Archive for the ‘Angola’ Category

2

Esta mancha vermelha no chão da casa do mano Carbono é sangue. Pertence aos nossos manos Gaspar Luamba e Mbanza Hamza.

De tão vermelha e espessa, até parece tinta.

No dia 12 de Março do ano em curso, a TPA deu voz aos agressores dos jovens manifestantes: dedicou largos minutos do seu telejornal a um “telefonema” do suposto líder, ou porta-voz, sabemos lá, do grupo de milicianos que aterrorizam a juventude angolana com espancamentos brutais e invasões ao domicílio.

Na sua intervenção, o miliciano ameaçou-nos, dizendo “se voltarem a se manifestar, nós continuaremos a reagir”.

Nós voltamos a nos manifestar.

Os criminosos voltaram a “reagir”.

Invadiram a residência do Carbono e partiram-nos as cabeças.

A TPA sabe quem são as milícias. Falaram com eles ao telefone. Não é hábito desta televisão estatal e altamente partidariza, receber telefonemas de cidadãos comuns e passá-los no Telejornal. Sabendo que a agressão aos jovens (e ao SG do BD, Filomeno Vieira Lopes) tratou-se de um crime, e que a Polícia estava supostamente à procura dos meliantes (vamos, por uma questão de exercício intelectual, fingir que a polícia está a procura das milícias), porque é que a televisão não contactou a polícia com o objectivo de os informar sobre o telefonema que receberam, e pior, porque é que difundiram-no no seu horário nobre com a clara intenção de amedrontar a população?

A TPA provou assim que pactua com os actos destes criminosos. Está em plena convivência com os terroristas, tal como a Polícia Nacional, que, afinal de contas, já foi fotografada com o Godzilla.

5

Não temos outro nome para isso a não ser terrorismo de estado. Entre ferimentos graves, cabeças partidas, hematomas, e uma raiva cega e paralisante, achamos melhor fazer um copy paste do que acaba de postar o Rafael Marques do que estarmos aqui a tentar escrever um texto mínimamente coerente. Para os terroristas que nos atacaram, saibam de uma vez por todas que não é com este tipo de acções cobardes que vão nos calar. Não funcionou na primeira vez, e não vai funcionar nunca. Ou nos matam, ou quê.

Milícias pró-Dos Santos Atacam

Um grupo de cerca de 15 indivíduos afectos às milícias pró-governamentais, armados com pistolas, catanas e varas de ferro, atacou esta noite o núcleo de jovens que tem liderado a organização de manifestações anti-Dos Santos, desde Março de 2011.

Pouco depois das 22h00, os atacantes irromperam, de surpresa, a residência do rapper Casimiro Carbono, no Bairro Nelito Soares, em Luanda, onde se encontravam reunidos 10 jovens.

De pistolas em punho, os atacantes espancaram violentamente Gaspar Luamba, Américo Vaz, Mbanza Hamza, Tukayano Rosalino, Alexandre Dias dos Santos, Jang Nómada, Massilon Chindombe, Mabiala Kianda, e Explosivo Mental. O anfitriao, Casimiro Carbono, escapou aos ataques por ter saído pouco antes para atender a um telefonema.

Afonso Mayanda “Mbanza Hamza”, 26 anos, explicou como os agressores, mal abriram a porta, executaram, de forma profissional e rápida, os ataques. “Bateram-me com uma vara de ferro na cabeça e em todo o corpo, e apontavam as pistolas para não reagirmos à pancadaria”, disse Mbanza Hamza. O jovem sofreu fracturas na cabeça, que levou 12 pontos, e no braço direito.

Gaspar Luamba também foi severamente atingido na cabeça com vara de ferro, tendo levado oito pontos, e ficou com os membros inferiores fracturados com a pancadaria. Um dos delinquentes pró-regime também assestou uma barra de ferro na cabeça de Jang Nómada, causando-lhe grande ferimento, para além da pancadaria que recebeu por todo o corpo.

Por sua vez, o rapper Jeremias Manuel Augusto “Explosivo Mental”, 25 anos, ofereceu resistência aos ataques na cabeça e acabou com os braços inflamados, um dedo da mão direita fracturado, e hematomas por todo o corpo.

Massilon Chindombe, que procurou refúgio no quarto, contou como um dos assaltantes lhe apontou a pistola quando tentava fechar a porta. “Gritámos que estávamos a chamar a polícia e ele riu e respondeu ‘qual polícia’?” O activista conta que, após o ataque levaram as vítimas ao Hospital Américo Boavida. “O Luamba e o Mbanza Hamza perderam muito sangue e estavam semi-conscientes. No hospital um dos enfermeiros começou a suturar o Luamba sem anestesia ou cuidados básicos de higiene. Tivemos de ir para uma clínica privada”, explicou.

Esta é a segunda vez que a milícias invadem a residência de Carbono Casimiro. A primeira aconteceu a 9 de Março passado, tendo os agressores atacado, com barras de ferro, o anfitrião, os activistas Liberdade Sampaio, Catumbila Faz-Tudo “Caveira”, Nelito Ramalhete e António Roque dos Santos. Estes planificavam um protesto anti-Dos Santos para o dia seguinte. A 10 de Março, os atacantes dispersaram violentamente uma concentração de cerca de 30 manifestantes, no Tanque do Cazenga, em Luanda, tendo causado sérios ferimentos, entre outros, ao rapper Luaty Beirão “Ikonoklasta”, ao secretário-geral do Bloco Democrático, Filomeno Vieira Lopes, que teve de ser operado na Alemanha. A Televisão Pública de Angola (TPA) deu amplo espaço, a 12 de Março, a um suposto “Grupo de Cidadãos Angolanos pela Paz, Segurança e Democracia na República de Angola” que reivindicou os ataques e prometeu mais actos de violência contra todos aqueles que se manifestem contra o regime.


A censura e o controlo da informação na TPA são monitorados de forma minuciosa pelo Executivo do Presidente José Eduardo dos Santos e a leitura de um comunicado, em que um grupo desconhecido, se vangloriava de ter cometido um crime, em circunstância alguma teria passado sem o aval das autoridades. Os extremistas pró-governamentais inspiraram-se no modelo de comunicados de organizações fundamentalistas árabes para transmitir a sua imagem de terror.

Ao retirarem-se do local do crime, as milícias, segundo várias testemunhas oculares, efectuaram três disparos para afugentar a vizinhança que se começava a reunir na rua, e o fizeram em viaturas Land-Cruiser alegadamente atribuídas a oficiais da Polícia Nacional. Em várias manifestações, reprimidas pela Polícia Nacional, o grupo de agressores realizava sempre os seus actos de violência com protecção policial. Alguns dos seus membros são identificados como oficiais desta corporação.

Desde a passada segunda-feira, os organizadores das manifestações contam com um programa radiofónico bi-semanal na Rádio Despertar, onde pretendem promover a liberdade de expressão e falar de protestos. Segundo Carbono Casimiro, a reunião, que sofreu o ataque, “visava traçar novas estratégias para o nosso programa de rádio, e estávamos também a discutir outros problemas de organização interna e projectos”. A Rádio Despertar emite, desde 2006, como parte dos Acordos de Paz que permitiram, à UNITA, a transformação da sua então estação emissora Voz do Galo Negro (Vorgan) em rádio comercial. Esta emite em Luanda apenas, em Frequência Modelada (FM), e tem vindo a aumentar a sua audiência pela sua linha editorial marcadamente anti-regime.

-Rafael Marques

0

Definitivamente, a convocação de uma manifestação em escala NACIONAL por parte da UNITA foi o grande facto político da semana. O país está nítidamente agitado. Coincidência ou não, pouco depois da convocação desta mega-manifestação o Tribunal Supremo ‘decidiu’ anular a nomeação de Suzana Inglês como presidente da CNE. Não existe em Angola partido que mais pancadas recebe da parte do regime, ou partido que mais medo parece provocar nas hostes dos mampelas. Incrível como só 16 deputados têm mostrado mais trabalho que os deputados todos do MPLA juntos, nesta luta pela democracia em Angola…é caso pra dizer, FINALMENTE.

A maltal da Central gostou do apelo do Kota Samakuva em incentivar TODA A SOCIEDADE para aderir a manifestação, independentemente da cor partidária. Apelaram também para as pessoas irem trajadas de branco (cor da paz), verde (cor da esperança) e azul (cor das eleições). Estamos solidários com a iniciativa dos nossos irmãos da UNITA.

E certamente que queremos ver se os kaenches do costume vão aparecer…

Passamos na íntegra o mais recente pronunciamento de Samakuva:

Angolanas e angolanos:

Chamo-me Isaías Samakuva, o Presidente da UNITA. Venho até vós, para vos falar da manifestação que na quinta-feira passada, O Comité Permanente da UNITA, o partido de que sou Presidente, convocou para ter lugar em todas as províncias e junto de algumas embaixadas de Angola no estrangeiro a fim de exigir a realização de eleições livres e transparentes, conforme a Lei Angolana estabelece.

Venho até vós, para convidar-vos a participar massivamente nessa manifestação pacífica e ordeira, cujo único fim é exigir que a vontade do povo venha a exprimir-se num ambiente de transparência e de Paz. Esta será uma manifestação de todos contra a ilegalidade.

Falo para si, mamã zungueira e irmã zungueira. Falo para si irmão zungueiro. Você que passa os dias andar de um lado para o outro, com produtos na mão, no cesto e no carro de mão à busca da sobrevivência. Você moto-taxista, vulgo kupapata; você taxista, vulgo gira-bairro. É para si que falo.

O que queremos é acabar com o seu sofrimento. Para que este sofrimento acabe, precisamos de eleições livres e transparentes. No entanto, tudo o que estamos a ver, os responsáveis pelo seu sofrimento, os que ao longo de trinta e seis de governação não demonstraram, nem demonstram vontade de resolver os seus problemas, também estão a demonstrar que não estão interessados em fazer eleições transparentes, como a lei manda. Se permitirmos que isso aconteça, estamos a permitir que o seu sofrimento continue por muitos mais anos. Nós queremos que isso acabe. POR ISSO QUEREMOS MANIFESTAR O NOSSO DESAGRADO, A NOSSA INSATISFAÇÃO E EXIGIR QUE AS ELEIÇÕES SEJAM LIVRES. SO ASSIM PODEREMOS MUDAR A SITUAÇÃO. Venha connosco. Aceite o nosso convite. No Sábado, dia 19, contamos consigo no local que lhe vai ser indicado.

Falo para si jovem angolano. Você que não consegue continuar com os seus estudos nem consegue emprego mesmo com a sua formação feita. Você que não consegue casa para viver com a sua noiva. É para si que me dirijo. Queremos acabar com o seu sofrimento. Venha connosco exprimir a sua insatisfação. Não tenha medo.

A manifestação é um direito consagrado na Constituição. Vamos exercê-lo de uma forma ordeira e pacífica. Esperamos que a Polícia venha proteger os cidadãos enquanto a manifestação correr. É seu dever fazê-lo.

Falo para vós homens e mulheres, funcionários do Estado ou não. Vós que nem água potável, nem energia eléctrica tendes. Queremos acabar com o vosso sofrimento. Mas para que este sofrimento acabe, precisamos de eleições livres e transparentes. No entanto, tudo o que estamos a ver, os responsáveis pelo vosso sofrimento, os que ao longo de tantos anos de governo não demonstraram vontade de resolver os vossos, os nossos problemas, também estão a demonstrar que não estão interessados em fazer eleições transparentes, como a lei manda. Se permitirmos que isso aconteça, estamos a permitir que o vosso, o nosso sofrimento continue por muitos mais anos. Nós queremos que isso acabe, mas para acabar, precisamos do voto livre e transparente. POR ISSO QUEREMOS MANIFESTAR O NOSSO DESAGRADO, A NOSSA INSATISFAÇÃO E EXIGIR QUE AS ELEIÇÕES SEJAS LIVRES PARA PODERMOS MUDAR A SITUAÇÃO.

Venha connosco.

Aceite o nosso convite.

No Sábado, dia 19 de Maio, contamos consigo no local que lhe vai ser indicado. Não hesite. Venha exprimir, democrática e ordeiramente a sua insatisfação.

Irmão roboteiro, você que arrisca a vida todos os dias a atravessar as ruas, no meio de tráfego intenso de viaturas, com cargas em carros de mão, para sobreviveres, é para si que estou a falar. Venha exprimir o seu desejo de ter eleições de acordo com a Lei. A sua vida precisa de mudar. Precisas de ir à escola. Precisas de ter um emprego melhor. Tens direito à uma vida melhor. Se permitires que estas eleições sejam fraudulentas outra vez, o seu sofrimento vai continuar. Venha manifestar a sua vontade de mudança no sábado dia 19. Com disciplina. Com ordem. E com determinação.

Enfermeiros e enfermeiras, médicos e médicas. Engenheiros e engenheiras; juristas; jornalistas, empresárias e empresários; comerciantes, marceneiros, carpinteiros, trabalhadores de profissões diversas. Homens e mulheres; rapazes e raparigas; Juventude angolana; em suma, angolanos e angolanas; membros de partidos políticos ou não. Esta não será manifestação da UNITA. É uma manifestação dos angolanos contra a ilegalidade. Não se coíbam. Venham. Contamos convosco. Trata-se de uma manifestação pacífica em defesa da Paz e da democracia, de eleições livres e transparentes. Por isso ninguém deve de ter medo.

Contamos consigo. Muito obrigado.

Luanda, 14 de Maio de 2012.

 
0

A Central Angola tem voz!

Os manos e manas da Central Angola 7311 têm o prazer de anunciar o lançamento do seu novo programa radiofónico. Chama-se Zwela, tem a duração de uma hora, e será emitido na Rádio Despertar desde as 14h00 às 15h00, todas as segundas e quartas.

A primeira emissão será hoje (segunda-feira) às 14h00. Como a Rádio Despertar está agora disponível online, todos os interessados poderão ouvir o programa em ‘live stream’ e em directo acedendo ao site da referida Rádio: http://radiodespertarangola.net/. Agora, a voz da Central e dos angolanos poderá ser ouvida em qualquer parte do mundo.

Basta ir ao endereço web acima citado que a rádio começa a tocar por si: prestar atenção ao canto superior direito da página web.

Contamos contigo!

2

Primeiro, um pequeno reparo: A Central parece ter sido o primeiro website de expressão portuguesa a falar sobre a pesquisa realizada pela Gallup que nos deu a conhecer que o Presidente José Eduardo dos Santos é o líder mais impopular no continente africano (só 16% de aprovação! 16!). Postamos mesmo antes que a VOA, Club-K, e outras cadeis de informação que têm jornalistas pagos. É caso pra dizer: XE! Tamu a começar a ser sérios! Depois de ter vos habituado com postagens e notícias atrasadas, sabe bem para nós “arruaceiros” vos oferecer informa­ção de qualidade na hora…afinal de contas temos que respeitar os nossos (ainda poucos) leitores :)

Como esperado, quando as grandes cadeis de infomação lançaram o puro artigo, foi algazarra total. Os pobres defensores do regime não sabiam como reagir, como digerir o óbvio. O pior cego é mesmo aquele que não quer ver. Para os esclarecidos, a sondagem da Gallup só veio confirmar o que há muito já se sabia, o que se tem vindo a constatar nos comícios do JES e do seu partido, nas inaugurações forçadas, nas “contra-manifestações”, etc; nos relatos que nos chegam de como o “líder clarividente” foi vaiado no Luena e nas Lundas; no grande e monstruoso aparato militar bélico que o mesmo usa nas suas deslocações do Palácio ao aeroporto ou a outros pontos da cidade. O desgaste é total: é que 32 é mesmo muito…!

Mas voltando as reações. Foi bonito ver o xinguilamento generalizado. “Mamaueê!! Quem realizou a sondagem?! Entrevistaram quem? É mentira! Quem é a Gallup? Imperialistas! Esses americanos já não mudam! Só querem o nosso petróleo! Todos angolanos amam o JES, líder clarividente, arquitecto da paz, enginheiro do amor, financeiro da felicidade, etc, etc!” Outros fizeram uma multitude de perguntas (cujas repostas eram fácilmente encontradas lendo o artigo e/ou carregando em um ou dois links) sem se darem ao minimo esforço de procurar as respostas; assim é sempre mais fácil negar a realidade.

Como jovens e consumidores de informação responsáveis, somos sim forçados a procurar saber mais sobre a sondagem em si e quem a fez. São assim que se cultivam os bons hábitos no que toca ao consumo responsável de informação bem como uma relação saudável com o jornalismo. Uma rápida pesquisa no Google é o suficiente para percebermos que a Gallup é uma organização séria, consagrada, com cerca de 50 anos de experiência e reconhecida mundialmente. No que toca a sondagem em si, a metodologia da mesma é explicada mas adiante no próprio artigo:

Survey Methods

Results are based on face-to-face interviews with 1,000 adults, aged 15 and older, conducted in 2011 in Angola, Benin, Botswana, Burkina Faso, Burundi, Cameroon, Central African Republic, Chad, Comoros, Democratic Republic of the Congo, Gabon, Ghana, Guinea, Kenya, Lesotho, Liberia, Madagascar, Malawi, Mali, Mauritania, Mauritius, Mozambique, Niger, Nigeria, Republic of the Congo, Senegal, Sierra Leone, South Africa, Swaziland, Tanzania, Togo, Uganda, Zambia, and Zimbabwe. For results based on the total sample of national adults, one can say with 95% confidence that the maximum margin of sampling error ranged from ±3.3 percentage points to ±4.3 percentage points. The margin of error reflects the influence of data weighting. In addition to sampling error, question wording and practical difficulties in conducting surveys can introduce error or bias into the findings of public opinion polls.

Para os que não falam inglês, temos todo prazer em traduzir:

Metodologia da sondagem

Os resultados são baseados em entrevistas cara-a-cara com 1000 adultos, com idades de 15 para cima, feitas em Angola, Benin, Botsuana, Burkina Faso, Burundi, Camarões, República Centro Africana, Chad, Comoros, República Democrática do Congo, Gabão, Gana, Quénia, Lesotho, Liberia, Madagascar, Malawi, Mali, Mauritânia, Ilhas Maurícias, Moçambique, Niger, Nigéria, República do Congo, Senegal, Serra Leoa, África do Sul, Suazilândia, Tanzania, Togo, Uganda, Zambia, e Zimbabué. Para os resultados baseados na amostra total dos adultos nacionais, pode-se dizer com 95% de certeza que a margem máxima de erro de amostragem flutuou entre ±3,3 pontos percentuais a ±4,3 pontos percentuais. A margem de erro reflete a influência da ponderação de dados. Além do erro de amostragem, a redação das perguntas e as dificuldades práticas na condução de inquéritos podem introduzir certos erros ou tendências nos resultados de pesquisas de opinião pública.

Mas nós não paramos por aí. No fim do artigo diz o seguinte:

“For more complete methodology and specific survey dates, please review Gallup’s Country Data Set details.”

Ou seja,

“Para uma metodologia complete e as datas específicas da sondagem, por favor visite Detalhes dos Dados da Gallup”

Carregamos no link e deparamo-nos com a seguinte tabela:

Deste modo, comprovamos o seguinte:

a)     A equipa da Gallup esteve em Angola entre os dias 23 de Setembro – 9 de Outubro

b)    Efectoou 1000 entrevistas

c)     A margem de erro é de 3,8%

d)    O modo de entrevistas foi cara-a-cara

e)     As entrevistas foram efectuadas em português

f)     “A cobertura incluiu todas as províncias, urbanas e rurais. Mas, algumas áreas rurais foram excluídas por causa da sua inacessibilidade ou condições precárias. As áreas excluídas representam aproximadamente 15% da população.”

Não custa muito buscar informação. Não custa muito carregar em links. Não custa muito pesquisar. A especulação é desnecessária. Mas como bem sabemos, as pessoas só vêm aquilo que querem!

0

The graphs above are from a Gallup poll conducted in 34 African countries in 2011. As one can tell from the most basic cursory analysis, the Angolan leadership has the worst approval rate in the continent. As astounding 78% of those surveyed disapprove of the country’s president, while only 16% approve; more tellingly, unlike the vast majority of the continent, Angolans also heavily disprove of the country’s entire governmental leadership, with only 16% saying they approve. And yet people wonder why the youth protests, or why Angolans complain about widespread human rights violations, or why the government responds with violence and repression to any challenge to its dictatorial rule…

2

Alguns dos nossos centraleiros foram entrevistados a semana passada pelo programa do World Service da BBC, numa reportagem que já não se ouvia faz tempo por parte daquela emissora britância. O mano Luaty Beirão, bem como a Nyanga T. e o Fernando Macedo, foram entrevistados pelo jornalista Ganês Komla Dumor sobre os benefícios da paz em Angola, 10 anos após o fim da guera. O gerente da loja Porsche em Luanda também teve o seu espaço, bem como alguns residentes de um dos musseques da capital. Foi um excelente trabalho por parte do nosso novo amigo Komla. A Louise Redvers da BBC teve a gentileza de nos ajudar a editar os audios – só as partes do programa referentes a Angola estão disponíveis nos audios que gentilmente postamos abaixo. Boa escuta!

Some of our ‘centraleiros’ were interviewed last week for BBC’s World Service Program, the likes of which haven’t been broadcast from Angola for quite some time. Luaty Beirão, Nyanga T. and Fernando Macedo were all interviewed, as was the manager of Porsche’s dealership in Luanda and, on the other side of the spectrum, residents of one of Luanda’s notorious slums. Our new friend Komla Dumor added his characteristic flair to the broadcast, which focused on the perceived benefits of 10 years of peace in Angola. It was a well-balanced and well-researched piece by the BBC, and Louise Redvers had the courtesy of helping us edit the audio that you can hear below – only the parts of the program concerning Angola are made available for your listening pleasure (or displeasure). 


0

For Angola watchers and those that keep up to date with Rafael Marques’ Maka Angola, the below article that appeared on Sunday’s Financial Times isn’t exactly news. Rafael Marques had already lodged a criminal complaint on this trio back in January of this year, and those with any grasp of the Angolan socio-economic reality are well aware that Kopelipa, Manuel Vicente, and Dino Fragoso have their hands in virtually every robust money-making enterprise in Angola, from supermarkets to telecommunications to…the oil industry. That they flaunt Angolan law with total impunity is also widely known. What remains to be seen, however, is how their numerous illegal dealings will impact the bottom lines of the Western companies with which they do business. If Cobalt’s recent 10.8% slide on the NYSE is anything to go by, then rampant Angolan corruption and its increasing spillage into Western assets will not go down very well with Western investors.

Angola officials held hidden Cobalt stakes

By Tom Burgis and Cynthia O’Murchu in London

Three of the most powerful officials in Angola have held concealed interests in an oil venture with Cobalt International Energy, the Goldman Sachs-backed explorer whose operations in one of the world’s most promising energy frontiers are under investigation by US authorities, the Financial Times has learned.

The recently departed head of the national oil company and an influential general confirmed to the FT last week that they and another general have held shares in Nazaki Oil and Gáz, the local partner in a Cobalt-led deepwater venture launched in early 2010.

Warning its shareholders that it might face liabilities under US anti-corruption laws, Houston-based Cobalt said in February that the Securities and Exchange Commission and the Department of Justice were investigating its Angolan operations.

The three men’s previously opaque shareholdings in Cobalt’s local partner could raise questions about compliance with US anti-corruption law, which makes it a crime to pay or offer anything of value to foreign officials to win business.

Manuel Vicente, who was the head of state-owned Sonangol until his appointment in January as minister of state for economic co-ordination, and General Manuel Hélder Vieira Dias Júnior, known as Kopelipa, the head of the presidency’s military bureau, confirmed their holdings in Nazaki in near-identical letters.

As head of Sonangol, Mr Vicente oversaw Africa’s second-biggest oil industry. Asked whether they had exerted any influence over the award of Cobalt’s oil rights, Mr Vicente and Gen Kopelipa denied wrongdoing. They said they had held their Nazaki interests “always respecting all Angolan legislation applicable to such activities, not having committed any crime of abuse of power and/or trafficking of influence to obtain illicit shareholder advantages”.

They said their interests and those of General Leopoldino Fragoso do Nascimento were held through Grupo Aquattro Internacional. Aquattro is named as a Nazaki shareholder in two company documents from 2007 and 2010 obtained by the FT. They said Aquattro had been “recently dissolved” but did not say whether they had disposed of their interests in Nazaki.

Interactive graphic details the Angolans’ opaque shareholdings

Gen Fragoso do Nascimento, a former head of communications in the presidency, did not respond to requests for comment.

Mr Vicente and Gen Kopelipa added: “Should the continued operation of Cobalt in the Angolan petroleum sector be unviable as a result of any failure to comply with any American law, there will certainly be [Angolan] and/or foreign entities interested in substituting for it in the assets it owns in Angola.” Gen Kopelipa added that “that hopefully will not happen”.

Responding to FT inquiries about the three officials, Cobalt stressed that its extensive and ongoing due diligence “has not found any credible support for [the] central allegation that Angolan government officials, and specifically the officials identified . . . have any ownership in Nazaki”. It would be happy to review any proof.

“Cobalt has at all times complied fully with both US and Angolan laws,” it said. Nazaki, which did not respond to a request for comment, denied the allegation, Cobalt said.

Goldman, one of Cobalt’s founding investors and its biggest shareholder, declined to comment, as did the SEC and DoJ. Sonangol did not respond to requests for comment.

0

Convidamos o leitor a nos acompanhar por um pequeno passeio pelo nosso sistema de saúde e os investimentos externos da Sonangol.

Começamos em Cabinda. Como noticiamos aqui antes, com base nos relatos da VOA, aquela província foi fortemente abalda por uma greve dos funcionários de saúde devido as suas péssimas condições de trabalho, isto na província que mais contribui para o nosso PIB. A greve foi violentamente reprimida (porrada, se refilares).

No Uíge, o cenário é igualmente macabro. No dia 28 de Março do ano corrente, A VOA noticiou que o hospital carece de água e sanitários públicos. Citamos:

A população do Uíge esta insatisfeita com a falta de sanitários públicos e água no Hospital Provincial do Uíge, a situação dura há um tempo a esta parte e tem obrigado os acompanhantes dos pacientes a utilizar bacios e bidões de água para manter a higiene no local. 

Em Malange, o cenário é similar. Citamos o artigo da VOA do dia 23 de Março:

O Hospital Geral de Malanje está sem água corrente há mais de cinco dias e os principais serviços estão a funcionar a meio gás, enquanto que as áreas de Raio X, análises clínicas e gesso foram encerradas ao público.

Face a este cenário negro das unidades hospitalares PROVINCIAIS nas CAPITAIS de três das nossas províncias, recebemos ontém a seguinte notícia:

Sonangol interessada no negócio dos hospitais em Portugal

Recentemente, a Africa Monitor noticiou que a estatal Sonangol tenciona concorrer à privatização da HPP Saúde – Hospitais Privados de Portugal, do grupo estatal financeiro Caixa Geral de Depósitos e que já comunicou essa intenção ao governo português, concretamente ao ministro das Finanças de Portugal, Vitor Gaspar, no decurso da sua recente viagem a Luanda.

Caso decidirmos contestar esta alocação inoportuna de dinheiro estatal em hospitais no exterior quando os nossos nem sequer têm água corrente, a resposta será so uma.

Porrada, se refilares.

0

After 10 years of peace is Dos Santos’ 32-year rule under threat?

-Article by Louise Redvers, ThinkAfricaPress

A secret pre-electoral survey, apparently conducted by a Brazilian company on behalf of the MPLA late last year, is understood to have forecast that the ruling party would only win around 48% of the vote.

Luanda, Angola: On Wednesday April 4 Angola celebrated the tenth anniversary of the end of its three-decade civil war.

But what should have been day of unified reflection and celebration was hijacked by the ruling Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) who turned the country-wide events into pro-government rallies that served only to underline the growing divisions within the country.

In a speech to thousands wearing white t-shirts bearing his face, long-serving president Jose Eduardo dos Santos hit out at opposition parties and civil society groups for criticising the government and denied claims the upcoming election was being rigged.

Dos Santos, who has been in power for 32 years, boasted to the crowd in the town of Luena, Moxico, close to where rebel leader Jonas Savimbi was killed back in 2002, that the MPLA was too big and powerful to need to cheat.

“We don’t need fraud, we don’t need tricks, we don’t need to cheat, we are very big and we are a very strong party,” he said, adding “Those who are strong don’t need to cheat to win.”

His retort was aimed directly at the União Nacional pela Independência Total de Angola (UNITA), once led by Savimbi and now the country’s largest opposition party. UNITA has been voicing its concerns about how the elections are being prepared.

They and the other parties were unhappy that voter registration began before the new electoral legislation was passed, but are even more annoyed about the appointment of Suzanna Ingles as chair of the National Electoral Commission (CNE).

Ingles, who is a lawyer rather than a judge as the law stipulates, is also a member of the MPLA Women’s group OMA which clearly brings the notion she is independent into question.

With only 16 parliamentary seats compared to the MPLA’s 191, UNITA was unable to stop the National Assembly endorsing the appointment and instead staged a walkout to show their frustration.

A complaint to the Constitutional Court has been rejected and there are low expectations about a similar appeal submitted to the Supreme Court now that Dos Santos, who personally appoints senior judges, has publicly pledged his confidence in the CNE.

No-one is quite sure how events will develop. UNITA – who like the other opposition parties were deliberately excluded from all peace celebrations – have not ruled out street protests.

Ahead of Wednesday’s anniversary, UNITA’s Horácio Junjuvili travelled to Johannesburg, South Africa, to brief international media about their concerns and the corner they find themselves in.

Defending accusations that UNITA themselves were to blame for their lack of presence in Angola, Junjuvili said the opposition had been bullied and repressed, and starved of media space and funds by a government becoming increasingly dictatorial and intolerant.

“In any normal country, if you had five months to go until an election and no credible electoral body, the polls would be delayed,” he said, sighing. “But Angola is not a normal country.”

Untouchable?

The rare trickle of wire coverage that this trip generated is unlikely to worry the Angolan government, which enjoy good relations with a wide portfolio of oil-hungry countries including the United States, the UK, France, Portugal, Brazil and China.

These nation’s diplomatic missions know very well what is going on in Angola. Some even fund the civil society groups who complain about media censorship and lack of human rights.

But satisfying local targets to “support good causes” is a world away from direct government-to-government challenges, and is likely to remain this way especially given Angola’s resource wealth and associated investment opportunities.

Adding to the concerns about the electoral preparation, there are now reports circulating that the European Union will not be sending any observers to monitor the election.

This leaves the job of evaluating the polls for fairness and freedom to the African Union (AU), of which Angola holds the chair of the peace and security council, and the Southern African Development Community (SADC), of which Angola is currently president.

Civil society groups are despairing. “The European Union observers were the only ones who raised red flags in the 2008 polls, now we will have no objectivity,” one activist lamented.

But going back to Dos Santos’ boast – that the MPLA does not need to cheat to win the upcoming polls – doth the president protest too much?

Read the rest of the article here

Click here to learn more about Central in English // Clica aqui para saber mais sobre a Central in English