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Foi elaborada uma carta para informar o GPL da possibilidade de começarmos a sair espontaneamente às ruas até que se liberte ou se regule a situação do menor Nito Alves, preso sem julgamento na Comarca Central de Luanda, sem que um desfecho se perfile no horizonte, situação que consideramos absurda e aberrante.

Mbanza Hamza deslocou-se pessoalmente ao GPL e, antecipando que lhe fossem dificultar a vida, decidiu guardar um registo como prova das esquindivas serpenteantes do GPL para receber uma simples carta.

A burrocracia é simplesmente demais e depois de 45 minutos de sobe e desce, o mano acabou mesmo por vir sem conseguir fazer a entrega do documento porque as SECRETÁRIAS recusaram-se a aceitar recebê-la.

A carta exprimia preocupaçção acerca do caso Nito Alves e deixava o alerta que a qualquer momento os ativistas poderiam sair às ruas a qualquer instante em protesto com a aberração jurídica que se tem verificado no caso do menor.

Sendo certo que, e por razões óbvias, a manifestação espontânea não carece de aviso, fez-se questão de, por cortesia, advertir ao Bento Bento que a manifestação nas ruas será uma das maneiras de intervirmos em defesa do nosso irmão, amigo, companheiro de luta, caçula, Nito Alves.

Não aceitaram, consideramos entregue!

Escutem como rodopiaram o Mbanza:

Isabel João foi até a Comarca Central de Luanda, pagou 500 Kwanzas para visitar o prisioneiro (sem julgamento) menor de idade Manuel Nito Alves que descreve as condições pestilentas em que é mantido, numa cela com 200 outros, só toma banho uma vez por semana, caga no saco e, derivado dessa situação contraiu sarna, sem que lhe seja prestada assistência médica.

Acompanhe a totalidade da entrevista nas imagens abaixo:

Nito Alves Entrevista NJ pg.1 Nito Alves Entrevista NJ pg.2

Relato #1, por Hitler Samussuku

BI Hitler

Quando achámos que havia escassa polícia  no largo 1º de maio, estávamos todos iludidos. Mais uma vez o sistema usou uma estratégia maquiavélica para embaçar os manifestantes.

Às 13h00 horas marcadas para o dar início a mais uma manifestação, o largo estava todo mudo, não se sentia nem ouvia aquela opressão (polícias da ordem pública, brigada canina, brigada anti-crime e anti-motim que sempre se fazem presentes de forma ostensiva em manifestações), apenas havia uma viatura denfronte a estátua, no seu lugar habitual (*), as outras estavam escondidas: havia uma viatura defronte ao IMEL (1), uma no Chamavo (2), outra no beco do Nzinga(3) e mais uma na entrada do Cine Atlântico (4).

Mapa Manif artigo Itler com Carros

Nota do revisor: Antes da chegada do Hitler, havia igualmente uma carrinha da brigada canina estacionada no Largo que depois se retirou, como poderão comprovar na imagem abaixo que um internauta nos enviou ainda pela manhã. O mesmo internauta identificou outras viaturas para “contenção” concentradas defronte ao Cemitério Sant’Ana. Ao entrarem em função os Kaenches, a viatura notada com * no mapa acima, que costuma estar todos os dias no semáforo do largo, retirou-se do local, deixando os manifestantes entregues à uma batalha campal com os kaenches.

Até 13h30 o largo continuava calmo, jovens e crianças brincavam no jardim e nos arredores do largo havia muitos senhores sentados nas cadeiras, bem vestidos, os mais velhos com fato e gravata, calças e camisa à preceito e os jovens bastante diversificados mas todos com um ar limpo e polido. Um deles, vi mais tarde, conduzia um jeep Tundra que tinha deixado estacionado à frente da César e filhos. Menciono esta gente neste relato porque, veio a revelar-se, eram todos bófias.

Cinco minutos depois, fui abordado por 3 agentes com farda azul escura reforçada (tipo PIR) e metralhadora, mandaram abrir a mochila para verificar o material que eu levava e suspeitaram que eu era um dos que estava a ser procurado para ser travado.  Depois de um breve interrogatório (de onde vens, para onde vais, perguntas de rotina), já estavam a me levar, depois me soltaram. Dei meia volta, troquei de camisola e bazei no cyber.

Àss 14 horas liguei para o Mbanza e ele disse-me: “não vou aparecer aí agora, aponta o numero do Mandela…”. Apontei e liguei ao Mandela:

– Onde posso te encontrar?

– Estou a descair a partir do Zé Pirão

– Nos encontramos no Chamavo?

– Pode ser.

Posto lá, não consegui lhe reconhecer, tendo decidido então voltar para o largo 1º maio com a hipótese de ter havido um desencontro entre nós…

Cheguei à entrada da Praça da Independência, encontrei o Jang Nómada, lhe dei um toque e ele não me reconheceu, aproximei-me dele e lhe perguntei: é como, o mambo sai ou não sai? Ele, nem com isso me reconheceu. Uns bófias que estavam sentados levantaram para ouvir a nossa conversa e eu puxei o Jang para o lado, disfarcei uma conversa de rap, daí ele reconheceu-me e disse: baza, esses wís (sinfos) estão a nos seguir.

Me afastei aos poucos e vi o mandela a entrar no largo, atravessei a estrada nas calmas e juntei-me aos outros.

Apanhámos o ângulo ideal para começar com os protestos e daí começaram os primeiros gritos de revolta: ”libertem o nito, libertem o nito!”.

Em menos de 5 minutos um grupo de jovens e senhores civis  fez um cerco em direção ao largo, aproximando-se em grande velocidade o que terá criado pânico entre nós.

Aí começámos a nos espalhar: uns correram em direcção à multidão que passava no largo para conseguir fugir, outros sairam rápido correndo em direcção ao Hospital Militar.

Eu e outros saímos em direcção ao Nzinga e aí registei a primeira detenção: um jovem com uma t-shirt preta,calças jeans pretas e chinelas amarelas, foi apanhado por 2 jovens civis que usavam trajes normais (um de camisola azul e umas calças pretas outro com uma camisola olímpica branca calções jeans curto) agarraram nele e levaram-no. Um jovem, aparentemente com uns 23 anos, trajando fato preto, gravata vermelha (DNIC, concerteza) apareceu e começou a ajudar os 2 bofias. Até que um polícia que esteve com o carro estacionado quase ao Nzinga desceu e lhe levou em direcção à unidade dos ex.combatentes.

Fiquei lá até ele ser levado e depois fiz uma ligação para saber o destino do mandela:

–  Wí aqui é o Hitler estás aonde?

– Estou a ser presseguido pelos sinfos.

– Viste o jovem que foi apanhado?

– Nada, não vi.

Enquanto falava, uns gajos estavam atrás de mim e depois de terminar disseram-me: “Hitler afinal é você?”. Eu nem respondi, comecei a marchar e logo surgiram 3 polícias e o jovem SINFO de camisola olímpica me identificou gritando: “esse também!”. Nem deu mais para correr, me levaram nos becos do Nzinga onde havia 2 carros da polícia que almejavam ansiosos os manifestantes.

Tiraram-me do carro, exigiram que subisse noutro (Iveco da PIR), o que obedeci. Estava já todo cabisbaixo a pensar que poderiam me levar na unidade, mas acabámos por ficar por ali mesmo o tempo todo.

Eles conversavam dicas deles, falavam sobre Quim Ribeiro, se contavam de damas até que um deles veio ter comigo.

– Ele: qual é a maka?

– Eu: nada

– Ele: nada puto? Vieste fazer o quê aqui no largo?

– Eu: estava a sair da escola e fui surpreendido pelos polícias.

– Ele: (risos) nós vimos todos que estavam aí, não pegamos em vão, você estava na manifestação, diz a verdade pá.

– Eu: estava mesmo na manifestação mas não fizemos nada de mal, até mal começou e já foi destroçada.

– Ele: quem permitiu? Há uma mão-invisivel no vosso meio e nós vamos achar um dia. Qual é o tema dessa vossa manifestação?

– Eu: viemos protestar a favor do Nito Alves, jovem de 17 anos detido há um mês.

– Ele: hahahahahhaha é verdade puto, esse Nito Alves é mais fudido que vocês né? Diz lá, ele e o Luaty quem é mais mau?

Achei graça, não disse nada e ele voltou ao debate com outros polícias, tendo o assunto de debate se voltado para o Nito Alves.

As horas foram passando e outro gajo voltou, fez-me  algumas perguntas, recebeu meu telefone tirou o cartão de memória e disse: “vai directo para casa. Pela próxima vais mamar!”.

 

Relato #2, por Makita Kuvula

Makita Pausado Diploma

A minha história começou dias antes (da manifestação): ligações por telefone, ameaças, diziam-me a todo o momento que se eu fosse para o local da manifestação poderia ser o último dia da minha vida. Mas eu ignorei e fui.

Posto no local encontrei-me com os outros manos a escrever os dísticos dentro do largo. Pouco depois, aproximaram-se dois homens com óculos escuros e perguntaram-nos: o que estão a fazer aqui? Pegaram nos dísticos e levaram-nos.

Aí, comecamos a gritar “SOLTEM O MENOR NITO ALVES!!!” e imediatamente o cenário mudou: Kaenches entraram em acção com ferros, paus, até arma de fogo, uma pistola de marca “STAR”.

Os manos com quem estava correram e eu estava a sair do largo a passos, tendo sido por isso agarrado por 3 kaenches vestidos com camisolas do Kabuscorp que queriam arrastar-me, mas como sou de estatura média, ofereci resistência e dificultei-lhes a tarefa de me sacudirem e levar para o outro lado do largo. Em seu socorro vieram meia-dezena de indivíduos, também à paisana que me despiram as calças, encheram-me de pontapés e bateram a minha cabeça nos ferros que se colocam em volta do largo, sobretudo em dias de manifestação. Ameaçaram-me várias vezes com “vamos dar-te um tiro na cabeça!”.

Levantaram-me e atiraram-me para as traseiras de um Land Cruiser policial, conduzindo-me até à 3ª Esquadra, atirado para uma cela onde fui agredido com dois socos no peito pelos outros detidos depois de me terem pedido dinheiro.

Depois desse episódio dois agentes investigadores retiraram-me da cela e meteram-me num gabinete onde depois me interrogaram com as mesmas e já gastas questões:

1- moço bonito a se estragar so à toa.
2- quanto te pagaram?
3- quem te mandou?
4- conheces Makuta Nkondo?
5- e se nós precisarmos de ti para uma conversa aceitas?

Volvidas duas horas e meia após a detenção e todo o calvário que se seguiu, devolveram-me os pertences e voltei à pé, inflamado e cheio de escoriações para casa, no meu Sambizanga.

Amanhã faz um mês que levaram o miúdo e até hoje estão a fazer acrobacias inconstitucionais para o manter ladjum, por isso amanhã “vamu lá!”

LARGO DA INDEPENDÊNCIA, 13H00

 

Manif Central Nito Alves 12.10.2013

 

 

Written by Louise Redvers and “snatched” from OSISA’s blog, the original article can be found here

 

On the sidelines of the recent United Nations General Assembly meetings in New York, Angola invited investors to a business forum. Vice President Manuel Vicente – who remains under the scrutiny of the US regulator, the Securities Exchange Commission (SEC) regarding ownership of oil shares – told his audience how the country was “experimenting with a process of political and economic transformation which is consolidating the democratic institutions.”

The former Sonangol CEO stressed that the government was working hard to “implement measures that guarantee sustainable development, economic growth, population growth, employment and social justice, through equal opportunities for all citizens and fair distribution of the national revenue.”

I’m sure it was a well-attended event. As Africa’s second-largest oil producer, Angola offers significant investment rewards – and I imagine many business cards were swapped and follow-up meetings planned.

Meanwhile, back at the ranch, while Vicente, who was deputizing for President Jose Eduardo dos Santos, who after 34 years in power appears to believe global summits are beneath him and hence rarely travels, waxed lyrical about the nation’s achievements, Angola’s democracy ‘experiment’ didn’t appear to be going so well.

On September 12 in an incident revealing anything but the aforementioned social justice, 17-year-old Manuel Chivonde Baptista ‘Nito Alves’ was arrested for printing t-shirts with a slogan deemed ‘defamatory’ to the President. According to the state-owned Televisao Publica De Angola (TPA) the youngster had been “caught red-handed trying to take the country back to war”.

The t-shirts, it was claimed, were intended to be worn by members of a youth protest group, which had announced some weeks earlier they were going to stage a public demonstration. The aim of the event, among other things, was to complain about the length of dos Santos’ tenure, and voice concerns about continued forced evictions and demolitions, violence against street vendors, the unequal distribution of the country’s oil wealth and the continued disappearance of two activists, who vanished from a protest in May 2012.

What happened next has been well-told by international media, including Reuters and AFP and equally loudly condemned by Human Rights Watch and others. But in summary:

The day before the protest, which was planned for September 19, Police spokesman Aristofanes dos Santos used national television to warn the group not to assemble. Claiming that the event would threatening public security and citing leaflets that asked people to attend with weapons (leaflets the organisers denied producing) he said, “We will prevent, I repeat, vehemently prevent all acts against public order and security and we will use force if necessary.”

The spokesman stressed that the clampdown would not violate constitutional rights, which allow freedom of assembly and expression, but was necessary because the gathering threatened law and order.

In the end, only a dozen of so young people turned up at Praça da Independência, the spot where Angola’s first president, Agostinho Neto, declared his country’s independence from Portugal on November 11, 1975.

The police were waiting for them, in numbers which some say stretched to 2,000, though perhaps several hundred would have been more accurate. Still as well as the riot squad, it was reported there were heavily-armed Rapid Intervention Police (known as Ninjas for their masked appearance), mounted officers, dog teams and – it was claimed – a helicopter circling overhead.

Needless to say, the protest didn’t last long and within hours, more than 20 people were in custody and the square had been cleared – and the public security threat of a handful of young people carrying banners had been removed. This type of heavy-handed and over-the-top response exposes Angola as an authoritarian regime that not only cannot tolerate criticism, but is also so paranoid that it cannot bear to allow people to speak freely.

Unsurprisingly, this is not the Angola you see in the promotional videos that run on CNN, or the one that is portrayed at investment conferences. And it is somewhat ironic that the authorities’ attempts to block the protest and silence the young people involved should have led to such a stream of negative international headlines – and helped to spread their message much further than a peaceful demonstration ever would.

Perhaps the biggest mistake the police made was to detain journalists. On September 20, Rafael Marques de Morais, who runs the MakaAngola website, Alexandre Solombe Neto, President of the Angola chapter of the Media Institute of Southern Africa (MISA) in Angola and Vice President of the country’s Journalist Union, and Coque Mukuta, a reporter with the Voice of America Portuguese Service, were seized by armed police as they tried to interview the recently-released protestors outside a Luanda courthouse.

Surely given all the money Angola spends on publicity campaigns and secret information services, it must know that arresting an internationally-renowned anti-corruption campaigner, a senior member of its journalist union and a correspondent for one of the world’s biggest broadcasters is a bad idea?

Marques’s detailed and erudite description of his time in custody and the mistreatment he suffered rang a number of international alarm bells – and soon Reporters without Borders and Committee to Protect Journalists had joined the chorus of condemnation, alongside other local journalists who also voiced their outrage.

While Marques, Solome and Mukuta were released on the day of their arrest, the seven protesters held with them were kept in custody until September 23 when they were bailed for a collective US$15,400. (If you want to contribute to the bail fund, you can find more information here.)

This protest and its associated arrests may seem insignificant in the wake of the Westgate Mall siege in Kenya, or the Boko Haram attacks in Nigeria, both of which have claimed scores of lives. But what this incident reveals about Angola is important.

It tells us that the rights and freedoms that the government likes to boast about to potential investors, such as those in New York last month, are rather selectively enjoyed.

We see a police force that is prepared to use live television to threaten its own citizens, taking the actions of a dozen young people apparently more seriously that the wave of violent crime that has lately swept the capital. We see citizens arrested without cause. And we see a state media full of journalists who are prepared to parrot regime propaganda without question, so long as they keep getting paid.

But the Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) knows it cannot rely forever on crackdowns and clever exploitation of people’s memories of the civil war. It knows that it needs to get the youth on its side. Young people now make up two fifths of the population. These are future voters and unless things start to change and the much-hyped economic diversification plan actually starts to bear fruit then they will be the future long-term unemployed with a lot less to lose than their war-weary parents.

In June, as part of a campaign to respond to growing disenchantment, dos Santos invited a group of young people to his pink presidential palace. Described as an ‘open dialogue’ (although the awkward photograph carried on the front of the Jornal de Angola the next day seems to suggest anything but), dos Santos told his audience – most of whom were not born when he began his term in office – that he was listening to their concerns.

The 71-year-old, whose daughter Isabel has recently become Africa’s first female billionaire and whose son Jose Filomeno runs the country’s Sovereign Wealth Fund, stressed his government’s commitment to young people, job creation and equity of opportunity. He called for everyone to keep talking and he said it was better to engage in dialogue than take to the streets to protest.

And just days before this latest round of arrests, dos Santos spoke at another youth event, telling 3,000 delegates from around the county that everyone needed to work together as active citizens.

All these words are noble, but they will no doubt be ringing hollow for the bailed protestors and their families, as well as for 17-year-old Nito Alves, who was allegedly kept in solitary confinement for two weeks following his arrest. (Click here to sign a petition calling for his release.)

If dos Santos really believes young people are so important to the development of Angola, it is about time he started listening to all of them, not just those voices he wants to hear.

I am sure there will be people who read this and say I am giving too much of a platform to a tiny majority, a handful of disaffected youth, and that the majority of the population is firmly behind the government and that the country has progressed in great economic leaps and bounds since the end of its war in 2002.

And I agree that these protestors are not many in number, but if they didn’t have something important to say, then I don’t think they would have been victim to such a large-scale clampdown.

By Louise Redvers

É o mínimo que podemos dizer depois de ter dado um destaque tão grande ao Carbono e agora, de novo, a priorizar a cobertura à manifestação, ao invés de (como seria de esperar) dedicar a primeira página ao enguiço UNITA/Mfuca, o assunto que mais tem estado na berra essas últimas semanas envolvendo as tradicionais forças políticas.

Não vamos desfazer-nos em elogios porque também já nos habituámos a ver projectos começarem a todo o vapor (nova direcção, novos donos) e depois descarrilarem num instantinho, cedendo à pressão (ou à tentação dos “Cara Grande” ou dos “Euro”) que se exerce sobre todo aquele que tente contrariar a verdade imposta pelo regime caduco de Zéduardo!

Aqui estão as matérias (para além da do Mário Paiva que já aqui postámos) que sairam no Semanário Agora, edição nº 840 de 20 de Setembro:

untitledAGORA Editorial Manif

AGORA Xinguilamento Aristofanesuntitled
AGORA Artigo Manif 02

Manifestações e manifestantes fizeram mais uma vez a notícia de capa do Semanário Agora. Depois do ARTivista Carbono Casimiro, agora é a manifestação (mais uma vez) abortada violentamente pela PNA, tal como prometido na véspera pelo seu porta-voz.

As fotos, conseguidas pelo Quintiliano dos Santos, não conseguem deixar de ser impressionantes e dão uma ideia do que tem faltado para ilustrar através da imprensa o nível desproporcional de força utilizado contra jovens pacíficos que pouco mais querem do que exercer um direito que lhes é caro.

Ao todo, 6 páginas são dedicadas à manifestação (inclusive o Editorial), indo o destaque para o artigo de Mário Paiva que aqui partilhamos convosco. Mário Paiva fala com o tom que se esperava de um jornalista isento há 3 anos. Até então tudo o que tinhámos nos jornais eram essencialmente peças sofríveis e claramente parciais (se motivadas ou não pelo envelope castanho não sabemos, mas que eram especulativas e vazias de rigor jornalístico, ai lá isso eram), ou a ocasional coluna de opinião lacónica, normalmente evitando chamar os bois pelos nomes.

Depois, se estivermos bem dispostos, partilharemos o resto :=).

untitledAGORA Mario Paiva Manif 02

MCK, há instantes no seu Facebook:

Mc-Katrogi

“Fiz agora uma pequena pausa no meu grupo de estudo, e decidi produzir um pequeno texto inspirado numa chamada de atenção dos manos da Central Angola, que desde já agradeço o alerta… as vezes ficamos muito fechados aos nossos assuntos particulares como a família, formação, música, emprego e o lazer, demarcando assim uma fronteira de betão com as nossas responsabilidades cívicas e a defesa de bens jurídicos como a Vida, a Liberdade de Expressão, a Paz, a Justiça Social, entre outros…

E começo por criticar a mim mesmo, que vezes sem conta, aproveito publicitar aqui os Vídeos que faço, os Eventos onde rimo, as músicas que participo, a nova linha de T-shirts, a Pen Drive, o tal de preservativo que nunca saí, etc…

Ou seja, Luanda transformou-se numa cidade cara e agressivamente capitalista e têm contagiado materialmente os Activistas Cívicos e ” Rappers do Underground” e todos corremos atrás das notas de Zé Dú e Manguxito ( Kwanzas) para continuar vivos.

Recebo todos dias perto de 50 chamadas de Rappers e afins, solicitando participações, convites para shows, entrevistas e outros blá blá blás, quase sempre com uma finalidade mercantilista omissa.

Agindo desta maneira estamos de forma tácita a legitimar a inconstitucionalidade e a patrocinar a violência gratuita dos órgãos do Estado angolano.

O Executivo angolano tem estado a errar muito, é um facto, mas nós estamos duas vezes mais errados com o nosso silêncio e absoluta indiferença permitindo o ABUSO DE PODER com as nossas postagens fúteis aqui no Facebook.

E quando digo nós, refiro-me á todos Angolanos!

-Deputados da Assembleia nacional que ganham um acumulado igual ou superior a 10 Mil Dólares e recebem BMW para nada fiscalizarem.

-Diplomatas Estrangeiros que apenas estabelecem relações económicas com Angola inspiradas nos Diamantes de Sangue e o Petróleo de Luto.

-Partidos Políticos oportunistas e Charlatões que simulam preocupar-se com as pessoas na fase eleitoral.

– Bispos, Padres e Pastores Kandogueiros que nunca saem em defesa do amor e da vida como Cristo fazia.

– Professores, Juristas, Empresários, Estudantes, Jornalista, Kunangas, Zungueiras, todos nós, principalmente eu que estou a ler o texto agora.

Estamos a viver num falso orgulho sem tamanho, e nos gabamos ter construído 3 campos para realização do Mundial de Hóquei em Patins em 7 Meses, quando temos a Vila de Viana sem acesso há quase dois anos para obras ( sem obras)… Gente e gado a morrer todos dias no Sul de Angola por fome e Sede, enfim…

Há duas semanas, quase chamamos o Presidente da República de deus com “d” menor, pela sua clarividência e outros adjectivos que tenho que ver no dicionário pela realização do Fórum da Rapaziada da Jota, para dias depois, espancar novamente Jovens Manifestantes e Jornalistas?

E nós? Caro angolano, estes factos não te dizem nada?

Somos todos uma cambada de hipócritas, iguais ou bem piores do que os detentores do poder que fecham os olhos aos nossos problemas e definem como Prioridade dar um Show que até os Ingleses se recusam em ver!

Vamos todos gritar bem alto: Libertem os Manifestantes.”

Na nossa conta de Facebook, o mano com a conta “Adelmo Pereira Campos Adi” teve a gentileza de elaborar um resumo detalhado do que se passou consigo desde o momento em que foi “interpelado” por um indivíduo à paisana, até ao momento em que lhe devolveram à liberdade. Vamos manter o texto original, sem arranjos ortográficos ou gramaticais, sem adulterações, relato do próprio!

(foto roubada do mural do Jose Gama)

REVUS PRESOS LARGO

“Eram já 18:28 quando um kanheche langa se infiltrou no grupo em q eu alguns manos e alunas estávamos para fazer travessia do lado do EMEL.

Mal tentei despertar a mente dos alunos q estavam comigo e mais gentes na passadeira de frente ao EMEL como já disse acima,o soldado programado do Bento Kangamba pega-me na cintura da calça e me leva dentro do quintal da referida instituição de Ensino no caso EMEL,onde foi recebido por um ligeiro aparato policial q receberam me o telemóvel e a carteira na pessoa de um agente a civil meio barregudo q trajava um boné ou chapéu,t-shert azul e calças jeans…

De seguida jogaram-me para dentro do carro cela de marca Land Cruise do tipo DEFENDER ou SANTANA q tinha como a seguinte chapa de matrícula:,LD 21-08 ED afecto a PIR.Comigo estavam 6 manos q são:Alberto Lupito estudante de direito,Wi Dolo,Da Katepa,Eduardo Dala,Valdmiro Luis e o mano Ngola Yetu.

Daí sem visibilidade para o lado exterior nem oxigênio suficiente e a transpirar,fomos levados a URP onde desciamos um por um para dar o nome e a idade.Ainda na mesma Unidade,levaram nos do outro lado onde fortemente vigiados com AK-M e Cães nos puseram numa carrinha maior de côr branca do tipo cela também mas com furacões para entrada e saída de AR onde parmanecemos mais de 2 horas,uns dormiam e acordavam como eu mas sempre a viajar das grades o q se desenrolava no mesmo recinto da Unidade.

Havia até dentro da Unidade PMs Polícia Militares armados.

Horas mais tarde viamos das janelas gradeadas,o carnaval dos luxuosos jeeps V8 no entra sai e seus pilotos bem nutridos e com as patentes abrilharem a dizerem justamente agora na altura do Mundial de Hokey?!..como aqueles processos de corre corre feitos pelas as formigas quando têm uma presa.

Como dentro dos Canibais ha sempre um q pensa diferente também,então surgiu ele o motorista da carrinha trajando com um chapeu t-shert verde com calças jeans e tênis preto e branco da famosa marca Converse All Star a dizer putos os outros foram levados e deixados no Zango por isso ficam calmo e tenham fé.

Minutos depois surgiu um agente com colete da DNIC q aparenta ter 29 à 30 anos claro estreito q disse por ordens superior invés da DPIC, serão conduzido na 3*Esquadra.

La saímos do portão q da logo acesso a estrada da tourada contornamos nos Congolences junto as Bombas de combustível da Sonangol acaminho da 3*Esquadra.

Ja bem perto das 23 horas ao passar o Largo 1*de Maio viam-se os kanheches com os seus coletes refletores bem pausados sentados no largo com ares de dever cumprido.

Chegamos a 3* onde devidamente perfilados fomos entrando e ouvidos mas uma vez um por um,daí recolheram os nossos dados e fotos..Foi então quando deram nos os nossos pertences e fomos libertados.

De realçar q as únicas torturas q sofremos foram psicológicas…

Luanda 19.09.2013”

Se ainda restavam dúvidas da implosão desse regime decrépito e sem fôlego, essas foram completamente dissipadas entre o dia 12 e o dia 19 de Setembro, com a sequência de ações, cada uma mais atrapalhada do que a outra, que precederam uma manifestação convocada pelo Movimento Revolucionário que visava reivindicar uma série de pontos acerca dos quais qualquer pessoa minimamente sensata haverá de concordar que existem carências e/ou lacunas aberrantes.

No dia 12, a Polícia deteve Nito Alves, a quem já andava a espiar/perseguir há algum tempo, em “flagrante delito”… imprimindo 20 t-shirts! É isso mesmo, 20 t-shirts. O “flagrante delito” eram as inscrições estampadas na t-shirt que, certo, agressivas, para alguns repugnante, eram a reprodução de uma frase, título de um livro e de um artigo do jornal Folha 8 de Agosto de 2009: “Quando a guerra é necessária e urgente”. De autoria de Domingos da Cruz que, imagine-se, tinha acabado de ser ilibado das acusações que a PGR movera contra si alguns dias antes (depois de 5 sessões adiadas enquanto se desbaratinava a CRA e o Código Penal em busca de uma maneira de o inculpar), não é a justeza ou a severidade da frase que estamos a analisar, o choque e o estupor que ela causa, sobretudo a um povo que tem ainda feridas por cicatrizar de uma guerra que terminou há pouco mais que uma década, é O DIREITO OU A FALTA DELE de estampar e envergá-la no seu dorso.

Nito Alves TPA Tshirt

Muita gente ficou, compreensivelmente, ofendida, mas à polícia não cabe agir por impulso ou inventar “delitos” onde não existam e levar o rapaz (e o dono da gráfica de arrasto) para a cadeia à revelia, privando-o de ver familiares ou advogados é em si uma violação de vários direitos humanos, de cidadão e de detido.

Manuel Nito Alves está detido nos calabouços da DPIC até a data em que se redige este texto, mas aqui entra o mais insólito: ele encontra-se detido SEM PROCESSO (teve um, depois foi alterado e agora está sem nenhum) pois não se consegue atribuir-lhe UM CRIME! Para coroar toda esta maravilhosa loja de horrores, esta arbitrariedade está a ser perpretada contra UM MENOR DE IDADE! É isso, Nito Alves, o miúdo destemido que veem nesta imagem, ainda não ultrapassou os 17 cacimbos!

Nito Alves 01

A polícia, na pessoa de Aristófanes dos Santos, seu porta-voz, veio publicamente justificar a detenção aproveitando para generalizar a iniciativa individual de um único jovem à todo um movimento que vinha advogando uma mensagem completamente distinta e pacífica e ancorando nesses argumentos a fundamentação para interditarem a manifestação convocada para dia 19. Vejam os argumentos “jurídicos” utilizados pelo “camarada”.

Mantendo a intenção de levar à cabo a manifestação, os jovens foram convocados pelo Comando Provincial da PN no dia 17, dois dias antes da data evocada para a saída às ruas, para que lhes fosse comunicado que a manifestação tinha sido proibida pelo GPL pelo que eles não poderiam levá-la à cabo. Mais uma vez, a Polícia, que dias antes, diante das câmaras da TPA, tinha exibido “exímio” conhecimento acerca da lei 16/91 que regula o direito à reunião e manifestação, propõe-se a violá-la inescrupulosamente em benefício do sabotador e em detrimento do respeitador. Sendo certo que a hora marcada para o início das atividades feria superficialmente a lei que prevê que em dias de semana as manifestações só podem começar depois das 19h00, mais certo é que o horário não pode constituir por si só motivo de inviabilização de toda a atividade, pois esse ajusta-se! O que não se ajusta, esse sim, violação flagrante da lei, é o facto do GPL ser obrigado a comunicar por escrito aos subscritores da carta que lhe é submetida a avisar da intenção de manifestarem-se, qualquer inviabilização da atividade pretendida, devidamente fundamentada (apoiada em argumentos legais) e, isto é importante, NUM PRAZO NÃO SUPERIOR A 24 HORAS (consultar lei aqui)!

Cabe portanto ao GPL e não à PNA comunicar aos pretensos manifestantes que a sua actividade será ilegal e portanto indeferida e isso tem de ser feito por escrito, num prazo de 24 horas. Ora, a carta foi entregue ao GPL no dia 2 de Setembro, como poderão constatar aqui. Passaram-se 360 horas desde o momento da entrega até ao momento em que a PNA (e não o GPL) chamou os jovens do Movimento Revolucionário para lhes informar que “não vai ser possível”.

Pois, se o país tem leis, elas são para todos e o Movimento Revolucionário mostrou que não iria claudicar nem ceder a chantagens e/ou ameaças dos “ordens superiores”, convocou uma conferência de imprensa para informar à comunidade jornalistica que a manifestação era para sair, com ou sem repressão.

Na manhã do dia 18 foi posto a circular um panfleto falso, certamente concebido e distribuido pelos Serviços Desinteligentes e Deselegantes de Angola, para reforçar a mensagem que os jovens do Movimento Revolucionário querem o retorno à guerra, como se fosse sequer concebível que “300 frustrados sem sucessos profissionais ou académicos” pudessem ter acesso a armamento de guerra e fazer face ao mais pequeno batalhão da UGP. Abaixo o panfleto verdadeiro, seguido pelo falso.

Movimento Revolucionário Manif
Panfleto MR - Falso ou Verdadeiro

Na noite do dia 18, Aristófanes dos Santos reforçou o posicionamento das ordens superiores com a arrogância que lhes é peculiar, ameaçando que iriam usar da força para reprimir qualquer tentativa de “desordem” no dia seguinte.

Isto no noticiário das 20h00 da nossa amada TPA que, para não variar, anulou completamente a possibilidade de defesa do contraditório, não metendo em confronto com o senhor Aristófanes um dos elementos do Movimento Revolucionário Angolano para contrapor os seus argumentos e deixar os angolanos julgarem quem tinha razão, se a força da razão ou a razão da força.

A última imperou.

Luaty Beirão

Cenas dos próximos capítulos: Manifestação reprimida; muitos jovens detidos; tortura; julgamento; soltura; liberdade de 20 minutos; rapto; tortura; o de sempre… ditadura!