Archive for the ‘Manifestação 2 Abril’ Category

COMUNICADO DE IMPRENSA

 

Contactos dos organizadores:

http://www.centralangola7311.net

dia7angola@gmail.com

Telefone:

+244 912 419 740

+244 924 435 234

 

 

 

ANGOLANOS SAEM À RUA PARA PEDIR LIBERDADE DE EXPRESSÃO

 

 

LUANDA, 1 de Abril de 2011

Foi convocada para este sábado, dia 2 de Abril, às 13:00, em Luanda, uma manifestação pública, pacífica e apartidária no Largo da Independência, com o objectivo de reivindicar “Liberdade de Expressão em Angola”. A iniciativa foi lançada publicamente no dia 25 de Março por um grupo de jovens angolanos sem filiação partidária, através da sua página na Internet, “CentralAngola7311.net”. Alguns destes jovens foram detidos no passado dia 7 de Março quando se tentavam manifestar pacificamente no Largo da Independência.

O Governo Provincial de Luanda (GPL) foi informado por escrito desta convocatória através de uma carta endereçada ao governador da província de Luanda, José Maria dos Santos, com data de 24 de Março. De acordo com a lei 16/91, ao não haver resposta por parte do GPL durante as seguintes 24 horas, a manifestação é automaticamente autorizada. Esta carta pode ser lida na íntegra no site desta iniciativa.

Na passada quinta-feira, GPL convocou os organizadores e informou que a manifestação só estaria autorizada se fosse realizada no Parque da Independência – e não no Largo da Independência, como foi inicialmente convocada. Carlos  Alberto Cavukila, que responde pelo Gabinete  Jurídico daquela instituição governamental, explicou aos jovens que o Largo da Independência seria usado pelo GPL para uma actividade relativa ao dia 4 de Abril, data em que se celebra o Dia da Paz em Angola. Esta mesma decisão foi enviada por escrito a somente um dos organizadores nesse dia.

Contudo, os organizadores decidiram manter o local inicial da convocatória considerando que têm legitimidade legal para o fazer dado que o comunicado do GPL, de acordo com a lei, seria válido apenas se enviado 5 dias antes. Os jovens enviaram, ainda, uma carta à Polícia Nacional, explicando o sucedido e apelando a que acudisse ao local para garantir a segurança dos manifestantes.

Assim sendo, a manifestação terá lugar amanhã no Largo da Independência, à 13 horas, e promete ter mais adesão por parte da sociedade civil angolana que a do passado dia 7 de Março. Alguns partidos da oposição manifestaram já o seu apoio à iniciativa.

 

No seu site, o movimento explica que se vive um clima de medo e desconfiança política em Angola. Queremos que todos os angolanos possam manifestar livremente a sua opinião sobre o país, quer estejam de acordo com as políticas do regime, quer estejam descontentes e discordem dessas políticas”, defendem. “Nós, sociedade civil, queremos ter voz. Queremos fazer parte do debate político e opinar sobre o futuro da nação”. Os jovens alertam ainda para as eleições presidenciais marcadas para 2012 e para a importância de se preservar a liberdade de expressão, nesse contexto.“Exigimos liberdade de expressão em Angola, especialmente quando se avizinham eleições no nosso país e queremos poder decidir livremente o nosso destino e consolidar a nossa democracia. Acreditamos que Angola reúne todas as condições para construir uma democracia exemplar em África, devolvendo a soberania ao povo.”

Os organizadores mostram-se conscientes de que “o clima de medo e desconfiança que se vive em Angola não é propício à adesão das pessoas a qualquer tipo de convocatória deste género. Sabemos também que essa é mais uma das razões que justifica esta acção”, acrescentam.Deverá ser do interesse de todos os agentes políticos do país, organizações políticas, Governo, Assembleia da República, Presidente da República, meios de comunicação social e, principalmente, da sociedade civil em geral, defender esta acção pela liberdade de expressão em Angola.” Apelam ainda a que os meios de comunicação social nacionais e internacionais cumpram o dever de cobrir com objectividade os acontecimentos de amanhã, em Luanda.

 

 

Conseguir levar para adiante uma manifestação destas em Angola requer persistência. Muitos foram os entraves levantados ao longo dos dias, começando pela acusação de ambiguidade na linguagem da carta com o tema “Reunião/Manifestação”; depois essa tentativa de drible por parte do GPL que nos quis empurrar para outro lugar que não o combinado para esta Manifestação…
Enfim, para acabar com as última dúvidas fica aqui um esclarecimento jurídico dos nossos direitos cívicos, legais e constitucionais.
Afinal o motivo que nos faz sair à rua amanhã é bem simples e acima de tudo LEGÍTIMO.
Deixem-nos sair.
Deixem-nos falar.
Amanhã saímos.
Amanhã falamos e exigimos LIBERDADE e DEMOCRACIA para Angola.
PELA A LIBERDADE DE EXPRESSÃO EM ANGOLA
AMANHÃ ÀS 13:00 NO LARGO DA INDEPENDÊNCIA

QUESTÕES LEGAIS SOBRE A MANIFESTAÇÃO

Qual é a justificação com base na Constituição e na lei para, contrariamente à vontade dos promotores de uma reunião e manifestação, o órgão competente impor outro espaço público, que não o escolhido, para a realização da reunião ou manifestação?/ A justificação tem de se basear na necessidade (ser mesmo necessária a realização da reunião e manifestação noutro local ou impossível a realização no espaço pretendido); a justificação deve ser razoável; a justificação dever ser proporcional./ A justificação dever ser apresentada no prazo previsto legalmente e ser comunicada de forma idónea: com observância de formalidades, por exemplo, dever ser o órgão ou o titular do órgão competente para o efeito a comunciar a justificação, e esta, de preferência, deve tomar a forma escrita (documento escrito).

Na República de Angola, os direitos liberdades e garantias do cidadão só podem ser restringidos com base na lei e desde que previsto pela Constituição, e, ainda assim, devendo as restrições limitar-se ao necessário, proporcional e razoável numa sociedade livre e democrática, para salvaguardar outros direitos ou interesses constitucionalmente protegidos.” (art. 57.º/1 da Constituição da República de Angola – CRA). E, note-se bem, “A adminsitração pública prossegue, nos termos da Constituição e da lei, o interesse público, devendo, no exercício da sua actividade, reger-se pelos princípios da igualdade, legalidade, justiça, proporcionalidade, imparcialidade, responsabilização, probidade administrativa e respeito pelo património público. A prossecuação do interesse público deve respeitar os direitos legalmente protegidos dos particulares.” (art. 198.º/1/2 da CRA).

Uma manifestação pode ser definida como uma reunião qualificada/ou uma manifestação pode tomar a forma de um reunião

A manisfestação é uma reunião qualificada – qualificada não tanto pela forma (concentração, comício, desfile, cortejo, passeata) quanto pela sua função de exibição de ideias, crenças, opiniões, posições políticas ou sociais, permanentes ou conjunturais; qualificada pela consciência e pela vontade comuns a todos os participantes de exprimirem ou explicitarem uma mensagem contra ou dirigidas a terceiros, normalmente a “opinião pública”; qualificada ainda por ser sempre em local público.” – Jorge Miranda e Rui Medeiros, Constituição da República Portuguesa Anotada, Tomo I, Coimbra Editora, 2005, p. 464.

“O direito de reunião e de manifestação só pode ser compreendido como direito de liberdade, decompondo-se em três vertentes: a) Liberdade de promoção, convocação e organização, ou liberdade de ecolha dos fins, dos participantes, do tempo e do local das reuniões ou manifestações. b) Liberdade de participação (ou não participação) em reuniões e manifestações. c) Liberdade de realização concreta e actual de reuniões e manifestações, ou liberdade de reunião e de manifestação strictissimo sensu.” – Jorge Miranda e Rui Medeiros, Constituição da República Portuguesa Anotada, Tomo I, Coimbra Editora, 2005, p. 464.

Atente-se, ainda que “o direito de reunião e de manifestação consagrado na Constituição consiste na faculdade que duas ou mais pessoas têm de se encontrar, de forma temporária, pacífica e sem armas, num determinado local, público ou aberto ao público, geralmente mediante uma convocatória prévia e com um mínimo de organização, para ouvir, debater e/ou manifestar ideias ou opiniões ou para prosseguir outros interesses comuns lícitos.” – António Francisco de Sousa, Direito de Reunião e de manifestação, quid Juris Sociedade Editora, Lisboa, 2009, p. 17).

Fernando Macedo

Lei de reunião e manifestação

A carta abaixo será assinada e entregue amanhã pela manhã no Comando Geral da PN.

Ao Comandante Geral da Polícia Nacional
Exmo Sr. Ambrósio de Lemos

Estimado senhor,

Escrevemos-lhe motivados pela apreensão que nos despertou a dinâmica dos últimos dias, depois do pronunciamento “favorável” do GPL no que concerne a convocada reunião/manifestação agendada para o dia 2 de Abril no LARGO da Independência.

Parece-nos estar a preparar-se da parte do GPL uma espécie de cilada jurídica quando eles tentam sublinhar o carácter de “reunião” aludido na carta que lhes foi remetida e fazem os possíveis para nos “empurrar” para o interior do PARQUE da Independência, que não é o local indicado na carta, como poderão constatar em anexo.

Ao analisar cuidadosamente a lei que regula o direito à reunião/manifestação consagrado no artigo 47º da nossa constituição, a infâme lei 16/91 (vide anexo B com sublinhados nossos), concluímos o seguinte:

– As restrições impostas pelos seus artigos 4º e 5º são tão grotescas, que, praticamente anulando a uma condição limítrofe o supracitado direito, obrigam-nos a proceder a um malabarismo circense para conseguirmos sair à rua e manifestar-nos.

– O facto de se extrapolar o contido no ponto 3 do artigo 4º, proibindo ilegal e sistematicamente manifestações, pelo simples feito de no seu cortejo se passar a menos de 100 m de um EDIFÍCIO público (não coberto pela lei, mas ainda assim usado como pretexto), inviabiliza a realização de uma manifestação tal como esta se encontra definida pelo artigo 2º da dita lei, pois não conseguimos desenhar um percurso que, fazendo uso da via pública, não passe a uma distância inferior a que por ela é imposta.

– Assim sendo e para não fugir do âmbito desta lei caduca, fomos forçados a limitar-nos a uma concentração num único local, evitando assim o risco de passarmos a menos de 100 m de edifícios públicos, caíndo desta forma a nossa intenção para o domínio do que se define como “reunião”, que foi o termo utilizado na nossa comunicação.

– No entanto, foi expressamente mencionado no segundo parágrafo da carta que apresentámos, que pretenderíamos auferir, caso assim entendessemos, do resto do conteúdo que baliza a definição de “manifestação”, a saber, o direito ao discurso ou comício político.

– Não vindo explícita em nenhuma das definições onde se inclui ou exclui o uso de palavras de ordem ou cartazes, deduzimos que não haverá impedimento nenhum em fazê-lo.

– O GPL teria 24 horas a partir do momento em que acusam a recepção da nossa missiva, para se pronunciar sobre qualquer impedimento ou condicionante que obrigasse a mudar o dia ou o local da nossa manifestação, sendo que o não pronunciamento implicaria uma aceitação AUTOMÁTICA da nossa comunicação. Isto está plasmado de forma inequívoca e incontornável no artigo 7º da dita lei. A comunicação de qualquer impedimento ou alteração dentro dos prazos definidos pela lei, teria de ser feita POR ESCRITO e a TODOS os subscritores da carta entregue ao GPL.

Tendo em conta estes factores, a carta assinada pelo punho do Governador José Maria dos Santos, vem tarde e em má hora, pois, como se pode ver na dita carta em anexo, ela foi recebida no dia 30, 6 dias após a que lhes foi entregue no seu guichet e, com a agravante de ter sido exclusivamente remetida a um dos subscritores (Luaty Beirão). Esta fica portanto, nos termos da lei, considerada como inválida, e dever-se-á manter a convocatória original para o LARGO da Independência, pois não temos culpa se o GPL não consegue agir em conformidade com os limites estipulados na lei.
Rogamos então à vossas excelências que, como garantes da lei e da ordem no nosso país, mantenham a vossa anunciada posição de PROTEGER os manifestantes e de não acatar ordens e/ou proibições arbitrárias que vão de encontro ao vosso nobre trabalho em serviço do povo.

Da nossa parte, podem contar que tudo faremos para garantir que as coisas se passem sem sobressaltos ou violações à ordem pública, que estimamos tanto quanto qualquer cidadão que se proclame adepto da paz e da tranquilidade social. Agradecemos o vosso contributo e compreensão na gestão de eventuais ocorrências desprestigiantes das nossas mais sinceras, pacíficas intenções.

Sem mais nos subscrevemos atenciosamente,

Alguns dos co-organizadores

Voltamos a lembrar a todos os cidadãos angolanos na diáspora que há uma boa maneira de apoiar esta manifestação pela Liberdade de Expressão e de dizer aos seus compatriotas que vão sair à rua no sábado que não estão sozinhos.

Leiam o Manifesto dos Cidadãos Angolanos Residentes na Diáspora e assinem o abaixo-assinado. Quantos mais estivermos a lutar pelos nossos direitos, mais fortes somos. Passem a todos os vossos contactos este abaixo assinado e apoiem a Manifestação de sábado. Afinal, é um direito de TODOS.

A Central 7311

VEJAM E ASSINEM O ABAIXO-ASSINADO AQUI

 

Ontem, dia 29 de Março, a Rádio Ecclésia e a Voice of América (VOA) mostraram-se interessadas na convocatória para a Manifestação deste sábado e entrevistaram alguns de nós, onde explicamos as razões de querermos sair à rua para exigir LIBERDADE DE EXPRESSÃO. Ficam esclarecidas as nossas motivações, a importância do direito à Liberdade de Expressão e o nosso desejo de que este sábado esteja garantida a segurança de todos os manifestantes, ou seja, que a manifestação no Largo da Independência decorra sem qualquer incidente.

 

Pode-se ouvir na integra a reportagem da Rádio Ecclésia AQUI:

http://www.radioecclesia.org/index.php?option=com_rokdownloads&view=file&task=play&Itemid=469&id=16366:jovens-de-diferentes-estratos-sociais-decidiram-sair-a-rua-no-proximo-sabado-dia-2-de-abril-para-exigir-das-autoridades-a-liberdade-de-expressao-mais-dados-com-o-anastacio-sassemblele

A reportagem da VOA está disponível AQUI:

http://www.voanews.com/portuguese/news/angola/03_29_2011_angolademosntration_voanews-118849099.html

A Central 7311

Divulgamos aqui no site este novo programa na VOA que estreia esta sexta-feira, nas vésperas da manifestação pela Liberdade de Expressão. Uma boa iniciativa que promove a participação de todos na vida política através do debate e da opinião livre.

A Central 7311
O programa de rádio “ANGOLA, FALA SÓ” começa esta sexta-feira, um dia antes da manifestação pela liberdade de expressão.

ANGOLA FALA SÓ: Novo programa de opinião pública da VOA, sextas-feiras às 18h00 a partir de 1 de Abril. Convidado especial Justino Pinto de Andrade

A PARTIR DE 1 DE ABRIL, PODE FALAR EM DIRECTO, TODAS AS SEMANAS NO NOVO PROGRAMA DA VOZ DA AMÉRICA (VOA), “ANGOLA, FALA SÓ”. TRATA-SE DE UM PROGRAMA DE OPINIÃO PÚBLICA EM QUE, GARANTIMOS, O MAIS IMPORTANTE É A SUA OPINIÃO. TODAS AS SEMANAS ABRIMOS OS MICROFONES AOS OUVINTES ANGOLANOS, ONDE QUER QUE ESTEJAM. TODAS AS OPINIÕES SÃO PERMITIDAS E ENCORAJADAS (SÓ NÃO QUEREMOS INSULTOS NEM ATAQUES PESSOAIS) SOBRE OS ASSUNTOS IMPORTANTES DA VIDA DE ANGOLA E DOS ANGOLANOS.
“ANGOLA, FALA SÓ” É PARA SI.
PODE PARTICIPAR GRÁTIS, TODAS AS SEXTAS-FEIRAS DAS 18H00 ÀS 18H30.
ESCOLHA UMA DESTAS TRÊS FORMAS DE PARTICIPAÇÃO:
1 – ENVIE UM SMS COM SEU NOME E NÚMERO DE TELEFONE PARA 932 34 86 98 (pode enviar 24 horas por dia, 7 dias por semana e a equipa da VOA liga para si à hora do programa).
2 – ENVIE UME MENSAGEM DE E-MAIL, COM O SEU NOME E NÚMERO DE TELEFONE, PARA AngolaFalaSo@gmail.com(pode enviar 24 horas por dia, 7 dias por semana e a equipa da VOA liga para si à hora do programa).
3 – OU… TELEFONE A PAGAR NO DESTINO LIGANDO PARA A ANGOLA TELECOM. PEÇA À OPERADORA UMA CHAMADA A PAGAR NO DESTINO (“COLLECT CALL”), PARA 001 202 619 2077 (fale à vontade, nós pagamos a conta; serviço disponivel só à hora do programa)

 

Parece estar a existir uma certa resistência à escolha de palavras na carta endereçada ao Governador de Luanda, quando se elegeu o termo “reunião” ao invés de “manifestação”, sendo que na campanha que agora lançamos tentando granjear o maior número de simpatizantes possível para o dia da convocatória, subrepticiamente e maliciosamente preterimos do vocábulo mais pacificador propalando que se trata de uma manifestação. Ora, muitos podem achar isto desonesto e perigoso podendo justificar uma ação reprovatória coerciva por parte das forças da ordem, mas na verdade, estamos a alinhar no jogo de trocadilhos jurídicos e ambiguidades legislativas que amiúde lhes servem contra nós, usando à nossa conveniência os termos para conseguirmos os resultados mais aproximados daquilo que desejamos.

Muitos desses comentários são fundamentados usando como base a nossa noção intelectual de “manifestação” e “reunião”, mas excluíndo as mais relevantes neste caso, as definições nos termos da lei. O direito que auferimos à manifestação/reunião referido no artigo 47º da constituição é regulado (ainda) pela lei 16/91 que define estes dois conceitos da seguinte maneira:

1 – Para efeitos da presente lei, entende-se por reunião, o agrupamento temporário de pessoas, organizado e não institucionalizado destinado a troca de ideias sobre assuntos de natureza diversa, nomeadamente políticos, sociais ou de interesse público ou a quaisquer outros fins lícitos.

2 – Por manifestação entende-se o desfile, o cortejo ou comício destinado à expressão pública duma vontade sobre assuntos políticos, sociais, de interesse público ou outros.

Ora então analisemos. Irei julgar, com risco de estar a incorrer numa falácia, a definição intelectual de manifestação/reunião da maioria, tendo em conta as minhas próprias. Quando penso numa manifestação, imagino um grupo de pessoas fazendo um trajecto previamente definido e com destino inequivocamente indicado, à pé, com cartazes na mão e gritando refrões e palavras de ordem ao longo de um certo número de horas indefinidas (normalmente até as pessoas se cansarem e debandarem). Quando penso numa reunião pública, confessando desde já que jamais me debrucei sobre esta definição (talvez por nunca ter participado em nenhuma ou por tudo o que saia do domínio de manifestação ter uma panóplia de definições diferindo apenas por pequenas nuances), imagino um grupo de pessoas sentados num local, conversando, discutindo assuntos de natureza diversa, criando correntes de pensamento.

Agora vejamos a diferença entre a minha “impressão” e a lei:

Manifestação = desfile, cortejo ou comício
Reunião = agrupamento temporário de pessoas

Quero começar com esses dois pontos para clarificar a natureza ambígua da nossa convocatória. Nós NÃO IREMOS desfilar ou fazer um cortejo, mas sim, concentrar-nos, ou agrupar-nos (para usar o palavreado explícito na lei) na Praça da Independência. Se a análise se ficar por aqui, estamos perante uma “reunião”, espero que todos concordem com esta lógica!?!

O problema surge quando tentamos esmiuçar excessivamente o resto:

Manifestação = comício destinado à expressão pública duma vontade sobre assuntos políticos, sociais, de interesse público ou outros
Reunião = destinado a troca de ideias sobre assuntos de natureza diversa, nomeadamente políticos, sociais ou de interesse público ou a quaisquer outros fins lícitos.

Aqui é que a porca torce o rabo, pois estas definições são vagas e deixam margem para interpretações distintas. O que é (ou deixa de ser) um assunto de interesse público e, pior, quais são os “outros”? Como poderia ser inviabilizada uma manifestação que escolha “outros” assuntos sendo que esta variante está (mal) coberta na lei? E para os “fins lícitos” como fazemos? Temos de ter uma definição e lista extensa do que é lícito e ilícito, ou temos de usar só o nosso “bom senso”?

Sendo que o nosso mambo está situado algures entre uma e outra definição, logo ambíguo, a escolha de um ou outro termo é pura e simplesmente uma questão de semântica e de oportunismo. O termo “manifestação” causa hemorróidas aos nossos dirigentes, por isso se optou por um pacífico “reunião”. Em contrapartida, o termo “reunião”, segundo as nossas interpretações intelectuais, soa frouxo demais para mobilizar as pessoas. No entanto, para não deixar espaço ao GPL que nos reprovasse qualquer uma das acções, fizemos questão de ressalvar que, apesar de não haver cortejo, reservar-nos-iamos ao direito de usufruir do disposto na definição de manif (vide paragráfo 2 da carta por nós enviada ao GPL).

Reparem agora que em lado nenhum na definição de manif se faz referência aos outros elementos que populam o nosso imaginário intelectual: nem cartazes, nem palavras de ordem. Estará isto incluído no conceito de “discursos”? Ou será que dedicar-se a esta prática “anti-social” torna inviável e logo ilegalizável a manifestação? Permanece a dúvida. As palavras reservam-se sempre ao direito de conservar a sua ambiguidade e defendendo-se nesse limbo, os nossos prepotentes dirigentes arrogam-se ao direito de nos interditar um direito fundamental.

A razão principal de termos optado pela concentração/reunião desta vez é muito simples: o ponto 3 do artigo 4º da lei 16/91 deixa a critério do julgamento das “autoridades competentes” (GPL) a invalidação do nosso direito caso o cortejo ou desfile passe a menos de 100m de edifícios vários, uma lista interminável e praticamente incontornável, pois não conhecemos nesta nossa cidade uma rua que não tenha um edifício público (escolas incluídas). Ia ser muito fácil nos barrarem.

Independentemente da conclusão de cada um, dado que nem para reunião nem para manifestação carecemos de AUTORIZAÇÃO, creio ser irrelevante o uso de um ou outro termo. Eles têm mais é de nos garantir as condições de segurança para usufruirmos dos nossos direitos.

Vem quem quiser, não arrangem desculpas infundadas para se subtraírem mais uma vez procurando encontrar paz e tranquilidade de consciência baseadas nesses pretextos. Ninguém vos julga se não estiverem lá, mas escusam de tentar nos convencer com argumentos fugidios que o erro foi nosso e que esse “erro” só por si, justifica a vossa escolha de não adesão.

Saudações

A Central 7311

Angonotícias, Club-K, Angola 24 Horas, Zwela Angola, …

Basta uma visita rápida à secção de comentários destes sites para ver a ânsia dos angolanos em opinar. Encontra-se todo o tipo de posição e parece que todo o mundo tem uma opinião sobre tudo. Detrás de nomes fictícios, os angolanos sentem-se cómodos para manifestar a sua revolta, a sua discórdia, a sua miséria, o seu medo, as suas crenças, as teorias da conspiração, ou aproveitam maldosamente para desestabilizar o debate e ofender de forma gratuita figuras públicas e demais comentadores. Está claro que não é disto que se trata quando exigimos liberdade de expressão.

Esta quantidade de comentários efusivos é sinal de que os angolanos querem ser ouvidos, querem participar e têm interesse no que acontece no país a nível político. Mas este caótico mar de opiniões e esta falta de seriedade e consistência nos argumentos, causada em parte pela condição de anonimato, não serve de muito.

O debate só vai começar a ter frutos concretos quando pudermos todos assumir as nossas opiniões às claras. Ai seremos obrigados a pensar melhor sobre as notícias e temas em questão, formulando melhor o raciocínio e sendo mais respeituosos com os demais comentadores para que a nossa posição ganhe credibilidade e peso no debate. E, acima de tudo, será mais fácil controlar a verdade da informação, pois todos sabemos de como é fácil pôr a circular um rumor falso em Angola.

Deste modo, a troca de ideias ganha importância na esfera pública, mostrando que os cidadãos estão atentos, que o debate não é exclusivo do âmbito partidário e que a internet pode ser uma ferramenta importante para fomentar a participação política. Além disso, criam-se as condições para um voto mais consciente e os nossos governantes saberão traduzir a nossa vontade em políticas mais úteis e mais justas.

Está claro que se assim for, ganha a democracia. Está claro que se continuarmos como estamos, perde Angola. Está nas nossas mãos conquistar essa liberdade de expressão.

SÁBADO DIA 2 DE ABRIL 13:00

NO LARGO DA INDEPENDÊNCIA EM LUANDA

PELA LIBERDADE DE EXPRESSÃO EM ANGOLA

 

 

A Central 7311