverá uma possibilidade previsível de articulação politica no Parlamento. Os partidos poderão em caso de maioria parlamentar governar o país se um dos partidos vencer as eleições e, consequentemente, o Executivo, ou terem uma politica de resistência no Parlamento se tiveram a maioria mas não o Executivo. Este é o aspecto benéfico. O risco contudo, é que pode não se chegar lá porque não estando o voto concentrado, muitos deputados que poderiam pertencer à oposição serão do partido no poder e não há garantia de travar a abstenção do lado da oposição.

No caso destas duas modalidades (Coligação e Acordo pré-eleitoral) não poderem ser acordadas os partidos apostarão no seu peso específico no poder, via assembleia nacional, e podem fazer um acordo político pós-eleições. Esse modelo anunciado já pelo presidente da UNITA e provavelmente da preferência da CASA-CE e de outros políticos é, no contexto, o menos favorável a contribuir para a mudança. Se ocorre que um Partido ganhe, utilizará a mesma modalidade do partido da situação: convidar os outros com estatuto de menoridade, ou ter o apoio dos outros partidos para poder governar. Uma situação normal numa democracia estabelecida, mas difícil de se realizar com êxito em contextos com instituições fracas e onde a política intermedeia o acesso à riqueza.

Este é também um contexto em que o eleitorado vota não numa plataforma de unidade, mas nos projectos dos partidos políticos, onde cada um tentará maximizar as suas promessas, quando no país real só forças conjugadas estarão capazes de transforma-lo, uma tarefa ingente se avaliarmos com realismo o estado da Nação.

Os partidos da oposição estão mais apostados, embora sem unanismos internos, nessa última articulação. Isto é indubitável que favorece a manobra do partido da situação empenhado em mostrar que tem uma plataforma ampla e pede de joelhos ao eleitorado que lhe dê mais uma oportunidade de prosseguir a sua acumulação primitiva depredadora, a opressão sobre o povo e a repressão sobre os sectores frontais à sua política.

A Perspectiva Minimalista de Unidade

Resta como único processo de Unidade o controlo das eleições pela Verdade Eleitoral. É lógico que os partidos da oposição credível sabem que, serão prejudicados pela actuação fraudulenta do partido da situação, se unam nessa batalha com todas as suas forças para que evitar que as eleições se transformem num espetáculo ridículo, promotor de pseudodemocracia. Os sinais devem ser dados desde já e em associação com todos os cidadãos que já perceberam que as eleições são o momento da sua soberania e os partidos políticos, seus meros intermediários. Dizer que as eleições estão ganhas pelo partido da situação por fraude é atirar a toalha ao tapete. É nestas circunstancias que faz sentido afirmar que a democracia conquista-se. Só com o empenho de todos no controlo de todas as fases eleitorais e evitando na prática os golpes já habituais é que haverá a certeza que o voto colocado na urna para um determinado partido seja contado para o mesmo.

Nesse sentido, é preciso que os partidos da oposição saibam organizar o povo para não consentir manobras, o que significa que é preciso ter a força suficiente para não deixar que o processo avance sempre que se verifiquem situações que ponham em causa a sua seriedade e transparência.

Conclusão: O Grande Desafio

Se os partidos da oposição forem capazes de conjugar a luta pela Verdade Eleitoral à capacidade política de olhar para frente no interesse nacional estaremos em condições de evitar a reprodução do regime que precisa de ser desalojado para permitir a desejada transição democrática e o desenvolvimento social. É uma tarefa ingente, mas para grandes obras, só opções corajosas, determinadas e decididas.

Filomeno Vieira Lopes

(Membro da Comissão Política do Bloco Democrático e Coordenador do Gabinete Eleitoral)

No dia 24 de Março levámos a petição “Eu sou pela coligação e assino!” às ruas. Resolvemos começar pelos centros de esclarecimento académico onde as explicações seriam menos fastidiosas e a compreensão daquilo ao que vínhamos mais célere. Duas equipas se meteram no terreno, uma no centro da cidade e a outra em Luanda-Sul.

Na UAN (Universidade Agostinho Neto) a equipa 1 começou sem percalços até que as ordens superiores vieram para abandonarem o recinto. A imbecilidade contagiou a academia. Sendo a instituição pública, ficaram até que lhes apetecesse retirar-se e só no dia seguinte souberam que tinha sido chamada a brigada escolar que, felizmente (para todos), só chegou depois de já se terem feito à estrada. Entretanto o Hitler foi chamado pelo decano Víctor Kajibanga e viu-se ameaçado de expulsão. Hoje, dia 27 de Março e primeiro da semana, Hitler encontrou portões que normalmente estão abertos encerrados para melhor controle do fluxo de “ilegais”. Travando o vento com as mãos.

A equipa 2 passou pela UTANGA e deu com o estabelecimento praticamente às moscas, pelo que decidiu rumar para o Mercado de Luanda-Sul. Algumas dificuldades em ultrapassar a barreira da suspeição e do medo mas, no final, algumas assinaturas foram conseguidas.Depois de pouco mais de 3 horas de trabalho, 174 assinaturas e algumas pessoas informadas acerca da petição.”Eu sou pela coligação e assino!” é uma petição endereçada aos partidos da oposição em Angola, solicitando que se coliguem para as eleições de 2017. Não depois, agora!Nunca é tarde. Podes também tu recolher assinaturas e fazer com que cheguem a nós. Podes ainda assinar a petição online. Basta que sigas o link para te informares melhor.
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Movimento Revolucionário de Benguela reunido num descampado no Lobito

Benguela é uma província costeira no centro-sul de Angola. Com cerca de 2 milhões de habitantes é a 3ª província mais populosa do país e tem 10 municípios.

É no município do Lobito que encontramos o epicentro da cidadania-ativa. A Omunga, uma das mais conhecidas organizações não-governamentais angolanas, conduzida por José Patrocínio, tem a sua sede aqui. É também nesta cidade que se encontra um grupo de tenazes jovens que se auto-denominam de Movimento Revolucionário de Benguela, um grupo de cidadãos que exige o fim das práticas nefastas ao desenvolvimento como corrupção, nepotismo e supressão das liberdades fundamentais.

Este mini documentário é uma modesta tentativa de dar a conhecer um pouco melhor essa franja da juventude benguelense que tem estado a conquistar palmo à palmo – e à duras penas –  um ténue espaço de democracia participativa no Lobito.

Amiúde ignorados pela grande imprensa e população em geral, na sombra das suas companheiras e companheiros de luta na capital, pareceu-nos pertinente produzir esta peça e com ela nos vergarmos perante o seu combate, que também é o nosso.

Apesar de todas as sevícias e cerceamento às liberdades fundamentais de que vêm sido alvo – já estiveram retidos em esquadras policiais pelo menos uma dúzia de vezes e, alguns deles, foram julgados sumariamente e condenados a dois meses de prisão efetiva pelo crime de assoada em 2016 – estes jovens não se demovem, pois para cada detenção há um punhado de bons motivos para persistir e é precisamente o que faz o Movimento Revolucionário de Benguela, com alguma arte e boa disposição à mistura.

Obrigado pela inspiração