Resumo do 16° Dia do Julgamento dos 15+2

Posted: December 10, 2015 in Luanda

mg_4303-620x413You can find the English translation below

Segunda-feira
No “julgamento medieval” afecto aos 15+2 activistas realizou-se hoje o décimo sexto dia de sessões de audiência. Dos já ouvidos não se fizeram presidente os co-réus: Nito Alves, que segundo o seu pai ficou de extrair o dente, e também o Nuno e Domingos.

Ouviu-se o Albano Bingo Bingo, cujo interrogatório não havia sido terminado na passada sexta-feira. Foi célere quanto à audiência do réu, os advogados de defesa abdicaram-se de questioná-lo.

O juiz Januário Domingos não tardou em chamar o réu José Gomes Hata, de 31 anos, que é professor, licenciado em relações internacionais e também músico. O Hata respondeu ao juiz todas as questões obrigatórias no que a sua identidade diz respeito.

Juiz: O senhor é ativista?
José Hata: sim, sou meritíssimo, através da música rap.
Juiz: O que tens feito nesta qualidade?
José Hata: Falo para a sociedade sobre os problemas sociais.
Juiz: Quem o chamou para os debates?
José Hata: Nada a declarar.
Juiz: Qual era a forma de tratamento dos debates?
José Hata: Nada a declarar.
Juiz: Que tipo de debate te referes e podes dar um exemplo?
José Hata: Debates sobre temas pacíficos de ativismo, por exemplo a dança.
Juiz: Você tem uma formação de activista?
José Hata: Não.
Juiz: Vocês durante as palestras (debates) falaram de temas políticos?
José Hata: Nada a declarar.
Juiz: Quem lhe apreendeu?
José Hata: Acredito que é a polícia que me apreendeu na tarde do dia 20 de Junho.
Juiz: Foste interrogado por um magistrado do Ministério Público?
José Hata: Sim, fui apresentado a um procurador que me interrogou. Se a memória não me trai foi no quarto ou quinto dia depois da minha detenção.
Juiz: Durante o interrogatório o procurador lhe agrediu e lhe obrigou a confessar um crime?
José Hata: No primeiro interrogatório não me obrigou nem agrediu, mas nos dois subsequentes o procurador usou palavras intimidatórias para me obrigar a responder, chamando-me de gentio e disse: “tens sorte que está na moda falar de democracia, se fosse noutro tempo responderias de pé com correctivos.”

O juiz Januário Domingos passou os dossiês da fase preparatória do processo ao juiz auxiliar, que sentava a sua direita, para ler o processo. Por sua vez o juiz auxiliar leu os dossiês sobre o interrogatório do réu José G. Hata, consequentemente ouviram-se nomes
de cidadãos como: Makuta Nkondo, Rafael Marques e Luís Kiambata. No fim da leitura foi-lhe dado a ver o processo do interrogatório. O juiz continuou a questionar o réu.

Juiz: Porquê disse ao procurador que tomou conhecimento do curso através da publicidade na internet tendo posteriormente recebido das mãos do seu amigo Itler informação sobre o curso? José Hata: Nada a declarar.
Juiz: Olhe! Fique de pé, acho que tens dificuldade em responder as minhas questões.

José Gomes Hata levantou-se para responder as seguintes perguntas do Sr. Januário Domingos.

Juiz: Porque disse que no momento da tua detenção, apercebeste da presença no local do embaixador Luís Kiambata reclamando que a residência ocupada pelos ativistas é a pertença da sua mãe?
José Hata: Nada a declarar.
Juiz: Porquê disse ao procurador que precisavam de pessoas para presidir uma palestra, tais como: Makuta Nkondo e Rafael Marques?
José Hata: Sim, pensou-se numa palestra convidando essas pessoas e se aceitassem ou não, eram as pessoas indicadas para uma eventual palestra.
Juiz: Porquê disse que não sabe qual seria o destino do Presidente da República e que a soberania é do povo e o país tem as instituições que representam esta soberania?
José Hata: Por que não era meu objetivo tratar do destino do Presidente.
Juiz: Porquê disse ao procurador que não pode dar golpe de estado e acredita que só pode ser alguém infiltrado, que se viu vencido pela luta não violenta, que fez esta denúncia ´para nos intimidar´?
José Hata: Nunca foi meu objetivo dar golpe de estado e porque um golpe de estado envolve violência e eu participei nos debates por serem meios pacíficos como a dança, o teatro, e acho que com esses métodos não se pode falar em golpe de estado.
Juiz: Já reivindicou algum direito, e quais?
José Hata: Sim já, tais como; direito a água, luz, educação e saúde.
Juiz: Quem lhe coarctou estes direitos?
José Hata: Nada a declarar.
Juiz: O senhor pretendia alternar o poder vigente?
José Hata: Não, meritíssimo.
Juiz: Qual é a importância dos debates?
José Hata: No meu ponto de vista: foi em trazer visões pacíficas de reivindicar os direitos.
Juiz: Você tinha alguma visão além desta pacífica que acabaste de alegar?
José Hata: Não.
Juiz: Você projetou destituir e mobilizar populares para manifestar-se nas ruas distintas das cidades de Angola?
José Hata: Não.
Juiz: O senhor projetou substituir a constituição vigente por uma outra e elaborar nova para Angola?
José Hata: Não.
Juiz: Você projetou a substituição do Presidente da República, membros do governo, titulares de órgãos de soberania por outras pessoas da sua conveniência?
José Hata: Não, meritíssimo.
Juiz: O senhor tem conhecimento que as eleições em Angola constituem modo de alternância de poder? José Hata: Nada a declarar.
Juiz: O senhor conhece e respeita os signos da República?
José Hata: Nada a declarar.
Juiz auxiliar: Consideras-te um ativista porquê?
José Hata: Sim, porque estou em constante movimento em prol dos direitos cívicos da população.
Juiz: Angola para si é um estado democrático?
José Hata: Nada a declarar.
Juiz: De que modo se preparava para os debates?
José Hata: Usando apenas a minha inteligência.

Terminadas as questões dos juízes passou o Ministério Público a interrogar o réu José Hata.

MP: Que razões de segurança obrigavam o grupo a não ter líder?
José Hata: Digníssimo representante do Ministério Público, não lhe vou responder nenhuma questão.

Com a resposta do José o representante limitou-se a ler as questões.

MP: Você participou do encontro no dia 16 de Março em Viana, mais concretamente na sovismo com o líder da JURA?
MP: Alguns dos co-réus, os seus colegas, o quê estudam?
MP: Já participou em alguma manifestação, qual era a finalidade, foste o organizador ou participaste na organização da mesma?
MP: Vocês apelidaram o Presidente da República de ditador?
MP: A ditadura deve ser combatida?

Estas e outras questões fizeram parte das inquietações do Ministério Público. Na fila dos réus não paravam as reclamações sobre os assentos sem apoio traseiro, mexiam as colunas e as cabeças constantemente. A sessão foi encerrada com a promessa de voltar amanhã com a continuação do interrogatório ao Hata e depois com o réu Sedrick de Carvalho.

Pelo nosso repórter cívico,
edição feita por @CA7311

PS: Pode também ler o artigo relacionado da @RA sobre o dia de hoje
aqui: http://www.redeangola.info/93836-2/

SUMMARY OF THE 16th DAY OF THE TRIAL OF THE 15+2

Monday

Today was having place the 16th day of the court hearings in this “medieval trial” of the 15 + 2 activists. From the people who were already questioned Nito Alves (whom according to his father had a tooth be extracted), Nuno and Domingos where not present in the court room.

Albano Bingo Bingo, who’s questioning had not been finished last Friday, was heard. His sitting was quick and the defense lawyers chose not to question him.  The judge Januário Domingos didn´t take long in calling the defendant José Gomes Hata, of the age of 31, a teacher with a bachelor in international relations who is also a musician. Hata did answer all the mandatory questions that involved his identity to the judge.

Judge: Are you an activist?
José Hata: Yes, your honor, through rap music.
Judge: What have you been doing in this field?
José Hata: I speak about social problems to society.
Judge: Who called you for the debates?
José Hata: Nothing to declare.
Judge: In what way were these debates set up?
José Hata: Nothing to declare.
Judge: What kind of debates are you referring to and can you give an example?
José Hata: Debates on peaceful subjects in activism, such as dance.
Judge: Have you had any training as an activist?
José Hata: No.
Judge: Have you spoken about political subjects in these lectures (debates)?José Hata: Nothing to declare.
Judge: Who impounded you?
José Hata: I believe that I was impounded by the police in the afternoon of June the 20th.
Judge: Were you questioned by any magistrate of the Public Ministry?José Hata: Yes, I was introduced to a prosecutor who questioned me. If my memory doesn´t fail me, this happened on the fourth or fifth day after my arrest.
Judge: Where you beaten and obligated to confess to any crime by this prosecutor during questioning?
José Hata: In the first questioning he didn´t beat me nor made me confess to anything, but in the two following questionings he used intimidating words to oblige me to answer, calling me a gentile and said: “you’re lucky that talking about democracy is a trend, if this would have happened in a different era you would answer on your feet undergoing corrective measures”
The judge Januário Domingos passed the dossiers of the preparation phase to the assistant judge, whom was sitting at his right, to read the case. The assistant judge read the files about the questioning of the defendant José G. Hata, hence were heard names of citizens like: Makuta Nkondo, Rafael Marques and Luís Kiambata. At the end of the reading he was given the dossiers of the questioning to see it. The judge carried on questioning the defendant.

Judge: Why did you say you took knowledge of the course through the internet if after that you received information about it via your friend Itler?José Hata: Nothing to declare.
Judge: Look! Stand up, I think you are encountering some kind of difficulty to answer my questions.

José Gomes Hata stood up to answer the following questions made by Mr. Januário Domingos.

Judge: Why did you say that, at the time of your arrest, you understood the presence of the ambassador Luís Kiambata, claiming that the residence occupied by the activists belonged to the mother?
José Hata: Nothing to declare.
Judge: Why did you tell the prosecutor that you needed people to preside a lecture, such as: Makuta Nkondo and Rafael Marques?
José Hata: Yes, there were ideas of a lecture for which those people would be invited, and whether they would accept or not, these people where the most suitable if it would take place.
Judge: Why did you say that you didn´t know what would be the President of the Republic´s destiny and that sovereignty belongs to the people and that the country has institutions that represent this sovereignty?
José Hata: Because it was not my purpose to decide on the president’s destiny.Judge: Why did you say to the prosecutor that you cannot execute a coup d’état and that you believe it could only be someone who was infiltrated, someone who felt threatened by the nonviolent struggle, that blew the whistle “to intimidate us”?
José Hata: It has never been my goal to execute a coup d’état and because this would require violence and I did participate in the debates because they are nonviolent methods like dance, theatre, and I think that there can´t be talk of a coup d’état with these methods.
Judge: Have you ever claimed any right, which ones?
José Hata: Yes, I have, rights such as: the right for water, electricity, education and health. Judge: Who took these rights from you?
José Hata: Nothing to declare.
Judge: Was your objective to change the current power? osé Hata: No, your honor.
Judge: What is the importance of the debates?
José Hata: In my point of view: to bring a more peaceful vision of demanding rights.
Judge: Did you have any other point of view beyond this pacifist one that you have just alleged? José Hata: No.
Judge: Did you plan to remove and mobilize people to manifest themselves in the various streets of Angola´s cities?
José Hata: No.
Juiz: Did you envision substituting the current constitution by another to elaborate a new one for Angola?José Hata: No.
Judge: Did you anticipate the substitution of the President of the Republic, members of the government and leaders of sovereign entities by other people of your convenience? José Hata: No, your honor.
Judge: Do you know that elections in Angola form a way of changing power? José Hata: Nothing to declare.
Judge: Do you know and respect the symbols of the Republic?
José Hata: Nothing to declare.
Assistant judge: Why do you consider yourself an activist?
José Hata: Yes, because I am constantly working for the civil rights of the people.
Judge: Is Angola, in your opinion, a democratic state?
José Hata: Nothing to declare.
Judge: In what ways did you prepare yourself for these debates?
José Hata: Only by using my own intelligence.

Once the judges questions where finished the Public Ministry started to question the defendant José Hata.

PM: Which security reasons obliged the group not to have a leader?José Hata: Highly esteemed representative of the Public Ministry, I will not answer any of your questions.  After this answer from José the representative limited himself to reading the questions.

PM: Did you participate in the meeting that took place on the 16th of March in Viana, more precisely in sovismo with the leader of JURA?PM: Some of the co-defendants, your colleagues, what do they study? PM: Did you participate in any protest, what was the objective, were you the organizer or did you participate in the organization of it?PM: Have you named the President of the Republic a dictator? PM: Should a dictatorship be fought?

These questions where a few of the ones on the list of the Public Ministry. At the bench of the defendants the constant complaints about the lack of back support did not stop, their discomfort made them move their spines and heads over and again. The session was closed with the promise of continuing the questioning of Hata on the next day, to be followed by the defendant Sedrick de Carvalho.

By our citizen reporter (in Portuguese)

Translation by volunteer Marina Zimmermann
Edited@CA7311

PS: You can also read about today’s session via @RA at: http://www.redeangola.info/93836-2/

Sr. José Eduardo dos Santos,

Apesar do esforço que vem empreendendo com a fanfarra mediática já pelo povo angolano bem conhecida que não interfere nos assuntos que competem ao poder judicial, nós já não deixamos embalar pelas canhgas infantis do seu regime perverso.

Temos testemunhado em primeira mão  a sua interferência ao longo de todo o processo e particularmente agora, em plena sede de julgamento. Os seus homens disfarçam-se tão mal que se esquecem de remover da lapela dos fatos que envergam os timbres da presidência.

Aparentemente, as suas ordens têm sido no sentido de prolongar indefinidamente as audiências de interrogatório. Exigimos que, uma vez que não consegue cumprir com o preceito constitucional da separação de poderes, inverta imediatamente as instruções que agudizaram a natureza teatral deste julgamento. Aqui chegados, temos pressa de ser condenados, mesmo sabendo que injustamente.

CASO NÂO TERMINE ESSA FASE DE INTERROGATÓRIO AO LONGO DA SEMANA de 7 à 12 de Dezembro, negar-nos-emos a fazer presentes no tribunal e levaremos a cabo uma greve de fome colectiva que só culminará com a satisfação da nossa exigência.

Deixemos de brincar aos países. Angola não é sua lavra e muito menos sua quinta.

Subscrevemo-nos

Os seus presos políticos de estimação

Luaty Beirão

Manuel Nito Alves

Arante Kivuvu Lopes

José Gomes Hata

Afonso Matias Mbanza Hamza

Osvaldo Caholo

Hitler Tshikonde

Nuno Alvaro Dala

Nelson Dibango Mendes dos Santos

Benedito Dali (Dito)

Sedrick

Albano Bingo Bingo

Inocêncio de Brito

Fernando António Thomas

Junto à carta recebida por Rede Angola foi enviado um anexo onde se podem ler aquelas que os activistas consideram algumas “Irregularidades ao longo do julgamento”. Num total de 20 pontos, são apontadas:

-a falta de acesso ao processo por parte da defesa antes do início do mesmo;

-não permitindo a fase de questões prévias associadas ao mesmo;

-os activistas acusam o juiz de indeferir muitos dos requerimentos da defesa por considerá-los questões prévias;

-as más condições da sala de tribunal;

-a presença de elementos da DESP, SIC e SINSE dentro da sala, quando são apenas atribuídos dois passes para a família de cada activista;

-o impedimento de entrada aos observadores internacionais;

-a colocação na sala de três câmaras que os activistas afirmam ser do GRECIMA e transmitir para uma sala com elementos da presidência (e uma segunda, para jornalistas);

-as intervenções de elementos da presidência;

-os “recados” e sms que o juiz recebe durante as sessões;

-da impossibilidade de manter contacto visual com a procuradora Isabel Fançony Van-Dúnem;

-o longo processo de ditar para acta as perguntas do Ministério Público, que os activistas decidiram não responder;

-dos juízes e representantes do Ministério Público se apresentarem na mesma tribuna, “aparentando formar uma equipa única”;

-o impedimento, por parte dos Serviços Prisionais, de os advogados se aproximarem dos seus constituintes;

-a denúncia de diferentes casos de agressão física e psicológica dos activistas;

-e, entre outros, as provas apresentadas pelo Ministério Público que, na opinião dos activistas, “sendo consideradas elementos probatórios, configurariam um crime de delito de opinião”.

Rede Angola

Link: http://www.redeangola.info/activistas-falam-em-greve-de-fome-colectiva/

 

ENGLISH

OPEN LETTER TO THE PRESIDENT

Mr. José Eduardo dos Santos,

Despite the effort you are undertaking with your media spectacle already well known by the Angolan people, do not interfere in the matters reserved to the judicial power, we do not let ourselves be fooled by the childish canhgas ( lullabies) of your perverse regime.

We have witnessed your interference during this whole process first hand and particularly now, in the court itself. Your men are disguising themselves so poor they even forget to remove the lapels of their suits that portray the symbols of the presidency.

Apparently your orders have been made in the sense of prolonging the trial hearings indefinitely. We demand that, since you are not succeeding in upholding the constitutional precept of the separation of powers , you reverse the instructions that have worsened (streamlined?) the theatrical nature of this trial. Having come to this point, we are in a hurry to be condemned, even knowing that it is an injustice.

IF THIS PHASE OF QUESTIONING WILL NOT END DURING THE WEEK from the 7th to the 12th of December, we will refrain from showing up in court and we will carry out a collective hunger strike that will only be ceased by the granting of our demand.

Let´s not play with countries anymore. Angola is not your land and much less your garden.

We subscribe,

Your dearest political prisoners

Luaty Beirão

Manuel Nito Alves

Arante Kivuvu Lopes

José Gomes Hata

Afonso Matias Mbanza Hamza

Osvaldo Caholo

Hitler Tshikonde

Nuno Alvaro Dala

Nelson Dibango Mendes dos Santos

Benedito Dali (Dito)

Sedrick

Albano Bingo Bingo

Inocêncio de Brito

Fernando António Thomas

Attached to this letter sent to Rede Angola was sent an attachment in which can be read some of what the activists consider “Irregularities during the trial”. Summing up a total of 20 points, they note:

– The lack of access to the process by the defense before the beginning of the trial;

– Not allowing the phase of preliminary questioning associated to the process;

-The activists accuse the judge of dismissing many of the defense petitions by considering them preliminary questions;

-The bad conditions in the court room;

-The presence of elements from DESP, SIC and SINSE inside the court room, while only 2 passes are attributed to the family of each activist;

-The prohibition of visits by international observers in the court room;

-The placement of 3 cameras inside the court room identified by the activists as being from GRECIMA that transmit images to a room with elements of the presidency (and a second one for journalists);

-Interventions of elements of the presidency;

-The “messages” and sms received by the judge during the court sessions;

-The impossibility of maintaining eye-contact with the prosecutor Isabel Fançony Van-Dúnem;

-The long process of dictating for the record the questions made by the Public Ministry, that the activists chose not to answer;

-The presentation of the judges and the representatives of the Public Ministry on the same stand, “appearing to be in the same team”;

-The impediment, by the Prison Service, of the communication between the defense lawyers and their clients;

-The complaints of various cases of physical and psychological assault inflicted on the activists;

-And, amongst others, the proof presented by the prosecution (Public Ministry) that, according to the opinion of the activists, “would constitute a crime of opinion, as they are considered probationary elements.”

Translation by Central 7311 volunteer Marina Zimmermann Pachecho Nobre.

Rede Angola

Link: http://www.redeangola.info/activistas

*Photo by Ampe Rogériomg_4303-620x413

No evento Onjango Juvenil, decorrido no Elinga Teatro, sábado 22/08/2015, foram arrecadados 21.685 AKZ.

Dias depois surgiu a necessidade de aquisição de um par de óculos para o Nito Alves devido aos problemas de visão que o afetaram na cadeia pelas condições a que foi submetido, junto com os outros elementos das detenções do 20 de Junho. O par de óculos ficou orçado em 25.900 AKZ.

No entanto estava a decorrer uma outra campanha específica para cobrir este orçamento, promovida por um grupo de cidadãos da qual conseguiu-se recolher um total de 5.900 AKZ mas dada a urgência, por ter sido uma questão de saúde, adicionamos 20.000 AKZ retirados do valor recolhido no Elinga para completar o orçamento. Entretanto houve mais um peditório feito pela Ana Margoso, fruto do qual surgiram mais depósitos concluindo no saldo que está actualmente em conta.

Em anexo encontram-se as imagens da factura do par de óculos e o extracto da conta de uma cidadã solidária que usamos para o efeito.

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É realmente muito difícil defender o indefensável.

No debate de ontem no programa da RTP 3, 360°, entre o Embaixador Itinerante de Angola, António Luvualu de Carvalho, e o escritor e “simples cidadão angolano”, José Eduardo Agualusa, o primeiro tropeçou-se inúmeras vezes em argumentos sem coerência ou sentido; o mais engraçado foi que o Agualusa nem precisou de falar muito para expôr o ridículo da situação em que se encontram os nossos irmãos detidos.

Não é fácil o trabalho do Luvualu. Temos pena dele.

Veja o debate aqui: http://www.rtp.pt/play/p2044/e212595/360

Denuncia Hospital Prisão São Paulo2 Denuncia Hospital Prisão São Paulo1

Violações dos direitos humanos pelas autoridades: o direito ou dever da assistência médica não está a ser respeitado no Hospital-Prisão de São Paulo

30 / 10 / 2015

À opinião pública
Ref.: RADIO Despertar Angola
Assunto: DENÚNCIA

Servimo-nos deste meio para denunciar à opinião pública que vários dos 15 jovens presos políticos estão a padecer de patologias diversas que – infelizmente – não têm recebido a devida atenção nem tratamento. No hospital prisão de São Paulo, onde se encontram todos os 15 presos políticos à excepção de Luaty Beirão (que se encontra na Clinica Girassol), tem sido gritante a elevada negligência com que são tratados os jovens presos políticos doentes.

1 – PROBLEMAS DE VISÃO: O Arante Kivuvu, o Nuno Álvaro Dala e o Sedrick de Carvalho padecem de sérios problemas de visão.
1.1 – O Arante Kivuvu sente fortes dores de cabeça e tem a visão embaçada.
1.2 – O Nuno Álvaro dala tem problemas de miopia, fortes dores de cabeça, dores nos olhos – não consegue enxergar à distância e a visão do olho direito é trémula, havendo momentos em que só enxerga com o olho esquerdo.
1.3 – O Sedrick de Carvalho apresenta fortes dores de cabeça, dores nos olhos e (lacrimejo) lacrimeja. Ele já não consegue ler.

A visão destes jovens piora a cada dia que passa. Apesar de terem guias medicas já processadas, o Nuno Álvaro Dala e o Sedrick de Carvalho simplesmente não foram submetidos a exames nenhuns.
Os médicos praticamente “não estão nem aí” para a urgência dos casos. O Arante nem se quer tem a guia médica passada.

2 – HÉRNIA UMBILICAL: O Arante Kivuvu padece de uma hérnia no umbigo, ele está há dois (2) meses no Hospital Prisão, mas não recebeu qualquer tratamento médico.
3 – ESTOMATITE: O Arante tem (também) fortes dores de dentes, mas – apesar disso – não recebeu qualquer tratamento. O Nito também tem este problema.
4 – HIPERTENSÃO: O Nito Alves e o Nuno Álvaro Dala apresentam elevada tensão arterial, e estes apenas lhes é medido ao sabor do acaso. A tensão do Nuno já atingiu 160… e a do Nito chegou a 180.
5 – DORES DE ESTÔMAGO E GASTRITE: O Nito continua com fortíssimas dores de estômago ao passo que o Nuno tem gastrite, mas o tratamento simplesmente não foi concluído, pois o Hospital Prisão não tem os fármacos para tal.

Nota que o Nuno Álvaro Dala, desde que chegou ao Hospital Prisão, já foi submetido a numerosos exames, mas algumas patologias que lhe foram detectadas foram-lhe ocultadas; foi apenas no dia 29 de Outubro que (por insistência) ele soube que que também TINHA INFECÇÃO NO SANGUE E HEMOGLOBINA BAIXA!

Os subscritores
Nuno Álvaro dala
Manuel Nito Alves
Arante K. I. Lopes
Nelson D. M. dos Santos
Sedrick de Carvalho

Uma carta aberta ao irmão Zenu

Posted: September 4, 2015 in Luanda

Caro irmão José Filomeno de Sousa dos Santos (Zenu)

Espero que estas linhas o encontrem em paz e prefeita saúde, em companhia de todos que te são queridos.
Nós aqui também estamos bem, pelo menos cá em casa reina saúde. Os miúdos só as vezes é que ficam doentes, nem eu sei bem porque.

Mas vamos indo, é a vida.

Irmão Zenu, sou mesmo um jovens desses angolanos aqui, tal como o mano. Também nasci em 1977 na fase da troca da moeda, então somos da mesma idade, por isso ouso em chamá-lo de irmão, e peço desculpas se achar ousado demais.

Mas o que me faz escrever para si, não é o facto de sermos da mesma idade. Sabes, irmão? Estamos muito preocupados com o jovens que foram presos a 70 e tal dias, e que até agora não têm a situação definida.

Estes jovens foram primeiro acusados de estarem a preparar um atentado contra o seu pai (o que não acredito), e com o passar do tempo as acusações foram mudando quase uma diferente por semana. Neste momento nem sei bem qual é o nome da acusação que pesa sobre eles.

E o que me da mais medo, é saber que alguns mais velhos depois, sem as devidas investigações, fazem analogia do caso deles, com casos que acontecem noutros lugares do mundo, mesmo sabendo que nos outros lugares as pessoas foram bem investigadas antes de serem detidas, e tinham com eles planos reais para procederem a um atentado contra o presidente deles, e até são encontrados com armamento. Mas no caso dos jovens angolanos, não houve isso. Eles até são contra golpes de estado, pois acreditam que um golpe facilitaria a manutenção de um sistema opressor, trava o avanço do país em todos os aspectos, e gera violência. Esta posição pode ser lida nas primeiras páginas do livro que um deles escreveu, e que na altura que eles formam presos, eles estavam a meditar no tal livro.

Irmão Zenu, não estou a escrever para si para justificar nada. Aliás, temos uma justiça que precisamos que trabalhe, e que não seja influenciada por nada nem por ninguém.

Só queria que o irmão, influente como é, e filho do presidente, com responsabilidades acrescidas no nosso país, nosso irmão, filho da nossa geração, jovem como nós e certamente pessoa com quem podemos contar no futuro, interceda por estes jovens. Não só eles não são o que as pessoas têm dito, como também não querem nada de mal para o país nem para as pessoas que lideram o pais.

Está certo que eles contestam. Sim, mas como é que vamos viver sem contestação? 

O país é grande, os problemas são muitos e nunca se vai satisfazer a todos. Alguém sempre vai contestar. Só não precisamos de maltratar quem contesta só porque contestou, muito menos precisamos de tratar tão mal, a jovens que podem muito bem ser úteis para este pais.

Sabe irmão Zenu? Ai naquele grupo de jovens que estão presos, tem lá licenciados, mestres, doutores e acadêmicos cheios de vontade. Pessoas que até podiam ser seus assessores nos mais variados aspectos da vida, jovens com talentos muito preciosos.

Por favor, interceda só por eles, junto do seu pai, junto dos mais velhos que mandam, e aí onde poderes… Eu imploro.

Também, alguns deles são pais e chefes de família. Fica difícil as suas famílias estarem a ser penalizadas só porque eles (os jovens) são do tipo que não descansam a mente, mas a usam-na para o bem do país.

Irmão Zenu, há muita coisa que se podia falar acerca dos jovens e da detenção deles. Mas como disse acima, não vim justificar nada, quero apenas apelar à sua sensibilidade, para que interceda aí onde nós não conseguimos chegar, e o irmão sendo a pessoa com as responsabilidades que tem, saberá sim interceder e certamente terá a atenção dos mais velhos.

Ao despedir-me, faço votos de sucesso nos seu afazeres, melhores cumprimentos para a sua família e muita coragem neste momento de crise, onde o esforço, dedicação, criatividade e inteligência de todos, são necessários.

Esperando boa resposta. 

Do seu irmão e concidadão, António Domingos “Magno”