CCV denúncia reclusos (5)

Recluso tuberculoso à míngua

O regime ainda não percebeu que ao prender ativistas oferece olhos e voz a reclusos cujos direitos são violados dentro daqueles muros (quase) intransponíveis.
Têm-nos chegado denúncias da Comarca Central de Viana (CCV) que estivemos a compilar e agora partilhamos com o grande público. Comecemos pelo mais urgente, pois ainda há espaço para se repor a legalidade: Menores detidos e misturados com adultos acusados de delitos comuns:

1 – Janeth da Cunha Agostinho, 16 anos, detido em Novembro de 2016, acusado de violação;
2 – Alcides dos Santos de Pina “Tchuchubá”, 17 anos (16 quando detido), detido em Novembro de 2016, acusado de furto;
3 – Pedro Vica, 16 ou 17 anos (só sabe o ano de nascimento), detido em Novembro de 2016, acusado de furto;
4 – Francisco Brandão Mussungo, 16 anos, detido em Abril de 2016, acusado de furto;
5 – Samuel Sueca Ngoma, 16 anos, detido em Janeiro de 2017, acusado de furto;
6 – Panzo Afonso Massango, 15 anos, detido em Novembro de 2016, um mês depois de fazer 15 anos, acusado de furto;
7 – Manuel José João, 16 anos, detido em Dezembro de 2016, acusado de furto;
8 – Borges Simão Francisco, 16 anos, detido com 15 anos em Agosto de 2016 e condenado a um ano de prisão por furto;
9 – Paulino António Isidro, 16 ou 17 anos (só sabe o ano de nascimento), detido em Setembro de 2016, acusado de furto;
10 – Domingos Joaquim Mendes, 17 anos (16 quando detido), detido em Janeiro de 2017, acusado de furto;
11 – Garcia Manuel Hango, detido um dia antes de completar 16 anos, em Fevereiro de 2017, acusado de furto.

Uma grave acusação de aborto forçado à reclusa Estoriana, mandatado por uma das responsáveis da Ala Feminina pelos Serviços Penitenciários, senhora Epissana. Segundo a denúncia, a mesma ficou grávida na sequência de uma relação mantida com o recluso “Yuya” no único sítio onde as duas alas convergem: a escola. Como consequência, o recluso “Yuya” foi transferido para outra cadeia e toda a ala feminina ficou interditada de ter acesso à escola. Fontes da ala feminina dizem no entanto que as aulas estão a ser administradas mesmo no interior da ala.

Há igualmente denúncias de uma sequência de mortes numa mesma cela, a cela onde “atiram os malucos”, como nos relatou a fonte da CCV, tendo “encontrado a morte” os seguintes reclusos padecendo de disturbios do foro psíquico: Alberto Afonso Ventura, Pinto Bento, Frederico Muango Jengue, Agostinho Chipupo, Fábio Wandangando, António Manuel Caboco e João Lápis Furtado, todos da Caserna 2-D, Bloco C.

As denúncias que foram feitas há meses atrás pelo ora malogrado Bruno Leite continuam por ser sanadas, apesar de alguns ex-reclusos terem afirmado que, nas semanas seguintes àquelas denúncias, houve um esforço notável para melhorar as condições. O facto é que, atualmente, a degradação humana volta a ganhar espaço com a sarna e as impinges a proliferarem entre os reclusos assim como doenças derivadas da desnutrição à qual estão sujeitos (os “Bibis”). Algumas fotos de baixa qualidade chegaram até nós e aqui as partilhamos. Elas mostram a forma como dormem e comem os doentes na CCV. Os reclusos reclamam que as condições pioraram desde que o Diretor Lúcio trocou a Dra Fátima por uma massagista (que acusam de ser sua amante), Zuca de sua graça, muitos mais doentes passaram a morrer por manifesto desinteresse por parte da mesma.

Por último há nomes de agentes citados como sendo os principais protagonistas de sevícias físicas sobre reclusos:
1 – Rodrigues Quimunga “Rodman”, colocado no Bloco E, agrediu recentemente um recluso com problemas do foro psíquico, de sua alcunha “Jojó”;
2 – O Chefe de Segurança conhecido entre os reclusos por “Chefe Cara-podre”, recorre à violência com regularidade;
3 – “Man Juba, um simples agente da Ordem Interna, colocado no Bloco E (dos doentes) é também reputado como um dos temíveis distribuidores de fruta.

Obviamente que estas informações poderão carecer de confirmação e é com esse intuito que alertamos as autoridades a investigarem-nas com seriedade e a aplicar as medidas punitivas àqueles que abusem do seu poder no seio do sistema prisional. Sabemos que nem todos são maus ou degenerados, tem gente que tenta realmente fazer um trabalho mais humanizado e humanizante, mas cabe ao MININT apurar os factos, encontrar responsáveis e remover as maçãs podres do cesto. Para começar, os menores devem ser imediatamente colocados em liberdade por estarem ilegalmente detidos, um deles até condenado a prisão efetiva em absoluto arrepio da lei.

Morte Potável

Posted: May 4, 2017 in Luanda

O general Kangamba introduziu o conceito do desenvolvimento da energia potável em Angola. Pouco se fala, no entanto, no desenvolvimento da morte potável, a água canalizada que o Estado leva às residências dos cidadãos para matá-los, lentamente, de forma potável.

Kwanza Sul Morte Potável

Imagem tirada num quintal, na província do Kwanza-Sul

As redes sociais têm-se vindo a consolidar como o espaço da democracia por excelência, o único espaço em que cada emissor decide o que quer tornar público e cada recetor decide ao que dedica a sua atenção, descartando tudo o resto. Num país onde os meios de difusão da informação estão asfixiados e manietados pelo poder político, as redes sociais servem de barómetro ao estado de espírito no país.

Pouca coisa escapa ao escrutínio, análise minuciosa e chacota desse povo cibernético, sendo o alvo predileto, aqueles de quem é praticamente proibido falar no mundo físico, aqueles que detêm um poder discricionário e, qual deuses, decidem o destino a dar aos prevaricadores desta regra de ouro da nossa um-dia-serei democracia.

Lembramo-nos da famosa garrafa de Moët que temperou a feijoada do Norberto Garcia e que o obrigou a uma justificação pública patética, depois dessa imagem de alegria e de celebração do luxo na miséria ter viralizado na net.

Norberto Garcia Champanhe

Feijoada gostosa

Lembramo-nos igualmente dos xiliques da deputada Tchizé dos Santos quando conversas de um grupo de WhatsApp da JMPLA transbordaram para a esfera pública e da ameaça venenosa que proferiu no mesmo grupo se essa nova troca de mensagens vazasse. Vazou, de facto. Até hoje nos perguntamos se ela conseguiu chegar “ao fim do mundo”, encontrar o responsável pelo gesto desafiador e qual terá sido a sanção aplicada a ess@ destemid@ militante.

Ultimamente o pódio tem sido ocupado de maneira incontestável pelo nosso MC Besteira, o embaixador delirante, Luvualu de Carvalho, com a mais que célebre tirada do oxigénio enquanto ganho intangível da paz. Jamais se viram tantos memes a ridicularizar a bajulinite aguda que afeta a capacidade neurológica de jovens aparentemente inteligentes, que poderiam ser úteis ao país se não escolhessem tornar-se prostitutos intelectuais, abdicando de qualquer réstia de dignidade em troca de uma fatia do bolo da corrupção.

Nos últimos dias têm-se multiplicado imagens da água canalizada distribuída pela EPAL, empresa que recentemente se vangloriou de ter as mais modernas instalações de África, uns míseros 6 andares por uns sumptuosos 700 milhões de dólares do erário público. Vários clientes, indignados com a qualidade do produto, têm divulgado nos seus muros de lamentação imagens assustadoras da água que lhes tem sido fornecida por esta empresa pública.

Central 7311 Água Ganho da paz

Algures em Luanda

Porém, a mais impressionante foi postada como vindo do Kwanza-Sul, onde a EPAL é inocente mas o Estado não, pois a prima do Kwanza-Sul tem outro nome – EASCS – mas não outro dono. A cor e a espessura daquela matéria saindo pela canalização ilustrada na imagem lembra mais polpa de múcua para fazer sorvete. Aquilo tem ar que, se ingerido, criará um pântano no ventre com girinos e nenúfares. A pessoa que encheu esse balde consumiu esse unguento? Meu issa!

Luaty Beirão

CTV Piitra

Emanuel Pitra, um dos protagonistas desta reportagem

Recentemente publicámos uma reportagem acompanhando o dia a dia de uma jovem com deficiência, a Ana Adriana “Maninha” que, pela sua bravura e resiliência conquistou o coração de muit@s angolan@s, provocando reações emocionais e uma chuva de contactos de pessoas pretendendo “ajudá-LA”. Uma dessas ajudas veio sob forma de formação e emprego e Maninha começa a trabalhar esta semana. Obrigado a tod@s.

Tendo de certa forma se tornado numa espécie de cabeça de cartaz, Maninha é no entanto uma entre milhares que sofrem não apenas por terem sérias limitações de locomoção, mas também (sobretudo?) por serem discriminad@s de múltiplas formas pela sociedade na qual se inserem: pela arquitetura dos espaços que se tornam inacessíveis e portanto infrequentáveis por el@s, pelos transportes públicos que os ignoram passando por eles indiferentes, por tod@s os que fazem chacota da sua situação humilhando-os, pelos professores que deveriam emancipá-los, pelo patronato que não quer ter “aleijad@s” como funcionári@s, etc.

Um grave problema de mentalidade e estigmatização que estes cidadãos e cidadãs devem enfrentar ao longo de toda a sua vida e que os torna autênticos sobreviventes e dignos da nossa vénia e de peças como as que abaixo vos apresentamos, na esperança de poder contribuir, um pouco que seja, na inversão desses valores.

O oxigénio da paz

Posted: April 22, 2017 in Luanda
Meme Luvualu

Um dos múltiplos Memes que pipocaram na web desde as declarações inusitadas de Luvualu

Finalmente reapareceu o nosso querido embaixador numa das suas missões diplomáticas no âmbito da besteira interna. Ironicamente, estávamos com imensas saudades. Ficámos com a impressão que já tinha terminado o seu mandato pois, já não se fala do assunto que levou à sua nomeação, o famoso processo n.º 00148/15-A, popularizado como “Processo dos 15+Duas”. Foi ao longo deste infâme processo que o senhor itinerante ,com o seu trampolim conhecido por TPA, usou e abusou da sua boca para manipular a opinião pública afirmando de pés juntos que o jovem Dionísio Gonçalves Casimiro tcp Carbono estava exilado na Embaixada dos EUA, em Luanda. Quando na verdade ele encontrava-se nos EUR (Estados Unidos do Rangel), livre, leve e solto.

Essas e outras palavras, serviram-lhe de catapulta para o jamais visto em Angola cargo de Embaixador Itinerante, para defender os interesses e levar a “boa imagem” do país para praças internacionais. Aí tivemos então o nosso Tudólogo bem preparado tanto estatisticamente, juridicamente, matematicamente, geograficamente, quimicamente, desafiando assim, a inteligência dos sábios do Egipto e da Grécia Antiga, microfone, luz, câmara, acção! Habemus Luvualu, 99% da população angolana tinha um representante dos seus interesses, ou não.

Passemos para o nível mais avançado do estado do nosso Tudólogo: O também conhecido por MC Besteira, vice-presidente da LibajuAng (Liga dos Bajuladores Angolanos), finalmente reaparece com a teoria Oxigénio versus Ganhos da Paz na sua intangível loucura… Habemus Besteira! Sabemos que ele é Tudólogo e com isso vai recorrer aos seus postulados dedutivos, mais apurados do que aqueles que aprendemos com Sherlock Holmes. Eis como: A paz que tanto se fala em Angola, aquela assinada no dia 4 de Abril de 2002, vem amiúde à baila para se lembrar que um grupo de indivíduos a conquistou, e, todos devem alguma coisa a esse grupo, principalmente ao seu arquiteto, clarividente e escolhido por um deus para manter essa paz que tira o oxigénio de um Bruno Leite, Rufino António, um Hilbert Ganga, um Kassule e um Camulingue.

Neste contexto, a lógica do oxigénio não vai surpreender quando aparecer mais uma marioneta do mal a dizer: “Bem, como já é do conhecimento de todos, pois anteriormente extensivamente explicado pelo Dr. Tudólogo, o Oxigénio é um ganho derivado da paz arquitetada pelo clarividente, cuja continuidade será feita pelo candidato da juventude. Portanto, vamos começar a cobrar pelo nosso oxigénio uma vez que em Angola antes da paz, respirávamos enxofre, ácido sulfúrico, chumbo, etc., menos Oxigénio.”

Atingimos 99% da loucura. Luvualu, acabou. 99% dos Jovens da Huíla estão tristes com a tua loucura… precisas urgentemente de uma sessão de descarrego. Felizmente para ti, em Luanda tem boas igrejas para te libertar dessa tua morte intelectual, podendo inclusive ressuscitar-te, uma vez que se passaram já pouco mais de 3 anos desde que a tua loucura se tornou óbvia para o resto de nós que acompanhamos os teus passos. O governo que te nomeou, também permite que tu passes à reserva como fez com tanta gente que nunca trabalhou. Na categoria de louco na reserva, terás bons salários enquanto a liberdade não chegar. Como consegues ser tão velho com essa idade que tens? Aonde vais e onde queres chegar? O que te aprisiona tanto? Não queres repetir o ensino primário para ver se mudas a forma de agir e pensar?

CTV Cláudio Dungo CENSO

Cláudio Dungo, colaborador do Censo e um dos membros do grupo que lidera o protesto

Este é um assunto retomado pela Central Angola, pois um facto de relevância pertinente justifica a sua atualização: a realização de uma manifestação.

A luta arrasta-se desde 2014, quando o INE alegou a 6000 dos seus colaboradores que não tinha como honrar a sua parte do compromisso, obviamente depois de concluída a monumental tarefa a que se propôs.

Camilo Ceita, o PCA do INE assumiu o kilapi e mostrou aos reclamantes cartas dirigidas aos Ministérios responsáveis pelo desbloqueio dos fundos explicando a situação e rogando para que regularizassem esses pagamentos.

Silêncio!

O Censo Populacional começou por ser orçado em 200 milhões de dólares, mas o exercício financeiro revelou no seu encerramento gastos de 360. Quase o dobro. Nem com isso se conseguiu pagar o kilapi e a forma de encolher os ombros que Camilo Ceita encontrou foi “a crise”.

Silêncio!

Admitamos por um instante que Camilo Ceita depende da versação das verbas pelo Ministério das Finanças e que, sem essas, esteja de pés e mãos atadas. Perante a sua incapacidade em honrar com o seu compromisso, o que lhe resta fazer senão apresentar a sua demissão e sair de queixo levantado? Não, prefere sacudir a poeira, negar todo o tipo de culpa e remeter-se ao…

Silêncio!

Pois de silêncio estão estes colaboradores fartos e irão voltar a manifestar-se na próxima segunda-feira, dia 24 de Abril, pelas 10h00 da manhã, diante da sede do INE, em Luanda.

CTV Maninha

Ana Adriana, a “Maninha”

Foi convocada pela Plataforma pela Inclusão uma manifestação pelos direitos sonegados à pessoas com deficiências, que deverá ter lugar no dia 22 de Abril, partindo do Cemitério Sant’Ana até ao Largo das Heroínas.

Em Julho de 2016 foi aprovada uma lei estabelecendo normas, condições e critérios de acessibilidade para as pessoas com deficiência ou com mobilidade condicionada. Essa lei prevê a eliminação de barreiras arquitetónicas nos edifícios, espaços e equipamentos urbanos, transportes especiais e apropriados, entre outras garantias. Ela segue-se a um decreto presidencial de 2016 que estipulava a regra de quotas de vagas de emprego de 4% para o setor público e 2% para o setor privado para pessoas com algum tipo de deficiência.

Como a maior parte das bonitas leis do nosso ordenamento jurídico, continua a ser letra morta e como é costume, não existem responsáveis pelo incumprimento. Enquanto isso milhares de cidadãos se vêm duplamente penalizados: pela sua condição física e pela exclusão institucional.

Manif Portadores de DeficiÊncia
Nesta peça acompanhamos um dia na vida de Ana Adriana, carinhosamente “Maninha”, para termos uma pequena ideia das dificuldades que pessoas com deficiências passam em cidades que não lhes favorecem a locomoção e em países onde as políticas, quando as há, são apenas carateres numa folha oficial.

Maninha deixou de estudar, a sua faculdade, o ISPSA (Instituto Superior Politécnico Soberano de Angola), foi encerrado por operar de forma ilegal e desde então o sonho de se tornar enfermeira teve de ser adiado. Com alguns cursos básicos, o seu ganha-pão vem do métier de cabeleireira, tendo clientes residentes que a procuram para trançar.

Acompanhe o vídeo abaixo e veja que esta manifestação tem todo o sentido e que a nossa solidariedade é uma obrigação.

CTV Fiscal Eleitoral denuncia

Lourenço José, fiscal do registo eleitoral e autor da denúncia

O registo oficioso chegou ao fim e no dia 19 de Abril o MAT entrega a base de dados de cidadãos registados à CNE e lava as suas mãos.

Várias foram as irregularidades que foram sendo notadas um pouco por todo o país. Sobretudo queixas da presença ostensiva de símbolos e até maratonas do MPLA diante das tendas de registo, acusações de cidadãos estrangeiros terem acesso ao cartão de eleitor, a gafe no concurso da TPA que o MAT explicou mas de forma pouco convincente e, mais recentemente, uma foto de um veículo da CNE transportando vários militantes com camisolas e chapéus do MPLA e do “camarada presidente”.

CNE MPLA Huambo

A imagem fala por si

Neste vídeo, Lourenço José, fiscal do registo, faz uma denúncia que se compagina com as acusações anteriormente mencionadas: um cidadão de nacionalidade Somali consegue de alguma forma um documento da administração conferindo-lhe autenticidade como cidadão angolano que não é, nunca foi. A denúncia foi feita, a polícia deteve o cidadão que apareceu com uma testemunha de Cabinda e obteve deste a confissão da tramóia. Será este um caso isolado? Como confiar neste processo, como validar eleições quando os competidores não estão a concorrer em pé de igualdade e não há mostras de intenção de fazer diferente desta vez?