Central Camisolas Palhaços.jpg

Depois de todas as peripécias a que foram submetidos os activistas e os seus familiares com o encarceramento compulsivo e injustificado de jovens que cometeram o grave crime do pensamento dissonante, continuam estes sem ter acesso aos bens que foram apreendidos de forma igualmente abusiva (sem mandado competente) pelos SIC, a maior parte dos quais nunca chegaram a ser usados como matéria de prova no infâme processo que ficou conhecido como 15+2;

Depois de pessoas que nada tinham a ver com o processo verem igualmente confiscados os seus bens, bens que utilizam para trabalhar, para conquistar a sua fonte de rendimento, bens que nunca chegaram a ser arrolados como provas fosse do que fosse e que continuam até hoje sem ser devolvidos;

Depois de terem sido restituídos os pertences do activista Nuno Álvaro Dala após prolongada greve de fome, incluindo o computador que supostamente foi usado como matéria de prova;

Depois de, na passada quinta-feira, se terem deslocado à 14ª secção do TPL onde foram julgados, se depararem os activistas com a incompletude do material que foi confiscado das suas residências e receberem como resposta que “o que não está aqui o SIC não mandou”;

Decidiram estes remeter uma carta para as autoridades competentes para que estas ponham um fim definitivo a este baile indesejado com efeito imediato.

“Poderá convir que mais de 370 dias após o início desta embrulhada judicial estamos com pouca paciência para continuar a dançar a interminável valsa do “volte amanhã enquanto aguardamos as ordens superiores”. Solicitamos por isso, com todo o respeito que ainda nos sobra, que se digne a baixar uma ordem clara e definitiva a quem quer que seja que esteja a obstaculizar a aplicação cabal da lei.”, lê-se na carta endereçada ao Juiz-Presidente do Tribunal Supremo.

Estipulam para o efeito um prazo de dois dias após a entrega da carta e deixam o alerta que, caso o assunto não seja arrumado dentro desse prazo “vamos marchar até à Presidência da República pois, pelos vistos, José Eduardo é a única pessoa que tudo decide neste país.”

Abaixo a acusação de recepção da PGR e do TS.

 

IMG_0875

Dago Nível

Francisco Gomes Mapanda, “Dago Nível Intelecto”

14 – 06 – 2016

De um tempo a esta parte temos vivido tempos ou momentos de amargura no que concerne a alimentação aqui na Cadeia de Viana e em particular no Bloco D.

O que se passa é que as refeições passaram de más a lastimáveis porque os reclusos passaram a alimentar-se de pão seco ao matabicho e arroz branco mal cozinhado ao almoço, sendo ao jantar obrigados a comer arroz misturado com feijão também sem a devida condição para alimentar seres humanos como tal.

Face a essa situação não se vêem reclamações de concreto por parte dos reclusos e nem uma explicação básica dos Serviços Prisionais sobre o que realmente se passa. Admira-me a submissão dos reclusos e o silêncio da direcção da cadeia, mas em surdina diz-se que a penitenciária está sem logística de bens alimentícios e sem dinheiro para proporcionar alimentação condigna aos presos.

O que temos visto porém é que os meios que propiciam alimentação aos presos são desviados pelos responsáveis da área da logística e não só, prejudicando assim os reclusos.

Outro grande problema é a falta de água que não corre nas torneiras das casernas, obrigando os reclusos a acarretá-la no pátio geral do bloco, o que os leva a percorrer grandes distâncias com bidons na cabeça e empurrando barris até às respectivas casernas.

O mais caricato é que essa água é imprópria para beber e às vezes deixa comichão depois de ser usada para o banho, originando algumas infecções cutâneas em peles mais sensíveis.

A direcção da cadeia alega que a bomba de água está avariada e por isso não tem saído água nas torneiras das casernas, mas isso já caminha para mais de um mês, o que denota falta de interesse dos SP em solucionar esse caso, deixando mais uma vez prejudicados os reclusos.

OBS (03-07-2016): Nos últimos dias aprofundei mais sobre o porquê do arroz branco no almoço e pão simples ao matabicho. Cheguei a constatar que tem havido desvio de latarias de carninha, sardinha e leite por parte dos cozinheiros e logísticos que automaticamente as têm vendido a reclusos, 2 latas 500 Kwanzas (também levam para casa). As latarias são depositadas na caserna A6, a caserna dos estrangeiros, e de lá são despachadas para os clientes interessados nas restantes casernas. O intermediário é um recluso conhecido como Muluba, um daqueles em excesso de prisão preventiva.

Dago

Dibango Tshirt copy

Ao

Senhor Ângelo Tavares

Ministro do Interior

Luanda, 11 de Julho de 2016

Com pesar de ver-lhe carregando este nauseabundo fardo, ciente da oportunidade de mudança sobre esta aberrante crise que vos guia… Cumprimenta com sinceros votos de saúde e felicidade nesta enrascada laboral na qual se vê envolvido….

Nelson Dibango Mendes dos Santos, free lancer criativo de 33 anos, tido como ativista revolucionário (revú) no processo 15+ duas.

É uma honra escrever para o senhor, faço com muito prazer e algumas dores na cabeça próprias do exercício. Queria escrever para o ti Zé mas fiquei com medo que pela simplicidade ou complexidade do assunto pudesse a vir sentir-se mal e como tenho tido informações negativas quanto as suas condições fisiológicas e/ou psíquicas não quis ser o causador de um eventual agravamento da sua situação. Longe disso quero mazé que ele seja muito feliz, cuidando dos seus netos, gozando de uma merecida aposentadoria. Estranho e indignante são estas forças sociais que parecem querer vê-lo a morrer escravo do poder, da conjuntura, do trabalho forçado, das incertezas do medo e do ódio que a sociedade vai refletindo fruto da insegurança social gerada pelo fosso de desigualdade perpetuada pela elite que governa, forçando o conceito de ditadura sobre o estado e ditador sobre o velho.

Kota, escrevo diretamente para ti por esta via, para facilitar o teu complexo trabalho. Expondo por esta via, há maior possibilidade de informar os agentes envolvidos no assunto que me aflige(são bwé atentos às informações das redes sociais) e se apercebendo desta carta, provavelmente vão tentar regularizar a situação sem precisar esperar as ordens superior do senhor ou do ti Zé.

Senhor ministro, durante a minha detenção, além dos meios que carregava comigo prenderam também, da residência onde vivia e onde vivem dos meus pais, vários artigos, qualquer coisa como: 5 computadores (2 desktop Hp e i-mac/ 3 laptop um macbookPro retina um acer e um Hp) 5 impressoras, 2 telefones, modem de internet, valores monetários, documentos pessoais, documentos do veículo (incluindo as chaves) documentos de clientes, livros, revistas e jornais.

Entenda um pouquinho de como pessoas estão a ser prejudicadas:

Meu pai é oftalmologista e em seu computador pessoal trabalhávamos juntos na construção da base de dados para seus pacientes acumulados em mais de vinte anos de trabalho. Também trabalhávamos num software para a gestão e administração social e económica da família com base na árvore genealógica de quatro gerações. O papoite também usava o computador para jogar solitária, ouvir músicas antigas, fazer pesquisas na net e participar em redes sociais.

Minha mãe gastava bwé de saldo vendo e pesquisado vídeos musicais antigos no youtube. Também aprimorava receitas antigas e pesquisava receitas novas para seus serviços de gastronomia e/ou buffet. Apreciava ficar no chat ou em video-conferência com suas amigas no exterior do pais.

A minha esposa além de documentos laborais e académicos, tinha o maior acervo fotográfico da nossa relação, também juntava vários vídeos musicais gospel, infantis e de relaxamento que usávamos para fazer dormir o bebé. Tinha vídeo-aulas de culinária, decoração maquiagem e jardinagem.

Tenho um irmão Kudurista um primo que canta Hip hop (os músicos) usavam o computador para ensaios, multimídia e estudos.

Os meus irmãos mais novos (20 e 21 anos) usavam o computador como parte integrante de seus corpos, um é voltado ao hardware e outro ao software, juntos constituem o time de técnicos da família. Adoram vídeo jogos filmes ou multimídia, também tinham um monte de vídeo aulas de informática. Criaram comunidades nas redes sociais voltada a estes assuntos.

Programei um computador para o meu primeiro filho desde aos três anos com jogos interativos (multimídia) educacionais de sua faixa etária. Fiz isso para lhe desvincular da tv.

A Kátia (irmã) além de praticar de artes e oficio é escritora, poetiza, fotógrafa e designer… free lancer. Tem dois livros publicados e outros escritos, participa de forma ativa nas redes sociais partilhando sua arte, sua cultura no mundo. É integrante de vários movimentos artísticos. Seu computador esta cheio de dados; projeto sociais, económicos, artísticos, laborais e familiares. Bem parecido com o conteúdo que tinha no meu computador.

Diante desta realidade peço que se reponha a legalidade, alertando sobre a presumível dívida monetária que a sociedade paga de várias formas pela ignorância sistematizada de suas instituições.

Alerta: Os valores dos artigos podem rondar aos $ 10.000 / O seu conteúdo comercial soma cerca de $ 100.000 / poderia movimentar em um ano mais de $ 1000.000 e expandir-se ia bem mais se acrescessemos algumas variáveis como os 15 mais uma infinidade de pessoas atingidas por este tipo de negligência, danos morais, sociais, etc. Os valores totais seriam tão altos que nem o OGE supriria. Valores que realmente existem e a sociedade paga em forma de decadência. É este o preço da ignorância na qual há muito investimos, pensando que a educação é cara.

Sem outro assunto de momento reiterando os votos de transformação para saúde e felicidade, Cumprimenta-o

Nelson Dibango Mendes dos Santos

Luanda, 11 de Julho de 2016

Fatigaram os criativos da alma

Posted: July 8, 2016 in Luanda
dead_souls_by_lowietje

“Dead Souls”, de Lowietje

Waldemar Bastos sugere numa recente entrevista ao jornal Público que gente mal intencionada está a matar a música da alma em Angola. Aquela que, para lá de incentivar o bamboleante e sensual movimento de ancas, conduz os ouvintes à reflexão, à apreciação de emoções mais profundas e complexas.

Eu iria mais longe e diria que estão a matar a arte da alma, pelo menos aquela confeccionada pelas gentes das urbes e consumida pelas massas. Arriscando escarafunchar um pouco mais fundo, constato que, salvo raríssimas – por isso valiosíssimas – exceções, essa arte já anda morta e mumificada faz tempo.

Parece que os articídas já nem sequer se preocupam com um eventual ressuscitar do fenómeno consciência/contestação, ultimamente submetido a eletrochoques de realidade social calamitosa, num aparentemente tardio esforço de primeiros socorros, após perda do pulso de tão essencial fenómeno na expressão cultural.

Os poucos rappers estóicos que conquistam à ferros os seus modestos espaços, os Thó Simões, os Nástios Mosquito, as Alines Frazão, os Orlando Sérgio, os Agualusa, os Brunos M, os Sérgios Piçarra, Bongas e Paulos Flores são desvalorizados como sendo esporádicos exemplares sobreviventes de uma espécie condenada à extinção, pequenas exceções que confirmam a regra, bibelots na estante reservada à liberdade de expressão para a qual se aponta quando é necessário provar aos abelhudos dos direitos humanos – sobretudo os estrangeiros porque os nacionais são ignorados com sucesso – que também temos cá disso, dessa iguaria que “não enche barrigas”.

Tão residuais serão os ilustres mulheres e homens como os supracitados que deixou de fazer sentido para os articídas investir em mais do que piquetes ocasionais de dissuasão, estes próprios muitas vezes protagonizados pelos seus sensatos e genuinamente preocupados entes queridos.

Se a vida realmente inspira a arte e tendo em conta a fervilhante realidade que nos circunda, fausta matéria-prima que dispensaria auxiliares psicotrópicos à criatividade, vejo-me forçado a cingir-me a algumas possibilidades que não são mutuamente exclusivas:

  • Os nossos artistas merecem aspas
  • Os nossos artistas foram lobotomizados
  • Os nossos artistas autolobotomizaram-se
  • Os nossos artistas são comerciantes/empresários/candongueiros
  • Os nossos artistas são medrú a.k.a cagões

Em lado nenhum os artistas com sentido de missão, que se posicionam, que se engajam, que lêm, exaltam e/ou lamentam a realidade que aflige as suas sociedades (e as alheias também) constituem a maioria da classe, mas haverá poucos países – ocorrem-me de repente as sempre trágicas a já algo clichés Coreia do Norte e Guiné-Equatorial – onde há tanto por exprimir e tão poucos interessados em fazê-lo, ainda que tangencialmente. Cães de fila há-os aos pontapés, sempre dispostos a enaltecer os feitos, a abrilhantar os eventos e até a cantarolar os pronunciamentos do timoneiro/arquiteto/engenheiro sobre uma base de piano-forte para receber os proventos.

Num ambiente que se torna austero demais para os ocasionais aventureiros que se predispõem a colocar a cabeça fora da janela ao invés da mão para verificar se está a “serenar” com força ou devagar, é imperativo que a sociedade lhes devolva o carinho, encontrando formas de protegê-los dos extra-zelosos guardiões do statu quo, os autómatos programados a ligar e ir regulando o complicómetro até ao nível mfulupingado. Ou isso, ou um deserto sem oásis.

Luaty

28.6.2016, Hospital-Prisão de São Paulo

Central 23 Junho

Cerca de 36 então reclusos angolanos na Zâmbia, foram transferidos para o país a 17/09/2015 num convênio de troca de prisioneiros entre o governo angolano e o governo da Zâmbia. Muitos desses reclusos foram refugiados angolanos na Zâmbia que abandonaram o país (alguns com apenas 6 anos) durante a guerra civil. Entraram em conflito com a lei zambiana e acabaram com penas compreendidas entre os 2 e os 30 anos de prisão maior.

Dos 36 reclusos que beneficiarem deste convénio, 4 foram transferidos para a unidade militar do Grafanil por já terem cumprido pena; estando actualmente alojados em tendas e 32 encontram-se na Comarca de Viana. Destes, 27 já cumpriram metade da pena, ou seja, estão aptos para beneficiar da liberdade condicional; 3 igualmente já cumpriram a sua pena e 2 precisam de uma reconversão penal uma vez que a nossa lei estabelece como moldura penal máxima 24 anos , e, os dois referidos terem sido condenados a penas de 25 e 30 anos respectivamente.

Segundo fontes, foram-lhes feitas várias promessas por parte do governo angolano, o nosso, sendo a mais destacada a que não estariam em prisão ao cá chegar. “Tivemos garantia de S. Excia. Sra. Secretária de Estado das Relações Exteriores para os Assuntos Externos, Albina da Silva, que não estaríamos em prisão. Nós não dominamos bem como funciona o sistema de justiça aqui. Não temos advogados aqui. Mais da metade dos nossos companheiros já cumpriu metade da sua pena e 7, incluindo os que foram à Unidade Militar (Grafanil) já cumpriram a sua pena. Continuamos sem entender.”

Ao embaixador de Angola na Zâmbia, tiveram a promessa de que “nos dariam casas para nós vivermos e recomeçarmos a vida.” As informações que têm acerca do seu processo não os deixam tranquilos:

“Sobre o nosso processo diziam-nos basicamente duas coisas: (1) O Ministério da Justiça diz que o processo está no Tribunal Supremo. (2) Os prisioneiros através da Comarca de Viana dizem-nos não saberem nada sobre nós, que eles apenas têm a função de guardiões. É como se tivessem lavado as mãos. Os únicos em quem podíamos confiar, é o Sistema de Justiça, que além de não dominarmos, parece-nos ter-nos esquecido. Perdemos a esperança.”

“O nosso caso compara-se ao de um pai que delega cuidados de seu filho a um vizinho. Este vizinho ao invés de cuidados, usa de violência, começa a bater no filho com uma vara. O pai, vendo o sofrimento do filho, resgata-o das mãos do vizinho. Entretanto, o resgate que seria para confortá-lo, transforma-se num autêntico suplício. No lugar da vara do vizinho, o pai serve-se de uma ripa e começa a batê-lo com mais severidade.”

Outro problema que apontam como séria preocupação é a assistência médica:

“Enquanto na Zâmbia, tivemos a garantia da senhora Secretária de Estado para as Relações Exteriores de que teríamos assistência médica. Alguns de nós enfrenta, sérios problemas de saúde, com destaque para o Pedro Moisés Muluyata que é cardíaco e asmático. O seu caso é de conhecimento do governo da Zâmbia (do qual sempre teve assistência médica durante a prisão lá), do Senhor Embaixador de Angola na Zâmbia, do Sr. Ministro das Relações Exteriores George Chicote e de outras entidades políticas e sociais de Angola. Tem também os casos de Noé Ussolue que tem uma ferida crónica na zona pélvica de cerca de 2cm e o (censuramos o nome) que é seropositivo.

” A Senhora Secretária de Estado disse-nos na Zâmbia que sempre que tivéssemos com problema de saúde, seríamos assistidos. Se nos passassem alguma receita médica, devíamos apresenta-la ao Director da Cadeia ou estabelecimento onde estivéssemos para comprar os medicamentos prescritos. Mas, das duas vezes que o Noé foi ao Hospital Prisão São Paulo, só para destacar esse, entre os vários que podíamos relatar, entregámos as referidas receitas ao Director da Comarca de Viana, mas até a este momento Noé continua sem ser medicado, nada se comprou e nada nos foi dito. O Mulyata por exemplo, já teve várias crises desde que aqui estamos , é o único que fica mais tempo fora para arejar por razões de saúde. Outro dia, quando teve uma crise, foi socorrido por nós mesmos. Ele é muçulmano e contou também com a ajuda de seus irmãos de crença que lhe compraram alguns remédios que ele toma. O (nome censurado), que é seropositivo, é quase um morto em pé, por falta de assistência, já nem sai da cela. Os problemas de saúde que temos tido aqui passam quase por si só. Assistência médica para nós ainda é uma palavra distante. Estamos vivos unicamente pela graça de Deus.”

Neste momento a Cadeia de Viana enfrenta um surto de conjuntivite e a Caserna B2, a caserna onde se encontram os 31 reclusos vindos da Zâmbia tem sido a mais afectada. Enquanto redigíamos este texto, um deles veio abordarmos com uma receita recém-passada com os olhos a dizer-nos “não sei o que fazer com isso, não tenho como pagá-la, mas gostaria de ficar melhor.”

Durante a conversa que mantivemos com eles, disseram-nos que a maioria deles é formada em cursos técnicos, que podem trabalhar por conta própria. Gostariam de se fixar em Luanda depois de soltos, mas alguns têm parentes nas províncias do Moxico, Lundas e Menongue. Alguns deles deixaram família constituida (mulher e filhos) na Zâmbia:
“Somos formados e temos certificados. Os nossos certificados estão com os Serviços Prisionais na promessa de trabalho. Alguns de nós estão integrados nos trabalhos da cadeia, como guiché, cozinha, limpeza, capinagem e outros. Mas ninguém é assalariado.”

Deixa-os também indignados, o facto de, segundo nos informaram, o presidente da Zâmbia, “S. Excia. Edgar Chagwa Lungu perdoou-nos num discurso público pronunciado a 16/09/2015. Ele disse: <<Perdoo, de acordo ao poder que me confere os artigos 57º e 59º da nossa Constituição, os 36 angolanos que agora vão transferidos para o seu país dos actos lesivos que cometeram enquanto cidadãos neste país.>> Não conseguimos entender por que ainda nos mantêm presos, pois segundo informação que nos chegou através da família na Zâmbia, os Zambianos que estavam presos em Angola que também beneficiaram da troca de presos, apenas fizeram dois dias na cadeia, foram todos soltos.”

Queremos igualmente realçar que a sua transferência ocorreu na altura em que se estava a proceder o indulto presidencial, mas nenhum deles foi beneficiado.

Os nossos compatriotas clamam por ajuda e atenção, para com a sua situação e apelam ao nosso governo que “Aja como pai”. O que mais querem é “sair do contínuo sofrimento, da contínua escravatura.” Querem e pedem que o Governo cumpra o que prometera quanto a acomodação e outras necessidades vitais. “Tem sido muito difícil para nós, sentido-nos como inquilinos no nosso próprio país. Se eu soubesse que é para isso que vinha, preferia antes ficar na Zâmbia.” Desabafou um deles.

 

Estatísticas

Vieram da Zâmbia 36 reclusos. Destes:

  • 4 foram soltos por cumprimento da pena, mas encontram-se a viver numa Unidade Militar.
  • 31 encontram-se na Caserna B2 do Bloco D da Comarca de Viana, Luanda.
  • 1 encontra-se nas tendas da Comarca de Viana.

Os 31 que se encontram na caserna B2:

  • 3 ( Francisco Pedro António, Povedo e Pedro Mulyata) já cumpriram a sua pena.
  • 26 ou 27 já podem estar em Liberdade Condicional.
  • 3 ( Pedro, Moisés Mulyata, Noé Ussolue e (nome censurado) enfrentam problemas sérios de saúde incluindo HIV e AVC.
  • Quase todos os 31 estiveram afectados com conjuntivite.

Todos foram perdoados pelo Presidente Edgar Lungu, o mais justo era solta-los, dar-lhes acomodação tal como prometido e terem a oportunidade de “recomeçar a vida.”

Poster A3 Futebol

“Caros compatriotas,

É a primeira vez que vos escrevemos. Fazemo-lo movidos de um espírito fraterno, de solidariedade e, acima de tudo, da angolanidade que nos caracteriza.

Politicamente somos antagonistas, não apreciamos as vossas políticas nem da forma como, enquanto partido político no poder, administram aquilo que a todos diz respeito, a Rés pública. E certamente que não simpatizarão com a nossa forma de luta e mesmo com o nosso discurso. Apesar disso, sabemos todos que é uno o cordão umbilical que nos liga a esta mãe pátria que se chama Angola. Somos todos filhos desta linda e amada terra. Entendemos também que a Reconciliação Nacional é uma tarefa a ser feita a cada dia e ela assenta no magno ideal da aceitação mútua, na capacidade de convivermos na diversidade e na interiorização da máxima que, independentemente das nossas divergências políticas, não precisamos de nos vermos como inimigos. Sendo nós a nova geração, é também sobre nós que recai a responsabilidade de materialização deste ideal muito em voga nos discursos, praticamente desde a fundação da Nação mas que, infelizmente, pouco sentido em gestos concretos até a presente data.

Do desporto, um dos maiores factores de aproximação e reconhecimento mútuo, e nomeadamente com o “fair play” que lhe deve ser característico, podemos tirar lições de tolerância e de convivência para aplicar no dia a dia. É imbuídos deste espírito fraterno e de reconciliação que vos vimos formular um convite para uma partida de futebol entre ativistas e JMPLA, a ter lugar no dia 26/06/2016, pelas 15:30 horas no recinto multiuso da Igreja de São Domingos, para assinalar o primeiro aniversário da prisão dos nossos companheiros, que queremos transformar num símbolo de fraternidade, reconciliação e alegria, ao invés da habitual troca de hostilidades.

Expectantes de ver o nosso convite aceite e abertos para fazer arranjos conjuntos quanto à hora e o local da realização da partida, caso sejam impeditivos os propostos, e sem outro assunto a expor de momento, recebam as nossas fraternas saudações e votos de bom trabalho.

Assinam os Jovens Activistas, também conhecidos por Revús.”

Carregue aqui para fazer download do panfleto e imprimir

Facebook_Perfil_Portugues

1 ano depois da prisão dos ativistas, achamos ser este o dia adequado para assinalar as perseguições e injustiças e de reclamarmos a liberdade de expressão designada na nossa constituição.

O caso dos 17 despertou a atenção de grande parte dos Angolanos e da comunidade internacional mas estes e outros ativistas continuam presos ou limitados na sua liberdade. Porque precisamos de todos os que querem contribuir para uma Angola melhor, livres de o poderem fazer, porque manifestar não é guerra, porque não há paz sem justiça e igualdade, porque acreditamos que juntos vamos virar uma página na história do nosso país, apelamos a que, em Angola e na diáspora, cada um, na sua língua, na sua localidade e na sua maneira, se associe.

Dia 20, porque todos somos reféns, vamos manifestar a nossa solidariedade com os presos e reclamar a nossa “Libertação” prometida há 40 anos! Como?

  • Espalhando a imagem anexa.
  • Utilizando uma peça de roupa branca.
  • Dando opinião nas redes. Com texto ou imagens.
  • Imprimindo este panfleto e/ou este cartaz.
  • Organizando uma ou participando numa das concentrações em:

Dia 18
Bruxelas – Parc du Cinquantenaire, Fête de La Musique – 23h

Dia 19
Lobito – Junto a rotunda da zona alta da lixeira – 18h

Dia 20
Luanda – Sambizanga – Rotunda da Boavista – 12h
Luanda – Cacuaco – Paragem da Vila junto ao Tanque – 12h
Luanda – Viana – Junto ao Alimenta Angola da Estalagem – 12h
Luanda – Belas – Rotunda do Camana – 12h
Lisboa – Rossio – 19h
Lobito – Rotunda do Camioneiro, Zona Alta, 18h
São Paulo – Hip Hop pela Liberdade, Praça Rooselvelt, Centro SP, 19h

Dia 21
Paris – Parvis de L´Eglise Saint Bernard, 18éme – 21h
Lobito – Rotunda do Camioneiro, Zona Alta, 18h

Dia 24
Joanesburgo – Consulado de Angola – 10h

Dia 26
Luanda – Partida de futebol no campo da Igreja São Domingos – 15h

Gritando ”Queremos Liberdade!”

Mais sugestões e informações em:
Todo o material gráfico aqui:

Mais info sobre o caso em:

Amnesty

#liberdadeja #angola17



20th June. Liberation Day.

1 year after the activists’ detention, we trust this is the best day to expose persecutions, injustices and to reclaim our right to freedom of expression, association and assembly as stated in our constitution

The case of the 17 activists generated great attention from a significant number of Angolans and the international community, but these and other activists are still detained or facing constraints to their freedom. Because we need everyone that wants to contribute for one better Angola to be free to do it, because to do a peaceful demonstration does not lead do war, because there isn’t peace without justice and equality, because we believe that together we can turn this page in the history of our country, we call upon each of you, in Angola and in the diaspora, in your language, in your city and in your own way, to join us.

20th June, because we are all hostages of the atrocities being committed by this government, we will demonstrate our solidarity with the political prisoners and reclaim our Liberation, as it was promised 40 years ago! How?

  • Share the event image
  • Wear a white piece of clothing
  • Post your opinion about the political imprisonments on social media. With texts or images.
  • Organize one or participate in one of the following demonstrations:

18 June
Brussels – Parc du Cinquantenaire, Fête de La Musique, 11PM

19 June
Lobito – In the roundabout in “zona alta da lixeira” – 6PM
Luanda – Football match in the football field of church São Domingos – 3PM

20 June
Luanda – Sambizanga – Boavista’s roundabout  – 12PM
Luanda – Cacuaco – Paragem da Vila junto ao Tanque – 12PM
Luanda – Viana – Alimenta Angola da Estalagem – 12PM
Luanda – Belas – Camana’s roundabout – 12PM
Lisbon – Rossio – 7PM

21 June
Paris  – Parvis de L’Église Saint Bernard, 18éme – 9PM

24 June
Johannesburg – In front of the Angola Consulate – 10AM

26 June
Luanda – Football match in the football field of Church São Domingos – 3PM

Shouting “We want freedom”

Or following one of the many suggestions listed here: http://www.centralangola7311.net or facebook.com/centralangola7311

All graphic material here:

Click on the Amnesty icon for more info about the case:

Amnesty

#liberdadeja #angola17