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A Cultura e o Medo

Posted: December 5, 2012 in Ficção/Conto, Opinião

Perante o medo, a cultura não floresce.

Perante o medo, a luz da cultura apaga-se

Afogada, abafada, asfixiada.

A cultura perante o medo não respira,

Sucumbe, esmorece e morre.

É subjugada pelo medo,

 

Torna-se a cultura do medo.

 

Perante o medo a cultura é demolida,

Como o Teatro do Elinga, aquele templo cheio de vida

Para dar espaço a um parque de estacionamento.

Um teatro vibrante, extremamente nosso,

Dá lugar a um monstro de betão, de coração

vazio.

A cultura do medo extingue vozes críticas

repletas de talento

E substitui-as com gritos e disparates barulhentos.

A cultura do medo suprime um Kapa,

Que lá fora é capa de revista internacional,

Para promover um thcilo

repugnante e nojento.

Estamos sempre a subir, ao contrário.

A cultura do medo proíbe que irmãos apreciem um festival juntos

porque pertencem a formações políticas diferentes.

O medo da cultura torna-a escrava do medo,

Destruindo-lhe.

A cultura do medo promove o lixo,

em detrimento do que é corajoso mas incómodo,

Real e verdadeiro.

A cultura do medo corrói a sociedade,

Porque não há sociedade sem cultura,

E não há cultura

no medo.

 

Perante o medo, a cultura não floresce.

Perante o medo, a luz da cultura apaga-se

Afogada, abafada, asfixiada.

A cultura perante o medo não respira,

Sucumbe, esmorece e morre.

 

 

Torna-se

A cultura do medo.

Querida Mãe,

Queria te dizer que espero que esteje tudo bem, mas não está. Sei que te dói a alma.

Está tudo de patas pro ar.

Dois dos teus filhos continuam presos e não se sabe bem aonde. A polícia não diz nada e os mantém em prisão ilegal. Não cometeram crime nenhum. Os seus nomes, Alves Kamulingue e Isaías Cassule, serviram de fonte de inspiração para outro filho teu a escrever um poema:

Eu sou Kamulingue
Eu sou Cassule
Amanhã seremos dois Kamulingues
Mais dois Cassules
Depois de amanhã seremos três Kamulingues
Mais três Cassules
E não tardará, Angola será de todos os Kamulingues
E de todos os Cassules.

Haverá uma manifestação no dia 14 de Julho. Os teus filhos já esperam pelo pior: agressões, ataques e uma incompreensível sede de sangue por parte daqueles que acreditam que tu não deves ser uma mãe inclusiva e democrática e que os teus filhos não merecem viver em democracia, pluridade e paz.

E as eleições…epa, mãe, eu desisti de perceber como é que um partido com supostos 5 milhões de habitantes tem tanto medo de eleições. Desde 2010, aboliram as eleições presidenciais directas, inventaram esta malabarice de eleições atípicas, deram poderes extraordinários ao Presidente da República (mãe, como é que um só homem, que nem sequer é eleito directamente pelo povo, pode ter tanto poder?); a CNE já vai no seu terceiro presidente desde o início do ano; o FICRE ainda não foi auditado, ao arrepio da lei, e até hoje ainda não foram publicados os cadernos eleitorais, também ao arrepio da lei. Os juízes do Tribunal Constitucional, que são todos do partido no poder, excluiram partidos do pleito eleitoral com base nestes dados não auditados do FICRE, mas aprovaram partidos de quem nunca ouvi falar nem os vi fazer recolhas de assinaturas; mãe, há casos de mandatários de lista que votaram há quatro anos com o mesmíssimo cartão, mas hoje já não constam no FICRE. O que é isso mãe?

Como podemos confiar em eleições assim? Mãe, muitos amigos meus nem sequer vão votar nestas eleições, por considerarem perca de tempo…

Agora a CNE está a querer aprovar leis que já foram rejeitadas na Assembleia Nacional, sem ter competências para o fazer. Mas mãe, se têm 5 milhões de habitantes, porquê estes truques todos? De onde vem esste medo?

Sabes o que eu acho mãe? Eu acho que isso de 5 milhões de habitantes é só cantiga, tipo aquela do Pioneiro Ngangula. Acho que estes truques todos são por causa do friozinho que eles sentem no estomago. Aquele medo de perder as benesses, os poderes extraordinários, o lucro fácil que provem da corrupção que eles tanto adoram e que lhes sustenta.

Senão vejamos, mãe. Os jovens já perderam o medo. Mesmo com todas as cacetadas que levaram, os raptos, as agressões, os ferros na cabeça, as ameaças de morte, as cocaínas nas binas, as milícias, os aliciamentos, mesmo com tudo isso mãe, eles ainda estão aí, prontos para outra marcha.

E agora os ex-combatentes ainda, mãe? Esses nunca tiveram medo, mas agora menos que nunca. Pararam a cidade no outro dia e prometem fazê-lo outra vez; era ouvi-los a cantar, em voz alta:

Eu Vou Morrem em Angola!
Com arma da guerra na mão,
Granda será meu caixão,
Enterro será na patrulha!

Causava arrepios, mãe. Homens destemidos, sem mais nada a perder, que foram usados como carne de canhão e agora estão aí, esquecidos e atirados a sua sorte.

E mãe, no outro dia os da oposição puseram centenas de milhares de angolanos na rua em todo o país, sem promessas de birra e comida; sem Nagrelhas, Yolas e Yuris para animar a plateia; sem fechar os mercados da cidade; sem obrigar alunos em idade escolar a a comparecerem; sem ameaças ao sector público, e sem promessas de milhões. Contaram só mesmo com o desejo do povo em ver eleições livres e justas e a não pactuar com a fraude. Já os outros precisaram de tudo isso e mais alguma coisa (leia-se, toda a máquina propagandística da comunicação social nacional) e mesmo assim não conseguiram o milhão que queriam, eo pai grande deles recusou-se a dirigir-lhes uma palavra sequer.

Os jovens perderam o medo, os ex-combatentes já não estão para brincadeiras e perderam confiança no partido, há divisões internas dentro do próprio partido, o povo já não comparece as maratonas como antigamente…de repente mãe, os 5 milhões de militantes já não parecem assim tão seguros! Isso pra não dizer que, como disse o outro, o eleitorado muda. As pessoas mudam de opinião. De repente o medo começa a fazer sentido…

Mãe Angola, tenho medo por ti. A ganância deste homens não conhece fronteiras. É só veres os ex-combatentes na miséria e o seu Ministro a se passear em carros de luxo e a relaxar em mansões de $10 milhões no Lubango…

Mãe Angola, não sei o que será das próximas semanas, meses..só tenho um desejo intenso de mudança, porque já ando farto de te ver maltratada, violada, sofrida. Já ando farto de ver os teus filhos a sofrer e já ando farto de sofrer com eles.

Mãe Angola, estou pronto para a mudança e farei tudo para alançá-la.

Espero poder contar contigo.

Um beijo tenro,

O Teu Filho,

Juventude

Um dia qualquer de um ano qualquer, Sonef, Cazenga, 3h55 da manhã.
É uma madrugada tímida, muitos são os planos: armazéns de faturação, filas de espera, vias obstruídas por gangs de marginais, a possibilidade de cair nas mãos de fiscais, a última chama do fogão a petróleo, a imparável cobrança do estômago etc., a maior preocupação da zungueira é encontrar um meio eficiente que a permita sair ilesa de qualquer possível assalto durante a longa caminhada de casa aos armazéns de faturação.

4h00 da manhã. A zungueira ajeita as notas de kwanzas que tinha conseguido dias antes. É à luz de vela a sua iluminação, numa cubata de chapas. Pacíficas no chão sobre um pano wax dormem duas crianças, filhas suas, uma de 6 anos e outra de 8. Do lado de fora podem ouvir-se cães a latir, motores roncar de gente comprometida com o trabalho, mas a quem os engarrafamentos não abrem excepções. Pode-se caminhar com segurança seguindo em grupos a estas efémeras horas do dia e muitos aderem a estas marchas triunfantes rumo a procura do pão de cada dia. De Viana, do Cacuaco, do Cazenga, Benfica para quem mora em Luanda.

Porém, o afoito nem sempre é garantia de segurança, pois a qualquer altura e em qualquer esquina, pode-se ter apontada sobre a cabeça uma arma qualquer, branca ou de fogo, pedindo aquilo que os meliantes acham lhes é devido “- Papoite, dá tudo e num se mexe muito”. Infortúnio que a falta de iluminação (nas estradas, ruas, becos e casas) agracia com prazer. Impávida, a caravana nestes casos continua a viagem como se nada tivesse visto e talvez mais tarde perguntem: “Te tiraram o que?”.

A zungueira pensou em usar uma algibeira, mas desistiu da ideia, o volume chamaria muita atenção. Ela iria faturar iogurte pascoal, ultra mel ou qualquer outro que tivesse saída. Pensou nos bolsos das calças, pensou nas meias, mas não via segurança nestes meios. Pensou em amarrar o dinheiro à cintura e portanto são 5h45, depois de rasgar boa parte do musseque sombrio e desregrado, já está na fila para a futuração do produto.

São três passos básicos e três postos diferentes: 1 – faturação, 2 – pagamento e 3 – recepção do produto faturado depois de uma averiguação da fatura pelo segurança.

Pôde notar impávida a arrogância do outro lado, do pessoal que atende nestes armazéns. Frequentemente não demonstram respeito nem consideração pelos clientes. Os seus estabelecimentos nem sempre mantêm medidas de segurança, higiene e conservação dos produtos comercializados, muitos não aceitam devolução mesmo de produtos deteriorados. Surpreendente é que para esta gente não há fiscal como há para a zungueira. A zungueira observa com atenção que produtos expirados nunca são apreendidos nas alfândegas, aeroportos ou outras vias de acesso e sim nas prateleiras destes armazéns e/ou dos supermercados.

A falta de consideração pelos clientes deve-se em parte porque a maioria deles são pessoas muito pobres, aquém dos seus direitos de consumidores, aquém do INADEC (Instituto Nacional de Defesa do Consumidor). Muitos poderão até pensar que INADEC é uma lataria qualquer para zungar. É pessoal dos musseques como a zungueira, que viram neste oficio o único meio de garantir sustento aos seus. Fazem das tripas coração por cada 5 kwanzas excedentes nas vendas: uma lambula, um bolinho para as crianças, ou mesmo um lápis para a criança que já rabisca.

A zungueira já faturou o seu produto. E, a primeira venda em muitos casos dá-se tão logo que se deixa o armazém. (Não é para menos que os mamadhus e outros reclamam frenética e persistentemente que a praga da zungaria seja de imediato banida).

Uma caixinha de iogurte vendida de 24 copos, 1200Kz. Um sorriso de satisfação se estampa no rosto da zungueira.

São 7h00 no relógio. A zungueira está a aproximar-se dos congolenses.

” – Tá ki o iogurte pascual, 50Kz o copáile, 200 a quadra”. Soa de um megafone; técnica iniciada pelos nossos mais queridos congoleses democráticos vulgos “langas”, que veio em muito facilitar as zungueiras no seu ofício da zunga e das vozes enrouquecidas de tantos berros para chamar atenção dos fregueses.

Algumas pessoas admiram-se, sabem que o iogurte pascoal é dos mais caros da cidade, chega a custar 120Kz o copo.
– Só pode estar expirado, desconfiam alguns.
– Não disconfiem, o meu iogurte está bom podem ver, replica a zungueira.
Alguns curiosos verificam a etiqueta e o prazo de validade. A zungueira está certa.
Um dos fregueses compra um copinho, prova-o, está saboroso e cremoso. Paga 4 quadras, 800Kz.

A zungueira agradece a Deus. Pensa nas pequenas que ficaram em casa com apenas um copito de arroz para cozinhar, sem óleo e sem nada para acompanhar, apenas duas colheres para ajudá-las a levá-lo à boca. Terão que juntar uns gravetos, pois o petróleo do pequeno fogão acabou. Pensa na fumaça, na possibilidade de se queimarem pela tenra idade que as apossa, respira fundo e pede que Deus as proteja e que nada de mal lhas aconteça.

Largo Primeiro de Maio, 7h45. É grande a correria. Um zungueiro desponta-se. É um jovem de estilo atlético, deverá caminhar para os seus 22 anos, determinado e cheio de vigor juvenil, tem em suas mãos livros e CDs áudio, está entre as faixas de rodagem, vai de carro em carro exibindo os livros e os discos. Um motorista interessa-se abaixa o vidro, pergunta por um CD.

– 1000Kz mô kota, é original, R.Kelly dentro em breve estará em Angola para um show, responde alongadamente o zungueiro.

O motorista pega no CD aprecia, meneia a cabeça. É um grande músico. Está entre os seus favoritos. Vira-se, o que tens aí de livros? O zungueiro mostra-lhe a pilha de livros. Pelo tremendo engarrafamento que tem sido o Primeiro de Maio, estes diálogos são frequentes e sem perturbações ao trânsito, que é mais estático que trânsito, nem os semáforos ajudam. O tráfego pode durar horas a mover. Oportunidade que tem sido bem aproveitada por esses laboriosos homens das ruas.

O motorista dá de cara com a constituição da República.

– Constituição da República de Angola?! Espanta-se o motorista. Está a venda também a constituição?
– Sim mô kota, nós também faturamos a constituição.
E quanto custa? 2500Kz, responde o zungueiro. O que? O motorista não acredita. “Quando então é que conheceremos as nossas leis se elas custam tão caro assim?” Monologa o motorista. Não acredita que a lei magna da nação que devia estar debaixo de cada teto no país esteja a ser comercializada a tremendos 2500Kz, 25 dólares americanos. É um mau sinal para a democracia, conclui o motorista.

– Epa ndengue, eu estou muito interessado em ter a constituição, faz-me desconto yá? Pede o motorista.
– Pode pagar 2000Kz, responde o zungueiro.
– Deixa cá ver. . . tenho apenas 1800Kz amigo, implora o motorista.
– Eh! papoite assim tás a fatigar o tô cassule, não vou ganhar nada!
– Já leste este livro? Pergunta o motorista. – Nada papoite, só faturo, não há tempo pra ler senão onde terei tempo para vender?
– Este não é um livro qualquer. Aqui estão todas as leis do nosso país, os nossos direitos e os deveres do estado para com o cidadão, devias ler. Podem vir a cometer uma injustiça contigo, conhecendo a lei poderás te defender.
– Tá bem kota, farei o possível para ler. Promete o zungueiro.
– Agora aceita os meus 1800Kz, ajuda seu irmão, implora mais uma vez o motorista.
– Bem, vou fazer isso só pra ti mô papoite, entrega a Constituição ao passo que recebe o valor.
– Muito obrigado amigo. Agradece o motorista.
– De nada papoite.

8h38 A zungueira está nos congolenses. Improvisa uma pequena bancada, que consiste apenas em estender um pano sobre o chão e em cima amontoar o iogurte. Temendo o infortúnio dos fiscais decide expor apenas uma caixinha. O megafone a conquistar a clientela, pois o anúncio traz um preço espacial, barato demais para alguns, mas surpreendente para outros. Pequenos ciúmes não faltam por entre as zungueiras, especialmente entre aquelas que comercializam o mesmo produto.

Os fiscais na subunidade fiscal algures no Largo da Tourada estão em formatura matinal e recebem instruções que devem ser seguidas à risca:

– Nos últimos dias temos recebido muitas queixas dos nossos companheiros senegaleses, malianos, ivoirienses e alguns congoleses, que acusam obstrução comercial, introduz o Inspetor Chefe da Fiscalização. As zungueiras, continua ele, têm impedido que os clientes cheguem aos armazéns dos nossos amigos já mencionados. E mais, os zungueiros que operam na cidade, estão a sujar a boa imagem da nossa linda cidade.

– Elas (as zungueiras) compram os produtos nos armazéns dos nossos amigos e logo em frente dos armazéns estendem-nos a venda. E vocês sabem que os mamadhus são grandes potenciadores da economia do país através dos alvarás comerciais e do imposto de venda. Além do mais, mantendo negócios, atraímos mais investimentos e as relações de cooperação entre os nossos países melhoram.

– Senhor, interrompe um dos fiscais, mas há nisso algum problema? Visto que as zungueiras compram diretamente dos mamadhus?

– Calado! Replica o chefe como quem quer engolir o rosto do fiscal. Tu não percebes que estes miseráveis zungueiros devem começar a respeitar as autoridades? Não sabes por que estás na corporação? Quem és tu, fiscal ou advogado?

– Desculpe Senhor Inspetor Chefe, eu só fiz uma pergunta. Implora o fiscal.

– Para a vossa informação, prossegue o inspetor ao coletivo de fiscais, eu quero ver os Congolenses limpo, nem que seja à pancadaria! O Primeiro de Maio, largo do ilustre imortal líder fundador da noção o Dr. António Agostinho Neto LIMPO! LIMPO, o Arreiô LIMPO! O São Paulo LIMPO! Vocês entenderam???

– Sim senhor!!! Respondem em uníssono os fiscais.

O congolenses é um mercado muito frequentado. Tornou-se no mercado mais importante da cidade desde que o Roque foi transferido para o Panguila. É claro que não tem espaço suficiente para corresponder a demanda. É impossível que todos tenham um espaço para vender dentro do ínfimo mercado. O mesmo diga-se sobre o mercado do S. Paulo, Asa Branca  e da Vidrul em Cacuaco. O emergente mercado do Trinta em Viana, a praça do Sábado na Funda, a praça do Rocha Pinto na Samba, o mercado dos Kuanzas na Petrangol e o mercado do Kikolo em Cacuaco, (além dos Catintóns, Correios, Madeiras e outros) talvez não sejam de si soluções para o problema, visto que a localização do primeiro (o Trinta) não facilita o acesso assim como era o caso do Roque Santeiro, o segundo só estar aberto aos sábados na recôndita CAOP velha, Funda e os outros, desorganizados e mal localizados, além de autênticos covis de salteadores inveterados e incansáveis, são  mercados onde todos mandam e todos cobram.

Pela insuficiência de espaço, as zungueiras não vêm outra maneira de operar senão usando as ruas ou qualquer pedaço de espaço que lhes esteja disponível. Diferente dos mamadhus, as zungueiras estão nestas lides não para conseguir fabulosos lucros e construir mansões nas terras de origem; para as zungueiras é uma luta de vida ou morte. Ou elas vendem ou todos morrem a fome. Tornou-se quase tradição que a circundar estes mercados tem os tais armazéns dos mamadhus ou senegaleses.

Uns na luta do lucro fácil, outros na luta pela sobrevivência. Porquê que os mamadhus (já que acusam obstrução comercial), não são transferidos para áreas mais recônditas onde não poderão sofrer tal obstrução? Talvez o Inspetor Chefe da Fiscalização tenha razão, “são grandes potenciadores da economia do país”.

Com os armazéns a ladearem as praças (com excepção dos do Hoji-ya-Henda), não consigo entender a questão dos mamadhus. As zungueiras preferem usar as ruas próximas de mercados ou as ruas dos mercados por causa da afluência. Para mim, a obstrução ainda vai dar que falar enquanto não se entender que para as zungueiras a zunga é uma questão de vida ou morte e não se traçarem planos reais de ajuste da situação, que não se resumam ao brutal espancamento e espoliação de que são vítimas constantemente.

No próximo capítulo veremos como os fiscais aplicaram a lei da limpeza zunguista, promulgada por seu Inspetor Chefe.

Mbanza Hamza, o soldado esquecido.